A Praça de Touros do Campo Pequeno abriu esta quinta-feira, 6 de abril, a sua temporada 2017, na qual se comemoram 125 anos da sua existência. Não se podia iniciar da melhor maneira, uma lotação esgotada e um público em delírio.

Uma lotação esgotada foi sem dúvida um prémio para a empresa gestora do tauródromo lisboeta que arriscou neste cartel e ganhou, mas foi sobretudo uma lotação esgotada para dar a entender que o toureio a pé tem lugar na tauromaquia portuguesa desde que com as grandes figuras mundiais, os outros também têm o seu lugar, mas em praças e publico mais específicos, se é que me faço entender.

Outro dos marcos da corrida desta quinta-feira, foi o público em delírio, confesso que há muito que não via uma praça cheia completamente de pé a aplaudir um toureiro. Se Padilla toureou, se fez espetáculo, o que importante é que fez delirar o publico, o tal que chamam de “respeitável” e que paga bilhete, logo se este ficou em delírio e no final saiu satisfeito, é caso para se dizer “seja feita a sua vontade”.

Deste espetáculo há apenas uns pormenores, que na minha ótica quebraram o ritmo a esta noite lisboeta. A demora no início das cortesias, o toque dum passodoble antes do espetáculo ter iniciado e a colocação dos burladeros, que sempre que acontecia era um intervalo, a juntar ao intervalo propriamente dito, foram muitos tempos mortos…

No que ao espetáculo diz respeito, a noite foi de apoteose e posso dizer que era notório o ambiente de expectativa…

Padilla, repetimos, goza de um carinho especial do público que esgotou o Campo Pequeno, teve duas faenas distintas, bandarilhou como é seu timbre e deu um total de cinco voltas á arena e abriu mais uma vez a porta grande da monumental de Lisboeta; o público é soberano, mostrou unanimidade na forma como se manifestou e aí não haverá nada a dizer; contudo, certamente que a presenciar o espectáculo estariam uma percentagem, embora pequena, desses aficionados de solera, como eu costumo chamar “á francesa” que levam o livrinho de apontamentos com as notas que pouca margem deixam aos artistas de ir por um caminho que não se entende como verdadeiro e puro.

Roca Rey como todos sabemos tem triunfado praticamente em todas as praças onde tem toureado, apareceu em Valência, infiltrado e saído do hospital, e triunfou, no entanto causou baixa nas corridas seguintes e reaparece agora no Campo Pequeno; sorteou o pior lote, deixou pinceladas aquém do que todos queríamos ver; pisar os terrenos que ele pisa deixa factura. Abusa “de um reportório pós moderno que prioriza os alardes: passes cambiados pelas costas, arrucinas, circulares invertidos, sobre o toureio clássico” nesta noite não teve matéria para colocar a sua forma de tourear em prática.

A corrida era mista, parece-me que é uma moda que veio para ficar, que me agrada, e parece que dá bons frutos.

O Maestro João Moura teve duas lides salvas pela sua condição de Maestro; conseguiu superar as dificuldades, chegou mesmo a cair da montada, mas feitas as contas podemos dizer que atingiu a nota positiva.

Os toiros de Varela Crujo para as lides apeadas deram jogo desigual tendo o primeiro de Padilla sido premiado com volta.

Os toiros Vinhas para  a lide a cavalo embora bem apresentados pouco transmitiram.

As pegas estiveram a cargo dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira tendo sido caras Ricardo Castelo e Rui Godinho pegando ambos á segunda tentativa.

O espetáculo foi dirigido pelo Sr. Manuel Gama, que foi assessorado pelo médico-veterinário Dr. Carlos Santos.

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