Cá estou eu mais uma semana para mais um artigo da minha sincera, isenta e sem fazer favores a ninguém, sobre a festa Brava em Portugal. Eu sou aficionado pagante, para voltar a deixar novamente claro.

Esta semana venho abordar a abertura oficial da temporada 2017. “Rezam os livros” que a temporada abre quando a principal praça do país abre a temporada com a primeira corrida de toiros.

Mas vamos lá então, no passado dia 6 de Abril (5ªf como é desde a sua fundação tradição) o Campo Pequeno abriu portas á nova temporada, a da comemoração dos 125 anos, e que para muitos apelidam de temporada memorável na catedral do toureio, para mim é esperar para ver. Infelizmente por motivos profissionais não pude ir á corrida, por isso não posso abordar pormenores da corrida, ou dar a minha opinião das lides porque não tive presente, apenas vou falar no que vi do “exterior” do antes e a informação que tive de quem presenciou ao vivo.

Quem esteve presente, e quem pagou que mais podia querer? Teve tudo o que faz parte de uma corrida de touros. Da emoção do toureio de Padilla á colhida do maestro João Moura. Teve a palavra “Esgotado” por cima da Porta Grande que se abriu. Houve até uma estreia, a banda do Samouco a executou um pasodoble novo com o nome de “Padilla”. Pode-se então dizer que quem é de supestições, e essas coisas, perante isto tudo conjugado na abertura, só se pode esperar que irá ser uma época memorável na Catedral, na comemoração do 125º aniversário.

Passando ao cartel, esse que já tinha anunciado á bastante tempo e já era sabido que teríamos 3 figuras do toureio Mundial: João Moura (a cavalo, dispensa apresentações, o maestro); Padilla (que foi anunciado em Dezembro/Janeiro, e que tem cada vez mais fãs em Portugal, e claro quem levou a maior parte da multidão); e Roca Rey (uma grande figura que me encanta que ainda é “príncipe”, e que brevemente chegará a Rei). Com um grupo de forcados consagrado (Vila Franca de Xira) e de primeiríssima categoria, e ganadarias de renome nacional.

Tivemos “La Puerta Grande”, e logo na primeira do Ano para a saída de quem? De Padilla, como é óbvio e talvez já se tivesse á espera, visto todo o envolvimento com a vinda dele á abertura da temporada e principalmente Às “maluqueiras” no seu toureio que chega Às bancadas rapidamente.

Eu não tenho nada contra Padilla, pelo contrário acho-o “enorme”, é Top mesmo, e não estou a duvidar que tenha tido momentos para a “Porta se abrir”. Aliás esta temporada conto ir vê-lo (a pagar) se nada de mal me acontecer pelo menos duas vezes (uma delas no colete encarnado já em Julho). Mas apenas tenho estas “coisinhas” ou pequenas coincidências em que associei e não estando presente fico com elas na cabeça, apenas isso e nada mais. Espero que ele nestas duas vezes em que irei vê-lo me faça vibrar também como fez aos sete mil na passada quinta-feira.

Um pouco á parte do tema central, quem leu o meu primeiro artigo (“Desaparecimento que vira moda”), já lá abordava que o toureio a pé em Portugal está cada vez a ganhar mais amantes, e que esta temporada seria a afirmação do mesmo nas praças lusas. Pois não é adivinhar mas sim estar atento aos bastidores, e á tauromaquia e na 5ªf ficou provado que não estou assim tão errado como outros acham.

E agora deixo mais uma pergunta, é possível ou não encher praças lusitanas com toureio a pé? A lotação esgotada na 5ªf indica que sim, tivemos dois matadores de touros em praça, um saiu pela porta grande e levou a praça ao rubro. Mas pergunto-me eu, encheu porque é “fashion” ir ao campo pequeno, e á sua abertura? Ou encheu porque houve um grande marketing (e bem devia ser assim em todas), e o público está cada vez mais rendido ao toureio a pé?

