A praça Padre Simões Serralheiro, em Messejana, voltou a encher no seu 15 de Agosto (em mais de 20 anos não nos lembramos de não ter sido assim). Os artistas passearam Nossa Senhora da Assunção pela arena, suas gentes renderam-lhe homenagem em comunhão com os muitos forasteiros que se lhes juntaram, num momento único e que só quem tem o privilégio de o presenciar pode sentir, em cada ano. É sem dúvida um marco na tauromaquia o 15 de Agosto, em Messejana!

Ao intervalo a Misericórdia homenageou o toureiro que, com quase toda a certeza, mais toureou naquela praça. Luís Rouxinol passou a ter uma placa alusiva aos seus 30 anos de alternativa, num sítio onde é muito querido e goza de um conforto particular.

O curro anunciado do Eng.º. Joaquim Brito Paes teve de ser remendado com dois toiros de seu irmão, Dr. António Raul Brito Paes, por acidentes ocorridos dias antes no campo. Sem destoar na apresentação e mantendo homogeneidade. Foram diferentes de comportamento os substitutos. O primeiro reservado a deixar-se lidar e a melhorar com a lide, o segundo manso e perigoso de solenidade. Já os quatro inicialmente resenhados, Eng.º. Joaquim Brito Paes, deram bom jogo, deixaram-se no geral, sendo de nota elevada o terceiro (era justo o lencinho para a volta do ganadero), boa os quarto e quinto e mais reservado e exigente o sexto.

Luís Rouxinol teve uma das melhores noites que lhe vimos em 2017. Muito oficio, saber e profissionalismo para entender e arranjar forma de dar a volta ao primeiro. Uma verdadeira Lide! No seu segundo, mais claro e fácil, sublinhou a assinatura de triunfo com o primeiro. Pode deixar a sua imagem de marca de toureiro alegre, comunicativo e artista. Agrado do conclave e em ambiente de triunfo, quanto a nós.

António Brito Paes despachou a ferragem num manso perigoso e difícil, que media, adiantava-se e apertava sem classe. No seu segundo andou de menos a mais, à medida que o toiro também cresceu, mais composta atuação nos curtos, com execuções mais pausadas, numa lide ligada e equilibrada. Valorizada pelo público nos aplausos com que brindou o toureiro.

João Moura Jr. arrebatou o conclave na lide ao melhor toiro da corrida. Sortes bem executadas, em toureio frontal, cingido e com temple. Aproveitou o oponente ao limite e levou a euforia às bancadas, ao ligar os ferros com remates por dentro e adornos em dose correta. Grande êxito. No seu segundo, que tinha mais que lidar e dificuldades para ultrapassar, andou diligente mas sem acoplar em definitivo e nunca se percebeu quem, verdadeiramente, saiu por cima na atuação. Houve profissionalismo e vontade em repetir o triunfo anterior.

Noite de muitas tentativas nas pegas. Eram Toiros, pediam Grupo e muita correção em toda a formação, sobretudo nas 2ªs e3ªs ajudas. Quando estas falharam, houve necessidade de voltar a tentar. E assim se resume a causa do elevado número de tentativas.

Por Cascais pegaram João Sepúlveda e Marco Baião ambos bem à primeira e o valente Carlos Dias à 3ª a sesgo a resolver, depois de falhas no Grupo a ajudar.

Por Beja, Ricardo Castilho esteve estoico em 4 tentativas e foi dobrado à 1ª, a resolver, pelo valente Luís Eugénio "Leiria". José Campino saiu três vezes por baixo e foi dobrado, bem à 1ª, por Francisco Patanita. Miguel Nuno Sampaio alcançou pega, emotiva e rija à 1ª, no ultimo.

Moura Jr. ganhou o prémio para a Melhor Lide (júri constituído pelos apoderados dos cavaleiros) e os Amadores de Cascais para o Melhor Grupo (júri constituído por nós, Vítor Besugo e Paulo Calado).

Dirigiu sem problemas o Sr. Agostinho Borges.

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