Pois bem apesar das tentativas de uns me calarem por dizer a realidade, cá estou eu com mais um artigo, o que seria dos meus “amigos anti-taurinos” que gostam de usar o que escrevo para distorcer e usarem para defender a sua tão nobre causa? Não é verdade? Causa essa que ao contrário deles respeito. Sem estes artigos faltariam frases, por isso, e a pedido de Hugo Calado continuarei a escrever, ou até que me deixem ler ou ouvir os pasodobles, até lá todas as segundas mais um artigo.

Volto a frisar não estou aqui a fazer fretes a ninguém, sou aficionado pagante, nunca na vida aceitei um convite de quem quer que seja para assistir a uma corrida de toiros, depois destes artigos ainda menos me irão oferecer algum; por isso não tenho problemas ou estou condicionado por alguém algo para não dizer o que vejo dentro das praças lusas, porque os euros estão escassos, e quando se paga é para se ver um bom espetáculo, quando não o é quem paga, tem o direito de reclamar ou dizer o que correu menos bem.

Passados os “elogios”, seguimos então para o assunto desta semana.

Por motivos de saúde tive alguns problemas em conseguir arranjar um tema para o artigo desta semana, visto só ter recuperado na quinta-feira, mas lá se conseguiu mais um tema.

Ora vamos lá então ao tema desta semana, e para esta semana venho falar do “rejoneo” nas praças lusitanas.

É um estilo de toureio a cavalo que em Portugal há quem goste, apesar de não haver “rojão” visto que em Portugal não há touros de morte. Há quem faça muitos quilómetros para ir ver as principais figuras de “rejoneo” quando vem a Portugal e mesmo até á vizinha Espanha. Mas também há quem não goste, que ache um estilo de toureio curtinho, que “parte” muito o touro logo nas primeiras investidas; há quem até diga que é um pouco circo. Como em tudo há que respeitar os gostos de cada um (apesar de haver quem ache que quando “nós” não gostamos tem que se acabar algo e pronto), quem gosta paga e vai, quem não gosta não vai. Deixando a minha opinião gosto e muito, e pago para ver “craques”, tanto espanhóis mas também os portugueses.

É toureio a cavalo sim, mas é muito diferente do estilo clássico português. O nosso estilo é único, a lide é única e a nossa lide culmina com o acto de valentia que é a pega, tanto que corre várias praças no mundo e há cada vez mais forcados também a irem ao estrangeiro.

O Rejoneo tem várias etapas, terminando com o “Rojão” ou “ Rojões” depende da pontaria. E No fim da lide haverá orelha(s), rabo; como prémio da lide, decidida pelo público, é uma lide que não termina com a pega, isto claro em Espanha. E se calhar por não terem pegas e saberem o que é tourear touros a sério, o rejonadores dão um grande abraço ao forcado, e demonstram grande carinho e respeito quando vão juntos dar a volta, reparem nisso.

Não se pode comparar, ambos são a cavalo sim, mas de resto são divergentes em muita coisa, daí eu dizer que há quem goste do estilo luso, e não do “rejoneo”, e não é por ser espanhol. Um pouco á parte da tauromaquia para comparar, é como Messi e Ronaldo, estilos diferentes, uns gostam de um e outros de outro, se desse para juntar os dois num eram um jogador perfeito, tal e qual os dois estilos que falo.

Mas porquê o rejoneo ser o tema desta semana?

Porque cada vez mais se vai vendo nos cartéis em Portugal. Há uns anos atrás, não é preciso recuar muito, as principais figuras do rejoneo, só as víamos no Campo Pequeno, e numa outra praça Ribatejana e uma vez por temporada. Nos últimos 4/5 anos para cá temos visto cada vez mais rejonadores em praças onde nunca tinha havido ou onde há muitos anos não havia tal executante.

Tem vindo a crescer o surgimento do rejoneo nos cartéis das praças portuguesas.

Vamos lá então a uma visita pelas nossas praças, e dar provas aos factos que apresento, do porquê vir em crescendo.

Começamos por os Festivais, o já importante no panorama da tauromaquia, o da Rádio Campanário em Vila Viçosa que há 4 anos seguidos apresenta um rejonador no seu cartel, Manzanares e Leonardo Hernandez tem alternado entre si nas presenças na centenária Calipolense no festival.

Ainda dentro do Alentejo, passamos para o coração do Alentejo, em 2017 Estremoz também irá ter um rejonador, actualmente o número um, Diego Ventura, na já tradicional e tão falada corrida da FIAPE dia 29 de Abril. Na corrida das festas da cidade, uma “fada” disse-me que viria outro rejonador, cá estaremos para ver se tenho razão ou não.

Évora a época passada, na corrida do São Pedro dia 29 de Junho, esgotou a sua lotação com a presença de Pablo Hermoso de Mendoza, e tenho um dedo que me diz que este ano Pablo estará na capital do Alentejo.

