Um ano depois o público quis mais em Beja. Foi à procura de divertimento por via da festa de Toiros. Muito assente no espetáculo do ano anterior e foi essa a tónica toda a noite.

O GFA Beja merece o destaque de entrada desta crónica. O seu cabo da refundação foi bem Homenageado pelo seu Grupo, para além da distinção que a empresa lhe atribuiu. Rabejou o primeiro da noite de sucesso do Grupo e deu mote para, pese embora uma ou outra situação menos ortodoxa, como a atribulada pega de cernelha ou uma ou outra pega com forcados a mais dentro da arena, pegar seis Toiros, com cinco Pegas à primeira tentativa e uma à segunda (em dobra), uma atuação em crescendo, confiante, segura e de todo o Grupo, sem repetir um único rabejador ou primeiro ajuda. Os murubes não bateram, é certo, mas tinham ímpeto, força, e investidas a medir para os caras. E pegar seis Toiros é só para alguns (poucos) Grupos a cada ano que passa…Parabéns ao Grupo de Beja!...é verdade… pegou o Guilherme Santos, o Ricardo Castilho, o Luis Eugénio “Leiria” (na sua primeira a dobrar, a única, de Francisco Patanita), o Rui Tareco com o Nuno Vitória de cernelha, O Miguel Sampaio e o Diogo Morgado.

Estreia dos murubes de Diego Ventura, muito na linha do encaste, embora dispares de apresentação, foram no geral “bons rapazes”, tiveram mobilidade e um ou outro transmitiu algo mais, mas sempre dentro do que se conhece…Teve mais picante o segundo da ordem, foi mais “de corda” o quarto. Para nós a volta do ganadero no final da lide deste deveria ter sido no segundo, foi mais toiro. Boa estreia!

Gostámos de ver Rui Fernandes, andou laborioso, tarimbado e lidador frente ao manso primeiro, bem na condução da lide, andou confiado e cravou no seu estilo habitual. No seu segundo pode explanar o trabalho de casa e o momento de maturidade artística de que disfruta, com o mais cómodo e “telecomandado” da noite. Abriu o “seu” livro e triunfou com força junto da bancada. Sóbrio, com gestão dos tempos e do conclave, soube recorrer aos adornos na justa medida e montar um êxito de experiencia!

Diego Ventura tem o quadro montado, o público estava para vê-lo (faça o que fizer) e os oponentes serviram, sobretudo o seu primeiro. Ladeios a duas pistas com o o toiro a carregar, sortes justas e em curto, com colocação de alto a baixo e um domínio de tudo, num toiro com algum picante, é resumo de êxito grande e euforia da “populaça”, no seu primeiro. No seu segundo deu a volta a um reservado que media e acabou por ter que suar mais e pintar menos. Lide positiva, com superioridade do rejoneador e tecnicamente bem, até ao limite do oponente. Não foi o “exitasso” retumbante que muitos esperavam, mas foi muito forte o do regresso de Ventura a Beja.

Quem também assume cada vez mais maturidade e resistência à tentação do facilitismo é Filipe Gonçalves. Procura entender, lidar e cada vez mais dar consistência técnica e artística ao seu toureio. Em Beja teve duas boas atuações, mas andou sempre depois do ídolo da praça, atualmente. A primeira mais irregular em que o bom foi mesmo bom e a segunda mais redonda. Artisticamente mais equilibrada e de boa nota quanto a colocação, domínio das circunstâncias e com um cinquenho que  media, tinha sentido e exigia ofício. Pena que o publico ainda estivesse nos minutos anteriores á lide de Filipe e não tenha visto o desempenho do cavaleiro na justa medida. Gostámos!

Não foi fácil a noite da direção de corrida. Agostinho Borges esteve diligente e cómodo na direção até que Ventura se colocou entre portas no final da lide do seu segundo a exigir mais um ferro, com o público do seu lado, durante alguns minutos. O diretor manteve a sua recusa e não cedeu, assim como não cedeu a idêntico pedido de Filipe Gonçalves no último. Só que este retirou-se acatando a decisão sem prolongar a questão, ao invés de Ventura que deixou uma praça em fúria contra o diretor de corrida por largos minutos, num ambiente de protestos dignos de linchamento publico. Esteve firme na decisão como se pede a quem tem de decidir!

Nota final para um pormenor que muitos não terão visto…ou percebido. Na pega de cernelha a diligencia e colaboração dos campinos Nelson Ramos e João Fernandes ao perceberem a “verdura” dos forcados. Ao ponto de a pé e “a corpo limpo” o segundo ter enrolado com a ponta da vara no chão o toiro para dentro da dupla que havia entrado e ajudado no movimento do toiro, os forcados a fecharem-se. Agostinho Borges viu e chamou-os para a volta.

Parabéns à empresa…mais uma Esgotada!!

Go to top