O triunfo maior, (porque houve vários) da corrida de Elvas, inserida na Feira de São Mateus em honra do Senhor Jesus da Piedade, foi este ano, para a ganadaria dos Herdeiros de Rodolfo André Proença. Um curro de toiros que cumpriu em apresentação, com uma média de quinhentos e cinquenta e cinco quilos, com o mais pesado e lidado em primeiro lugar por João Moura Caetano ter sido o mais pesado com seiscentos e quatro quilos; cumpriu também em bravura, todos saíram com pata, empregaram-se em toda a lide, voluntariosos, nobres, imprimiram emoção e chegaram às pegas com vontade, exigência e sem abrir a boca, não permitindo o mínimo erro aos forcados. Dos seis toiros apenas o lidado em ultimo lugar teve nota mais baixa, mas mesmo assim positiva, e foi apenas neste e quanto a mim tardiamente, que o Diretor de corrida Sr Agostinho Borges concedeu a volta para os ganadeiros de Portalegre; também se esqueceu o Director de mandar regar a praça, que desde a primeira lide levantava um pó inadmissível para uma arena como a de Elvas, nem mesmo no intervalo teve esse detalhe; não fosse a areia de Àlcala de Guadaira semelhante á do ruedo de Sevilha nos ter tingido desse “famoso dourado”, a fúria tinha sido bem maior de quem paga bilhete…

Três jovens cavaleiros de dinastia em praça, e podemos dizer que triunfaram cada um ao seu estilo, foi uma corrida para aficionados; notou-se por vezes a falta de efusão do público nos aplausos, que por vezes foi inversamente proporcional á qualidade das sortes.

João Moura Caetano lidou o primeiro da noite e que como já dissemos foi o mais pesado da corrida, templou-lhe as investidas e lidou de forma soberba um astado que impressionava pela presença; no seu segundo optou mais por cites de largo, recebendo depois e aguentando as francas investidas do toiro e cravando de alto a baixo e no sitio como mandam as regras, terminou entrando mais nos terrenos do toiro e citando mais em curto e com batidas ao piton contrário deixando ferros de nota alta e somando dois triunfos de peso.

Marcos Bastinhas apresentou-se na sua terra para triunfar, recebeu o seu primeiro á portagaiola, cravando-lhe dois compridos de elevada nota, arriscou na brega com momentos de emoção, o quarto ferro curto de alto a baixo e ao estribo foi um grande ferro, terminou a primeira lide com uma rosa e um par de bandarilhas, a sua segunda actuação foi brindada a seu Pai, mais uma grande lide do cavaleiro elvense que somou mais um triunfo, foi o primeiro par de bandarilhas dos dois que cravou o que nos fica na memória pelo nível que teve, apeou-se no final e recebeu os aplausos do público que quase enchia a praça de Elvas neste dia de festa.

Duarte Pinto, mais um cavaleiro de dinastia dos três que compunham este cartel; teve logo no primeiro toiro que lidou e que veio sempre a mais, uma grande actuação; uma lide para aficionados onde tentou sempre fazer tudo com a maior das perfeições e com uma segurança enorme; medindo sempre bem as sortes, indo por direito e cravando como mandam as regras; no seu segundo e último da corrida colheu mais um triunfo, desta vez esteve por cima do seu oponente, que dos seis, foi o que teve nota mais baixa, mas como já referimos, mesmo assim positiva; Duarte cedo lhe reconheceu os terrenos e sacou investidas suficientes para desenhar uma grande lide recheada de toureio de verdade em sem adornos; terminou com bom sabor de boca e vontade de voltar a ver um cartel de jovens que demonstrou definitivamente que o futuro está assegurado.

As pegas, a cargo do grupo da terra e dos amadores de Évora, nenhuma delas foi á primeira tentativa: Pelos de  Évora Dinis Caeiro tentou por seis vezes pegar o primeiro da corrida, foi depois dobrado pelo cabo João Pedro Oliveira que resolveu de uma vez. Miguel Direito fechou-se á segunda numa grande pega pela qual depois da volta foi novamente chamado aos médios pelo público. João Maria Passanha pegou á segunda tentativa.

Pelos forcados da casa, Académicos de Elvas: António Machado fechou-se á terceira, Marco Raimundo á segunda, e a fechar o cabo Luis Machado ao terceiro intento.

Todas as lides foram abrilhantadas por música e todos os artistas foram premiados com volta, tento na última Duarte Pinto e num bonito gesto e grande detalhe ter chamado os seus companheiros de cartel para o acompanharem.

No inicio, e após as cortesias foi guardado um minuto de silêncio supostamente em memória dos forcados Pedro Primo e Fernando Reynolds Quintella. Quando dizemos supostamente deve.se ao facto de nada ter sido dito ao sistema de som desta renovada praça de touros. Houve brindes ao céu e as gravatas eram pretas; e aos que pisaram a arena neste dia, as jaquetas “pesaram mais”; mas nós, que estávamos na bancada, ainda lhe reconhecemos mais o seu Valor!

Uma corrida, que ficará para a história como a melhor deste ciclo da renovada praça de toiros  Elvense e a que certamente os aficionados vão guardar na memória pelos grandes momentos que teve e onde, nas quase três horas que durou, “nunca se comeram pipas”!

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