Parecia verão. Mas não. Estamos no Outono, dia 5 de Outubro, feriado nacional em que se celebra a implementação da República. Data tradicional de corrida de touros na praça, agora coliseu, do Redondo.

Perante este calor tórrido o público compareceu a esta corrida de touros e preencheu cerca de ¾ de casa, para assistir a uma corrida de touros em que no final podemos dizer que houve divisão de opiniões e todas elas fundamentadas.

Comecemos por falar dos touros da ganadaria alentejana de Dias Coutinho, que tinham idade, alguns já com seis anos, pouco peso e pouco trapio, salvando-se o comportamento dos touros, que no geral deixaram-se tourear e não comprometeram o labor dos cavaleiros.

O diretor de corrida deu volta ao ganadero no terceiro touro, quanto a mim exagerada pois não houve touros por ai além, e a volta deve ser para premiar o touro num todo, ou seja, comportamento e apresentação, no entanto só uma destas características foi razoável a outra [a apresentação] era insuficiente para uma praça de segunda categoria.

No que diz respeito à arte equestre, podemos dizer que foi uma tarde de espetáculo em que o público aplaudiu e até se levantou, mas o nível artístico poderia ter sido superior perante o comportamento dos touros, que como já disse não comprometeram o labor dos ginetes, mas ainda assim houve espetáculo e é isso que o povo gosta.

Filipe Gonçalves esteve em bom plano na primeira lide, a ir de frente para o touro, a pisar-lhe os terrenos e a deixar ferros de boa nota. Mas foi na segunda que mais chegou ao publico. Uma lide vibrante, a deixar ferros em sortes frontais, com ligeiras batidas ao piton contrário e a rematar as sortes com algumas piruetas na cara do touro.

Miguel Moura, também esteve em bom plano em ambas as lides. Foram duas lides muito semelhantes, mas talvez na segunda o nível tenha elevado mais pois também o touro que teve pela frente tinha uma investida mais franca que o primeiro. Mas do cavaleiro de Monforte viram-se bons ferros em sortes frontais e cingidas e que agradaram ao público.

A fechar Luis Rouxinol Jr, que não quis deixar os créditos em mãos alheias. Em ambas as lides aproveitou bem os touros que tinha pela frente e também ele deixou ferros de boa nota. Começa cada vez mais a ser um Rouxinol a abrir a asa, a sair do ninho e a marcar o seu próprio caminho.

No que diz respeito às pegas a tarde também não teve complicações de maior, a não ser umas reuniões mais defeituosas que se viram, mas que na viagem os forcados da cara emendaram.

Pelos Amadores do Ribatejo foram caras João Espinheira, à primeira, Duarte Pinedo, á segunda e João Pedro Oliveira, à primeira. Já pelos Amadores de Redondo, pegaram André Falé, Rui Grilo e Luís Feiteirona, todos à primeira.

O espetáculo foi dirigido por Agostinho Borges assessorada pela médica-veterinária Ana Romão.

De salientar que no inicio foi guardado um minuto de silêncio em memória do ganadero D. Vitorino Martin Andrés.

Nota também para a falta de anúncio dos pesos dos touros, que em praças de segunda é obrigatório e que deve ser utilizada sempre sejam touros com muito peso ou touros que não ultrapassem os 475kg, como foi hoje o caso.

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