“Há organizações que vão acontecendo que são muito negativas, muito nefastas para o futuro da festa”, diz Rui Bento Vasques ao Toureio.pt

Na passada semana em pleno átrio principal do Campo Pequeno foi apresentada mais uma edição do Ciclo de Novilhadas das Escolas de Toureio - uma promoção da Academia de Toureio do C. Pequeno, do Clube Taurino da Chamusca e das Escolas de Toureio da Moita, do Montijo e de Vila Franca -, que se desenrolará por várias praças e terá o seu primeiro espectáculo já no próximo dia 28 (sábado), a partir das 21:45, em Lisboa.

O Toureio.pt falou com Rui Bento Vasques, Diretor Tauromáquico do Campo Pequeno, praça que recebe a primeira novilhada, tendo este referido que “o Campo Pequeno por circunstâncias esteve ligeiramente mais afastado e neste ano com toda a intenção de que possamos chegar ao final da temporada com dez ou doze novilhadas e que dessas saiam 4 ou 5 valores em que as pessoas tenha expetativa de virem a ser, se não grandes toureiros ou grandes figuras, mas pelo menos que tenhamos construído alguma coisa para o futuro da festa estar vivo”.

Questionado se este ano há condições para deste ciclo sair uma figura do toureio, o antigo matador afirma que “uma figura do toureio não sairá de certeza, um, dois ou três artistas que apontem ter condições, que apontem ter a possibilidade de vir a sonhar…”, acrescentando que “há vários miúdos com apetência” nas escolas que participam neste ciclo.

No decorrer da apresentação deste ciclo, o representante da Escola de Toureio da Moita, Pedro Marinho, deixou o repto aos aficionados para darem mais importância a estes espetáculos, o Toureio.pt questionou Rui Bento Vasques se os agentes da festa não deveriam também dar mais a importância a este tipo de espetáculo, tendo Rui Bento afirmado que “poucos dão, mas é importante que comecem a ponderar”, acrescentando que “os agentes taurinos devem fazer uma reflexão profunda, têm que interiorizar o tipo de espetáculo que montam em alguns casos, a forma como o montam e o que pretendem no futuro deles próprios como agentes taurinos, mas sobretudo do futuro da festa”, afirmando mesmo que “há muitos agentes taurinos que estão a fazer as coisas completamente ao contrário daquilo que deve ser feito, pois penso que há organizações que vão acontecendo que são muito negativas, muito nefastas para o futuro da festa e há muitas pessoas que devem fazer uma reflexão muito profunda”.

Também no decorrer da apresentação Rui Bento Vasques deixou um “puyazo” aos professores das Escola de Toureio para darem mais dos seus conhecimentos aos alunos, confrontado pelo Toureio.pt sobre estas palavras o Diretor das Atividades Tauromáquicas do Campo Pequeno afirmou que os professores “têm de se esforçar mais, por pedirem mais novilhos eles próprios, por fazerem mais tentaderos, serem mais rigorosos, serem mais referência, têm que transmitir aquilo que é importante para ser toureiro, e crer, é acreditar e não de uma forma bruta, tem de ser com sensibilidade”, acrescentando que “tem que se ter exigência, quando se deve ter exigência,  tem que se saber gerir as sensibilidades de cada miúdo e saber estimula-los e motiva-los no momento que se deve fazer e que eles necessitam e efetivamente dar broncas ou exigir-lhes que dê um passo em frente quando é necessário e quando tem de acontecer, não pode ser continuamente, não pode ser num discurso sempre atropelador”.

Recordamos que a primeira novilhada do referido ciclo será no Campo Pequeno a 28 de abril, em que se lidarão novilhos-toiros de distintas ganadarias (de António Silva, Passanha e Romão Tenório para as lides a cavalo e de Ribeiro Telles, Murteira Grave, São Torcato e Manuel Coimbra para as lides a pé), actuando os jovens cavaleiros António Prates, Ricardo Cravidão e Soraia Costa e os novilheiros Sérgio Nunes, João D'Alva, Luis Silva e Rui Jardim e os grupos de forcados Amadores da Moita, da Tertúlia Tauromáquica do Montijo e da Arruda dos Vinhos.

 

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