É caso para dizer que "a tradição já não é o que era", pois por norma a temporada taurina portuguesa terminava a 1 de Novembro com um festival no Cartaxo, festejo que por vezes não se realizava devido à chuva, coisas da natureza, mas este ano está sol e calor e por atitudes do Homem, o espectáculo não se realiza. Como se costuma dizer são vicissitudes da vida...

Se a temporada não termina no Cartaxo, então decidiu o empresário António Manuel Cardoso realizar um espectáculo na Arena D'Évora de forma a finalizar a temporada, algo que também já se vem verificando nas últimas temporadas.

A favor da Associação de Dadores Benévolos de Sangue do Distrito de Évora, o espectáculo que se realizou este domingo (29 de outubro) na Arena D'Évora registou cerca de ¾ de casa.

Lidaram-se touros de São Torcato, que saíram bem apresentados e que deram bom jogo no geral, a darem a emoção, a empregarem-se tanto nas lides como nas pegas, ou seja, a pedirem contas aos artistas. Um bom curro e que valeu a volta ao Maioral ao quinto touro.

No que diz respeito às lides a cavalo, a tarde foi em crescendo.

Abriu a tarde o cavaleiro Rui Salvador que realizou uma lide com altos e baixos, deixando patente a sua garra e a sua persistência, mas talvez lhe faltem cavalos para outros voos.

Seguiu-se Francisco Cortes, que confirmou aquilo que vínhamos dizendo das suas últimas actuações. Aproveitou da melhor forma este seu regresso à Praça de Évora. Conseguiu dar a volta ao seu oponente e realizar uma boa lide ao seu estilo e a deixar boas indicações já para a próxima temporada.

Gilberto Filipe teve pela frente um touro algo mais complicado, mas ainda assim o toureiro conseguiu superar as dificuldades que lhe foram colocadas realizando assim uma lide correta e a deixar bons ferros.

Manuel Telles Bastos abriu da melhor forma a segunda parte. Realizou uma lide bem na linha do estilo de toureio da escola da Torrinha. Sortes bem preparadas e rematadas, numa lide em que a ferragem foi colocada ao estribo e de alto a baixo, uma lide que pode não chegar tanto ao público como outras, mas é concretizada com toda a classe.

Francisco Palha aproveitou da melhor forma o bom touro que teve pela frente e quando se tem por diante um touro que transmite, então a lide resulta da melhor forma e o toureiro triunfa, assim foi! Palha mexeu com o touro, preparou as sortes, deu primazia ao seu oponente e deixou ferros de grande nota, levantando bem o braço para cravar a ferragem ‘en su sitio’, nem parecia uma lide de final de temporada...

António Prates fechou a tarde e realizou uma lide em crescendo, presenteando os espectadores com bons momentos de toureio, numa lide regular e que deixou também já boas perspectivas para a próxima temporada.

No que diz respeito à rapaziada das jaquetas de ramagens a tarde foi de pegas rijas. Pelos Amadores de Santarém pegaram João Torres (2ª), Manuel Murteira (1ª) e António Taurino (1ª), Já pelos Amadores de Évora foram para a cara João Madeira (1ª), José Passanha (4ª) e Gonçalo Pires (1ª).

De salientar que este espetáculo teve como médico-veterinária Ana Gomes que assessorou Marco Gomes, que como já noticiamos sofreu queimaduras nos balneários da praça, mas ainda assim, apesar de dorido dirigiu esta corrida até ao fim.

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