Cá estou de regresso para mais um artigo de opinião, após uma semana de ausência, antes de começar deixar o voto de pesar, por mais uma figura do toureio que infelizmente não sobreviveu a uma colhida gravíssima, Fandiño estará lá em cima a ajudar a festa brava que bem precisa.

Indo ao essencial, esta semana será um artigo duro e mais extenso que o habitual, mas será para que as pessoas que o lerem, refletirem e pensarem realmente o que se quer das corridas de toiros em Portugal, ou se daqui a 3 anos apenas iremos ver corridas de toiros ao vivo, no outro lado da fronteira.

Ora pois bem a temporada oficialmente começou á sensivelmente 3 meses (excluindo aqui os festivais), e os principais empresários tem apostado fortíssimo na montagem dos cartéis, e continuarão até Novembro pelo que se consta nos bastidores.

Até aqui tudo muito bem, e há que “ tirar o chapéu” porque tem havido “rivalidade” de cartéis estrondosos como á muito não se via por cá, e a coragem para os montar, mas porquê que tem sido três meses de desilusão e de pouca afluência, repito Desilusão e pouca afluência?

Vamos fazer uma breve viagem pelos “estrondosos” cartéis já realizados.

Campo Pequeno abertura da Temporada (a única de lotação esgotada, também com o marketing que houve), Padilla, e não deu mais nada, no entanto já voltou a atuar em Portugal e…

Estremoz final do mês de Abril, (Ventura Vs Moura Jr.), nunca uma corrida em Estremoz teve uma aposta tão forte de Marketing e publicidade, nem mais nenhuma gerou tanta afluência a bilheteiras nem tanta expectativa e no entanto viu-se ¾ de casa e muito desagrado no fim.

Moita no passado mês de Maio, um mano a mano (ventura vs Roca Rey) anunciado desde Janeiro, a mais falada nas redes sociais e meio taurino;  grande expectativa criada, e no entanto com muito boa vontade na contagem, ¾ de casa.

A feira de Santarém, dizia-se que o Sr. Bolota estava acabado depois de perder Estremoz e principalmente Moita, eis que responde e apresenta 2 megas cartéis (com presenças de Morante de la Puebla, El juli, Padilla e Ventura, entre outros) para a Maior praça do país, e eis que numa tem meia casa e noutra pouca afluência, total fracasso a nível de público e do resto.

Então se tivemos estrondosos cartéis por parte dos empresários, grande aposta de marketing, porquê que as praças não encheram até agora?

Eu ao mesmo tempo sei a resposta e não sei. Mas perguntam vocês porquê que ele se está a contradizer?

Passo a explicar, esta temporada apesar das que enunciei em cima, todas as outras que se fizeram quantas foram aquelas que se possam dizer “houve um grande curro de toiros”; “Era de uma corrida destas que há muito procurava”; “Venham mais como esta”; etc..? Eu esta temporada até ao momento já fui a cinco corridas, e em nenhuma vim de lá com aquela sensação de “grande corrida, valeu a pena a viagem e o bilhete”, não está a acontecer isso e está-me a deixar preocupado e desanimado. E nos cartéis estrondosos que enumerei em cima só não estive em Santarém, nos outros estive, e onde posso dizer que vi touros a sério, foi em Montemor (Fernandes Castro) e mais recentemente em Reguengos (Murteira Grave e Passanha), de resto foi um desastre total. E respondendo á parte do “sei a resposta”, 80% do problema está aqui, na má qualidade e prestação das ganadarias escolhidas, principalmente para aqueles cartéis que se anunciam como únicos. Aficionado que é aficionado não vai só por ir, vai após avaliar um cartel, e onde há a conjugação de fatores para ser uma “corrida que valha a pena”, e é exatamente isso que está a acontecer, falta um dos fatores muito importantes nessa conjugação e que está a afastar os aficionados das praças, e principalmente naqueles cartéis que tudo o que se espera no “mínimo” é casa cheia. E meus caros quer queiramos quer não sem touros a sério os aficionados não vão. Quer queiramos ou não, o futuro das corridas passa por haver touros a sério.