Beja, azarada, já á 3 anos que apresenta um rejonador na corrida da Ovibeja, mas a chuva nem sempre tem deixado a sua realização, como aconteceu o ano passado onde estava Andy Cartagena, tal como está este ano, e palpita-me que o Sr. Vilhais, depois do corridão em Agosto vá apresentar outro na mesma altura.

Como se pode ser no Alentejo o Rejoneo tem vindo a crescer, não, não me esqueço de Montemor que tem lá levado rejonadores, não nestas últimas duas épocas, mas em anteriores.

Alcochete a época transata teve dois rejonadores, na outra anterior já teria levado mais dois, o que revela uma grande aposta e o seu crescendo também.

Na Catedral do Toureio nos últimos quatro anos tem vindo a aumentar a presença das principais figuras do rejoneo, antes vinham só 1 vez por ano ao Campo Pequeno, de há quatro anos para cá temos 2 e 3 vezes as principais figuras, mais uma prova que está em crescendo.

Podia ir falar por ai fora, Santarém, Montijo, Coruche (algo me diz que este terá também), Vila Franca… Mas estas praças terão muito que falar ao longo da temporada.

Tem havido uma grande aposta dos empresários em trazer rejonadores, as principais figuras (Diego, Pablo, Andy, Leonardo), e o público tem aderido, e praticamente as praças esgotam, e o porquê de só acontecer com a vinda rejonadores? Será que os aficionados estão um pouco cansados de alguns dos nossos toureiros? Ou estão cada vez mais rendidos ao Rejoneo? Se respostas que sinceramente ainda não consegui encontrar.

Mas a vinda das principais figuras de rejoneo tem um custo, e tem se notado bastante, sim refiro-me ao preço dos bilhetes, normalmente as praças onde há uma destas figuras no cartel, o preço por fila sobe em média 5€, ou então faz-se uma fila de 20 € a última lá mesmo em cima, e depois é daí para cima os preços chegando a 50€ e mais. Devido ao facto de se saber que o público irá.

Para mim esta é a parte negativa, já ouvi alguns amigos dizerem: “adorava ir e levar o meu filho a ver o Diego, só que no mínimo são logo 50€, mais combustível, etc.., não dá”. E como ele há várias pessoas assim. Eu sei que trazer estas figuras tem um custo elevadíssimo, e o cashe também não deve ser baixo, e quem organiza qualquer evento a primeira intenção é não ter prejuízo. Claro que nem todas as praças têm a mesma lotação, praças com 2.000 lugares não é o mesmo que ter 4.500. Mas também não se pode carregar tanto nos preços (em algumas praças) como se tem visto, e brevemente se irá verificar em algumas localidades onde havia preços minimamente convidativos, e entrou um rejonador para o cartel subiram a pique, e para o Sol já são caríssimos, imagem para a Sombra. Também sei que irão dizer á querem grandes cartéis e caros e depois a preços baixinhos, não é nada disso que estou a dizer, apenas estou a tentar dizer que tem que se pensar em todas as “carteiras” quando se montam cartéis caros.

O Rejoneo é muito bom, vem trazer outra emoção ás nossas praças, chega muito ás bancadas, vê-se coisas que mais ninguém faz; mas…. teremos que dar o passo de conseguir também arranjar preços convidativos a grandes aficionados, que não andam de Mercedes, BMW, ou fumam charutos, e conseguir-se que exemplos que eu dei em cima possam ir ver os rejonadores também, porque esses também fazem falta nas praças e gostam tanto ou mais de touradas.

Para terminar, vamos ao nosso momento, e a Faena Musical desta semana é:

Marcial, eres el más Grande - José María Martín Domingo

Este pasodoble é como a maior parte dos pasodobles espanhóis, adaptações de canções espanholas taurinas populares. É um pasodoble em que há pouco a dizer como já disse foi uma adaptação da canção “Marcial, eres el más grande”, convido-vos a lerem e ouvirem com letra o pasodoble é bastante engraçada. É um pasodoble que se ouve e toca pouco, (como os outros que tenho apresentado dai os apresentar aqui), nas nossas praças lusitanas, não sei porquê porque é bastante agradável; é pequeno e tem um estilo popular (derivado á canção popular), e é relacionado com um toureiro (Marcial). Espero que vão ouvir e vejam a letra. Já agora como é óbvio é espanhol e o seu compositor também. Optei esta semana por um pasodoble espanhol, devido ao tema abordado.

Despeço-me deixando sugestões aos aficionados que leem os artigos:
Dia 6 de Abril (A abertura da temporada na Catedral do Toureio com 3 figurões)

Dia 8 de Abril (Festival em Arronches para o grupo de Forcados locais)

Dia 9 de Abril (Festival interessante e de bom cartel em Vila Franca de Xira)

Uma grande Beijo para as aficionadas, e um grande abraço aficionado para eles.

Até á próxima segunda-feira e boas corridas!!!

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