O antigo cabo dos Amadores de Lisboa, actual empresário tauromáquico e dirigente da Associação Nacional de Grupo de Forcados, José Luís Gomes, proferiu algumas declarações polémicas este fim-de-semana à Agência Lusa, na sequência da morte do forcado Fernando Quintela.

José Luís Gomes defendia melhoria das praças de touros e ainda pediu “respeito” aos promotores que evitam pagar aos forcados. (Uma noticia que pode ver aqui)

Neste sentido o Toureio.pt contactou Paulo Pessoa de Carvalho, Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, afim de esclarecer a questão levantada por José Luís Gomes, bem como saber qual a posição da APET sobre as enfermarias das praças de touros.

Toureio.pt (T) - Enquanto representante dos empresários tauromáquicos, como reage às declarações de José Luis Gomes, que pede “respeito aos promotores que evitam pagar aos forcados”?

Paulo Pessoa de Carvalho (PPC) - Após ler as declarações que refere, tenho que dizer que na verdade interpreto-as como um desabafo a quente, está dito, está escrito e entendo-o. No entanto e aqui quero referir o tema, sabe-se que existem situações que não abonam empresários nem grupos de forcados, sobre algumas contratações feitas. “Não há corrupção se não existirem corruptos”, esta frase serve para perceber, que situações que possam existir mesmo que sejam provocadas ou sugeridas por uma das partes, para se concretizarem terão que ter a anuência da outra, isto é, quem se põe a jeito corre o risco de se embrulhar em situações menos claras. Não considero esta afirmação como genérica nem tão pouco me sinto atingido ou sinto que a APET se possa sentir, pois só “enfia a carapuça” quem quer. Quando acontecem desgraças destas dimensões e gravidade, é normal que sejam de novo tema de reflexão assuntos polémicos  que há muito tempo se falam.

T - Confirma que existem promotores a não querer pagar aos Grupos de Forcados?

PPC - Como deve calcular eu não confirmo isso enquanto formalmente não tiver qualquer queixa nesse sentido e até ao momento nunca o tive. Se já ouvi falar de histórias? Já ouvi falar de algumas e mais do que gostava (1 já é demais!) mas na verdade ou estas situações são assumidas e aclaradas, ou não passa do diz que disse  e nada mais do que suspeitas. Quem se vê envolvido nestas situações, tem que vir a terreiro e assumir e fazer com que seja chamado à atenção o prevaricador, seja ele o empresário por não querer pagar, ou seja ele o grupo de forcados por se oferecer e mais as condições comercias do pacote. Que pode a APET ou a ANGF fazer, quando uma empresa ou um grupo são coniventes numa situação diferente do estipulado? Se o empresário paga metade, ou se o grupo paga para pegar, como se atua se nos mentem e ninguém se queixa?  Vamos fazer de investigadores quando não há queixosos? Mais tarde ou mais cedo a qualidade superará a falta dela, por isso só espero que o bom senso chegue rápido a quem não o tem.

T - Sendo José Luis Gomes também um empresário tauromáquico, como vai a APET reagir perante as declarações de um dos seus associados?

PPC - A APET não tem como reagir a este assunto, o Senhor José Luis Gomes é maior e responsável pelas suas afirmações, não consideramos as mesmas com gravidade ou como fraturantes após as analisarmos, entendemos como já disse, que sem haver queixosos nada mais passa do que boatos e a APET aproveita para informar que se existirem de qualquer dos lados queixas que possam ser consubstanciadas, que nos apresentem para que possamos tentar atuar e corrigir alguma coisa.

T - Qual vai ser a tomada de posição da APET relativamente à ANGF, na sequência destas declarações?

PPC - Não há tomada nenhuma a tomar, como disse estas declarações não mais são, do que a abordagem de assuntos que sem estarem formalizados não passam de boatos.

T - E relativamente às condições das enfermarias das Praças de Touros, concorda com as afirmações de José Luis Gomes?

PPC - As praças de toiros que existem em Portugal salvo raras exceções são equipamentos antigos, como tal as suas condições são relativas. Mas importa referir que houve uma enorme evolução do assunto e aquilo que uma enfermaria de uma praça de toiros pode ter e pode fazer, diria que em quase todas as praças as condições mínimas estão reunidas tendo em conta as considerações anteriores. Por isso e uma vez mais, não sei o que o Senhor José Luis Gomes gostaria exatamente que existisse nas praças, presumo que será o mesmo que eu, qualquer coisa como um hospital, mas isso sabemos que não é nem será possível. 

T - O que pode ser feito para se alterar a situação de falta de condições de algumas enfermarias?

PPC - Mas que falta de condições? Consegue definir com exatidão? As enfermarias nunca terão as condições que se desejariam pelas razões expostas. O que se precisa é de estruturas móveis com condições de estabilização de um acidente grave disponíveis e isso nem mais de metade dos centros de saúde em Portugal o têm! Existem acidentes que infelizmente não há prevenção que lhes valha …

T - Será que a morte em duas semanas de dois forcados, veio alertar para a falta de condições de algumas enfermarias?

PPC - Em duas semanas ter acontecido fatalidades destas alerta para muita coisa, mas não em particular as enfermarias das praças de toiros ou as suas condições, também mas não só.

T - Várias associações do sector participaram na elaboração do novo regulamento que está em vigor, será que se descurou a segurança dos intervenientes num espetáculo tauromáquico?

PPC - Não acho de forma alguma que isso tenha acontecido, posso mesmo dizer que aconteceu o contrário, a segurança cada vez mais está e esteve neste caso, na ordem do dia. Evoluiu-se muito mesmo, mas não podemos esquecer que esta é uma atividade de enorme risco e por mais que a prevenção seja boa, os acidentes graves acontecem infelizmente.

T -Alguma das mortes podia ter sido evitada caso as enfermarias tivessem mais condições?

PPC - Infelizmente os acidentes que aconteceram, não era uma enfermaria por melhor que fosse que iria salvar uma vida. Lamentável estas mortes que a todos nos marcaram, mas quis o destino que as colhidas tivessem tido consequências para as quais a medicina e a capacidade de intervenção humana, não está preparada para uma resposta como gostaríamos.

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