Reações à corrida de Salvaterra: “Os touros têm que apertar com os artistas e não há nada pior para um grupo de forcados que uma pega insonsa”(c/som)

A Praça de Touros de Salvaterra de Magos recebeu este domingo, 13 de Maio, uma corrida de touros à portuguesa que contou com casa cheia numa tarde de emoções.

No final o Toureio.pt falou com a quase totalidade dos intervenientes neste espectáculo para fazer um balanço desta corrida de touros.

Depois de Vila Franca de Xira, António Ribeiro Telles voltou a destacar-se em Salvaterra de Magos e em declarações ao Toureio.pt disse “cada praça tem o seu tipo de touro. E Salvaterra gosta que um touro seja alegre, que as suas investidas sejam longas, gostam de ver um touro a correr atrás de um cavalo, a investir no cavalo, é mesmo um touro de Salvaterra e as pessoas gostam de me ver aqui também. Viram-me crescer aqui, de puto, é uma das terras do meu coração, gosto muito daqui tourear”, começando assim por abordar os touros do seu lote. “Temos doze minutos para resolver a lide e adaptar o cavalo ao touro certo. E não é fácil, mas a minha tentativa é sempre essa. Acho que consegui outra vez. Vamos ver se consigo mais vezes”, acrescentou.

No seguimento do que já nos tinha dito na semana anterior, António Ribeiro Telles voltou a frisar que “tourear não é só cravar ferros, o touro tem que ser lidado, as suas investidas têm que ser equilibradas, para depois se fazer a sorte com brilhantismo e acho que voltei a conseguir fazer a lide certa aos touros”.

Agora segue-se a corrida no Campo Pequeno, esta quinta-feira, em que reparte cartel com Pablo Hermoso de Mendoza e João Moura Caetano. “A expectativa é alta. É uma corrida muito importante, acho que vai ter muita gente, o cartel acho um cartel bom, os touros são cá da casa. Estão reunidos os ingredientes para acontecer uma boa noite de touros. Estou cheio de esperança, cheio de ambição, vou trabalhar os cavalos bem, durante estes quatro dias, alguns vão ter até um ou dois dias de descanso para recuperarem bem, como é o caso do Alcochete. Vou tentar manter o ritmo, que é o que eu mais gostava” antes de acrescentar que “nunca saí pela porta grande do Campo Pequeno e não tenho essa obsessão mas realmente se conseguisse, ficava contente também”, quando questionado se poderíamos ver, a manter este ritmo, uma saída pela porta grande da praça lisboeta na próxima quinta-feira.

Já Francisco Palha teve duas boas lides e em declarações ao Toureio.pt, começou por concordar, “eu penso que sim. Nossa Senhora esteve connosco, hoje é o dia de Nossa Senhora, e olhe penso que foi uma corrida muito agradável e a resposta a isso é que o público está contente. E é importante para a festa. Nós muitas vezes não nos apetece muito lidar estas corridas porque são duras, os touros não nos facilitam, mas é isto que cria aficionados. Isto é que enche as medidas a quem é aficionado e penso que pouco a pouco, cada um à sua maneira, cada um com o seu estilo… Eu vou contente com as minhas prestações, não sou eu que as tenho que analisar, são vocês, que são críticos taurinos. Gostei de ver o António, o Andrés não teve a tarde dele mas isto é como tudo, mas penso que foi uma tarde agradável para todos”.

Quanto a lidar touros mais duros, disse que “não gosto nem desgosto. Eu gosto de um touro que venha pelo caminho dele. Para mim não há ganadarias duras. Obviamente que quando se deixa anunciar perante ganadarias terroríficas ou duras, passa um bocadinho pior do que com outro tipo de ganadarias mas…”, rematando com uma certeza, “tem um triunfo como foi hoje aqui e tem outro sabor, o público agrade-lhe de outra maneira e acarinha-o de outra maneira e penso que isso é que é o essencial para a festa”.

Por sua vez, o cabo dos Amadores de Santarém, João Grave, falou sobre a actuação do grupo dizendo que “correu bem a actuação, estamos contentes, os touros também não complicaram e pronto, estamos contentes”, recordando quem pegou pelo grupo Escalabitano que ”foi o António Gois no primeiro touro, depois pegou o Fernando Montoya e fechou actuação o Rúben Giovetti”.

Por fim, o cabo dos Amadores de Coruche, José Tomás, afirmou que “estamos muito no inicio da temporada, a verdade é que as coisas nos saíram bem, treinámos muito no defeso e as coisas saíram muito bem em Vila Franca, hoje voltaram a correr muito bem, mas eu tenho que confessar que o grupo está relativamente curto quer em forcados de cara tanto como nos ajudas, e ainda não sei a situação do José João Cavaco, o nosso segundo ajuda, que é uma peça fundamental, acabou de sair agora lesionado na última pega. Imagino que ele fica impossibilitado para as próximas corridas e isso pode ser o suficiente para abalar o grupo, mas vamos ver. Mas é melhor do que corra bem do que corra mal e em Vila Franca e hoje aqui em Salvaterra correu bem.”. Questionado sobre os touros José Tomás afirma que “os touros têm que apertar com os artistas e não há nada pior para um grupo de forcados que uma pega insonsa. Se a lide tem muito de arte, a pega também o tem. Mas a pega vive muito à base da emoção, e se o touro não transmite essa emoção, nós temos o nosso trabalho muito condicionado. E tanto em Vila Franca como aqui, os touros traziam disso em boa dose e trouxe sucesso para os cavaleiros, para os forcados e também para os espectadores que ficam com vontade de ver mais.”

De salientar que no final do espectáculo tentámos obter declarações do rejoneador Andrés Romero, mas este á não se encontrava na praça de touros.

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