Pois para mim em Portugal não é possível encher (esgotar) praças com 2 toureiros a pé em praça, sem ser no Campo Pequeno e com toureiros estrangeiros. Digo isto pelo simples facto que ir á Catedral começou a tornar-se “chique” e muita gente vai mesmo sem gostar de toureio a pé, só porque é “chique”, aparecer na televisão ou nas fotos; ou só porque é no Campo Pequeno, coisa que não fazem em outras praças do país. Por isso a lotação esgotada com o toureio a pé, na passada quinta-feira, o que a mim me deixa contente; foi apenas uma espécie de “ilusão” de ter enchentes nas outras praças do país tirando o que se está a preparar para o Ribatejo em Junho e Julho, mas aí é um caso á parte no que toca á tauromaquia a sério.

Também porque ao ser um toureio que no seu estilo não inclui as pegas, e sendo elas as que continuam a ser a grande atração de miúdos e graúdos e o que mais fascina nas nossas praças, leva também ao afastamento de muitas pessoas. Mas esta temporada espero muito estar enganado, e que finalmente com este sucesso de Padilla e Roca Rey “seduza” muitos mais portugueses aficionados e que leve a esgotar muitas praças por este Portugal fora com e sem toureio a pé.

Com Porta Grande do Campo Pequeno “aberta”, espero e desejo para que seja um bom apanágio para temporada 2017 que decididamente tem de ser uma grande temporada e melhor que a anterior não só na catedral do toureio mas em muitas outras praças importantes. Visto que na época passada tiveram assistências muito a aquém das expectativas e não foi pela vontade do público mas sim por “birras” de empresários a vetarem montagem de cartéis e as ofertas não cativarem a gastar euros no bilhete, preferiu-se não ir.

Se continuarmos com a qualidade em algumas praças que tivemos a época passa, é ai sim “um tiro no pé”, e não os meus comentários. Esta semana é um artigo mais curto, sem muita opinião presenciada, Mas +e para ir variando um pouco, até porque não tive assim muito inspirado.

Para terminar vamos então á Faena Musical desta semana, que tem tudo a ver com o que falei durante o artigo e que dá pelo nome de:

LA PUERTA GRANDE – Elvira Checa

Este é um pasodoble muito popular espanhol, bastante tocado e ouvido nas nossas praças lusitanas. É muito pomposo, emblemático, a fazer mesmo imaginar a emoção toda de uma saída pela porta grande.

Tem a particularidade de ter sido escrito por uma mulher, jovem compositora, cantora e poetisa (Elvira Checa). E segundo a autora dedicou a todos nós (lutadores na vida) este pasodoble, onde proferiu a seguinte afirmação. “«Esta dedicado a todos y cada uno de nosotros, pues todo el mundo en su trabajo quiere salir por la puerta grande». Claro que em Espanha sair pela Porta Grande é o TOP de qualquer exibição dos toureiros.

Despeço-me deixando sugestões aos aficionados que leem os artigos de corridas que agora vão começar a intensificar-se:

Dia 15 de Abril Serpa sábado de Páscoa (um excelente cartel, como já vai sendo hábito, em mais um tradicional Festival de Páscoa no baixo Alentejo).

Dia 16 de Abril Domingo de Páscoa em S.Manços, (o regresso dos touros a S. Manços na Páscoa, o cartel da Juventude com dois curros de touros de Verdade, espera-se grande afluência e grande corrida).

Dia 17 de Abril em Sousel, segunda-feira de Páscoa (A tradição mantém-se mais um ano, e depois do borrego no campo como é apanágio no Alentejo e em especial na Serra de S. Miguel; depois do convívio, da alegria, dos “copos”; assiste-se a uma corrida de toiros, com um espirito diferente das outras; numa praça diferente das outras, na antiguíssima praça Pedro Louceiro de Sousel no alto da Serra de S.Miguel).

Uma grande Beijo para as aficionadas, e um grande abraço aficionado para eles.

Até á próxima segunda-feira, uma santa e Feliz Páscoa e boas corridas!!!

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