Mas agora dizem vocês os “aficionados” ainda são os culpados por cada vez haver menos gente e as corridas em Portugal estarem a perder força? Eu Respondo, TODOS são culpados desde o aficionado ao jornalista, passando pelos toureiros (alguns).

O Aficionado tem que se fazer ouvir, e explicar o porquê de não ir a corridas de toiros, do ano passado para este. Não se pode só fazer ouvir quando se assobia o “capinha” por achar que está a dar “capotazios a mais”, mesmo tendo autorização do seu “líder”; ou não se pode só fazer ouvir gritando “toca a banda” quando ainda se está no segundo comprido. O aficionado deve fazer-se ouvir, e assobiar sim quando saem á praça touros como os que tem saído (Salvo raras exceções). Assobiar quando se vê nas arenas toiros que mal correm, assobiar até serem recolhidos e fazer ver a “outros” que realmente algo está mal, e não é aquilo que se quer. Fazer-se ouvir nas redes sociais, criticando sem medo, escrevendo a verdade, para que “todos” saibam realmente o que se pretende. Por isso meus caros, a culpa também é nossa.

Pois é, quando eu no meu segundo artigo (á 3 meses atrás) escrevi que o essencial tem faltado, houve muita gente que não gostou (as verdades custam), e se o publicasse agora estaria atual na mesma e isso revela alguma coisa, que continua tudo na mesma ou pior.

Passando agora á parte do não sei a resposta, para isso teremos que recuar um pouco nas criticas feitas nos últimos 4 anos, no que toca á montagem de cartéis. Lembram-se o que se escrevia e dizia na altura? Pois bem, frases como: “ Mais uma de seis cavaleiros para cumprir”; “ O mesmo cartel em poucas semanas, em praças separadas no máximo por 70/80 Km”; “Pouca atração”, “Nenhumas novidades no cartel, o mesmo do ano passado”, “Onde anda o toureio a pé em Portugal?” etc… Ora cá está o eu não ter a resposta também para este problema, porque este ano estamos a ter tudo o que foi pedido nas críticas que enumerei em cima. Grande aposta em toureio a pé, com as principais figuras mundiais a virem a Portugal (Santarém como exemplo); Mano-a-Mano únicos com figuras internacionais e portuguesas, cartéis completamente diferentes em praças perto uma das outras, e grande atração nos cartéis, e eis que no fim aquelas criticas deixarem de fazer sentido, continuam a não levar pessoas ás praças á mesma? Pois, meus caros aficionados, e restantes intervenientes e responsáveis taurinos, temos mesmo que pensar seriamente se queremos continuar a ter corridas de Toiros ao vivo em Portugal, ou se daqui a meia dúzia de anos vai passar a ser apenas coisa do passado. Porque uma coisa é certa a Tauromaquia Portuguesa não está nada bem, e não se vê melhoras, se queremos continuar a tê-la por cá, há machados que têm de ser enterrados, á passos que tem que ser dados, mas principalmente assumir-se que a tauromaquia Portuguesa está gravemente doente, quando se chega ao ponto de em 5 corridas (3 com cartéis estrondosos), ter apenas meia dúzia de touros para dizer “excelentes touros”; ou ouvir pessoas que foram a uma corrida recentemente ao Campo Pequeno (a catedral do toureio) e dizerem que foi das piores que viram na vida, isto não são sinais de lá muito boa saúde não, no meu ponto de vista. Querer-se assobiar para o lado e pensar primeiro em dinheiro que na Tauromaquia, só se caminha rumo ao abismo.

Neste momento não se precisa dos Anti-taurinos, ou do PAN para nada para cabar com a Tauromaquia caminha rumo a isso, agora cabe a todos os taurinos querer mudar as coisas e pensarem realmente se querem “touradas” em Portugal ou não. Após lerem isto tudo reflitam e pensem no que querem fazer e ter por cá.

Esta semana não haverá Faena Musical, por respeito não só ao luto da tauromaquia mundial (Fundiño), mas também pelo luto Nacional pela tragédia de Pedrogão Grande, e como é óbvio por respeito aos grandes heróis que tentam/tentaram combater aquele incêndio.

 

Despeço-me com grande Beijo para as aficionadas, e um grande abraço aficionado para eles.

Até á próxima semana e boas corridas!!!

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