No passado 15 de setembro devido a uma forte colhida de um touro na Praça de Touros da Moita do Ribatejo, faleceu Fernando Quintela, Forcados dos Amadores de Alcochete, Grupo que este fim-de-semana regressa às arenas após este trágico acidente.

Neste sentido o Toureio.pt contactou o atual cabo dos Amadores de Alcochete, Nuno Santana, no sentido de saber qual o estado de espirito do grupo e qual a moral para se apresentarem esta sexta-feira em Évora.

Nuno Santana refere que “neste momento ainda estamos mais unidos do que nunca”, afirmando mesmo que “não nos juntamos apenas para as corridas”. Sobre as condições de segurança nas praças o atual cabo dos Amadores de Alcochete afirma que “o destino é uma obra de Deus, mas preferia que a segurança inerente às corridas de toiros voltasse a ser revisitada”.

Uma entrevista que de seguida lhe disponibilizamos:

Toureio.pt (T) - No próximo fim-de-semana o Grupo de Alcochete terá o seu primeiro compromisso depois da fatalidade ocorrida. Perguntava como têm sido estes dias dos Amadores de Alcochete?

Nuno Santana (NS) - Somos uma família, um grupo de amigos, que estamos muitas vezes juntos, não nos juntamos apenas para as corridas e por isso, neste momento ainda estamos mais unidos do que nunca. Não tenho dúvidas de que iremos ultrapassar esta adversidade que se cruzou na nossa história, bem como iremos ficar mais unidos. Pois infelizmente o passado já nos mostrou como o fazer.

T - Como está a moral do grupo para encarar esta primeira corrida após o que aconteceu?

NS - A mentalidade e a moral do Grupo está forte, tem sido importante todo o apoio que temos recebido dos antigos elementos, dos familiares e amigos, para que todos junto possamos ultrapassar este momento difícil. Desde o momento que ingressamos no grupo somos preparados para as adversidades inerentes à arte de pegar toiros. O pensamento será o de sempre, honrar os pergaminhos do grupo, fazendo o que amamos, honrando assim a jaqueta que vestimos.

T - Qual vai ser a mensagem que o Nuno vai transmitir aos seus forcados há hora do fardamento? 

NS - A mensagem que passarei é que a melhor forma de honrarmos a memória do Fernando um eterno amigo, irmão, bem como a de todos os que já partiram, é continuar a fazer aquilo que eles tanto amavam. Todos os que fazem ou fizeram parte desde Grupo sabem que ao longo dos 46 anos de história estamos sempre a enfrentar muitas vicissitudes, mas só há um caminho a seguir. Continuaremos com a força que nos caracteriza, a mística e o carisma muito próprio dos Amadores de Alcochete.

T - Certamente este fim-de-semana em Évora o Grupo vai precisar também muito do apoio do publico nas bancadas... - Em que medida a fatalidade ocorrida pode afetar as proximas atuações do Grupo?

NS - Esta temporada iremos encerra-la em Santarém, mas eu acredito e agradeço desde já o apoio que nos têm dado. Certamente em Évora iremos ter muito público que ali estará propositadamente para nos acarinhar, neste momento muito dificil. Dando-nos assim força para continuarmos esta nossa caminhada.

T - Comenta-se que o trabalho dos forcados nos próximos anos pode complicar-se mais porque os touros estão com mais poder, considera isso?

NS - Penso que as lesões mais graves ultimamente ocorrem com toiros que tem menos força até porque vão muitas vezes abaixo e torna-se mais difícil tanto para o forcado da cara como para as ajudas. No entanto, poder não é sinónimo de bravura ou nobreza, que são as melhores características que um toiro pode ter, e espero que nos próximos anos venham muitos toiros bravos e nobres e não apenas com poder.

T - Comenta-se que as bandarilhas de segurança podem prevenir alguns acidentes mas deixam os touros com mais poder para as pegas, considera que esse tipo de bandarilhas possa vir a prejudicar nesse sentido?

NS - O que posso dizer é que também nesse sentido o azar nos bateu à porta, e se na altura tivessem sido usadas bandarilhas de segurança ter se iam evitado os acidentes. Por isso, tenho a certeza que previnem acidentes e sem serem causados pelo toiro. Como tal, prefiro o toiro com mais poder a um acidente.

T - Na sua opinião o que terá de mudar na festa para se evitar este tipo de acidentes? Ou é da opinião do que tem de acontecer acontece e é tudo obra do destino?

NS - Sou da opinião que o destino é uma obra de Deus, mas preferia que a segurança inerente às corridas de toiros voltasse a ser revisitada, na legislação vigente, por especialistas das várias áreas envolventes, dando especial foco à assistência medica na praça, de forma a dar apoio necessário em caso de acidentes.

T - Para terminar que mensagem deixa aos aficionados, nomeadamente àqueles que vão a Évora dia 30?

NS - Quero dizer-vos que para nós será bastante importante a presença de todos na Arena de Évora, honrando assim o nosso irmão Fernando. Vamos mostrar a força da tauromaquia e toda a união que só os aficionados sabem demonstrar nos momentos menos bons. Quero deixar também uma mensagem de agradecimento a todos os que já asseguraram a sua presença para nos apoiar, porque existimos também por eles.

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