A habitual corrida da feira anual de Cuba teve este ano o formato de Concurso de Ganadarias. Estava aí o principal atrativo da mesma.

Perante meia-casa estiveram em concurso as divisas de Eng.º António Silva (toiro maior da corrida, reservado, medidor e pouco claro nas investidas, manseou), Eng.º Jorge Carvalho (manso de solenidade, com sentido e perigoso), Eng.º José Luis V. Souza Andrade (nobre, sem força e débil), Eng.º Joaquim Brito Paes (nobre, codicioso, sem querenças, cómodo, faltou-lhe chispa), Fernandes Castro (nobre, codicioso, sem querenças, transmitiu, investiu sempre com alegria e raça, mesmo com problemas de unhas que lhe dificultaram a locomoção) e Herdeiros Cunhal Patrício (manso a deixar-se lidar, sem incomodar em demasia). O júri constituído por nós, pelo cronista tauromáquico Pedro Guerreiro e pelo aficionado Miguel Ortega Cláudio votou, por unanimidade, no exemplar de Fernandes Castro para vencedor dos troféus em disputa: Bravura e Apresentação.

A terna de cavaleiros brilhou na segunda parte da corrida. Aquela em que as reses com mais potabilidade pisaram a arena de Cuba.

Luís Rouxinol esteve experiente e habilidoso a lidar um complicado Silva que queria colher pela certa, na sua primeira atuação. Soltou o seu toureio de forte impacto no conclave com o Brito Paes que lhe tocou em sorte. Fácil, ligado e com remates em cima, a ferros cravados de frente na serie de curtos. Remate de lide em crescendo com o par de bandarilhas e triunfo popular.

António Brito Paes despachou o intragável seu primeiro. A segunda atuação resultou mais ligada e composta, com o belíssimo Fernandes de Castro. Criterioso na condução da lide, soube sempre deixar o toiro andar e aproveitar essa transmissão. Bem a cravar e variado, assinou atuação equilibrada, em plano de triunfo e aplaudida com força.

Voltámos a gostar de ver Francisco Palha. Toureio com perfume mais clássico mas que chega ao público com impacto. Muito assente em sortes frontais com reuniões justas e remates em redondo "à antiga". Faltou regularidade durante a lide do primeiro, que fisicamente não aguentava os quiebros em cima e caiu em reuniões mais exigentes, retirando brilho. No seu segundo que aguentava mais, resultou melhor a execução, embora com algumas falhas no momento do ferro, as sortes frontais e justas originaram fortes aplausos quando bem executadas.

Nota muito positiva de Francisco palha em Cuba. Com sentido de lide, maturidade e empatia com o público.

Nas pegas foi evidente a falta de traquejo quando os toiros exigiram mais que o habitual.

Os amadores de Bencatel deixaram ir "vivo" o primeiro. Teve duas tentativas francas, pelo seu caminho, com gaz, a por a cara bem. Mal recebido pelo cabo Ivo Rocha, sem mandar na saída do toiro, e na reunião, não se conseguiu fechar. Lesionado na terceira foi dobrado para resolver, mas faltou experiencia na tarefa, com um toiro que aprendeu a defender-se e tinha faculdades, começou a meter o pitón direito no forcado da cara, pedia mais raça e discernimento ao grupo para não "ajudar em comboio" a quem tinha que o manter lá...era mais importante ajudar nos pitons e tapar a cara ao toiro, fora de tábuas, mais duas ou tres tentativas avulso e recolha... No seu segundo Ricardo Prior também recebeu mal, mas emendou-se na viagem doce do Brito Paes e o grupo fechou à primeira.

O grupo de Cuba teve por diante um "tunante" de Jorge Carvalho que não andou na lide, sempre dono e senhor de tudo, sem humilhar e cheio de sentido. Pedro Primo, que se despedia, esteve bem na sua cara, aguentou duas viagens vigorosas, com muita pata, poder e derrotes "a despachar" com violência, que pediam mais coesão e entrega nas ajudas todas. Na terceira tentativa, já carregada, o cara sai gravemente lesionado. Depois foi uma epopeia de 20 minutos de muitas tentativas, a maior parte sem nexo, infrutíferas e nem sempre com a raça e empenho que se exigia a todos os fardados, com algumas lesões e desnorte. Toiro "vivo". No seu segundo Nuno Rocha à primeira, recebeu mal mas viajou sem problemas e consumaram.

Os Amadores de Riachos tiveram a atuação mais simples e coesa nas ajudas. Estrearam o forcado Afonso Vieira no cómodo seu primeiro, bem à primeira. Também à primeira fecharam por Joel Santos, em pega com investida "com pata" e o toiro a empregar-se, em que o forcado de cara viaja "empranchado" depois de reunião deficiente, num derrote lateral fica pendurado no toiro fora da cara, o grupo fecha e dá a pega como consumada. É certo que nunca perdeu o contacto com o toiro...tinha ficado bem repetir.

À direção de Tiago Tavares temos apenas a apontar o excessivo tempo dado para a tentativa de pega ao segundo da corrida. Um exagero.

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