Após algumas semanas de ausência, regresso com mais um artigo de opinião sobre a atualidade tauromáquica em Portugal.

Durante estas semanas de ausência, muita coisa se passou na festa brava portuguesa, irei abordar alguns desses temas muito ligeiramente, mas irei principalmente desvendar e incidir sobre o título tão confuso.

Ao longo destas semanas tivemos polémica, no Campo Pequeno (como é hábito esta temporada), tivemos um toureiro que veio cá tourear um touro e meio (um deles não devia ter ido á praça), e o outro entregou-o, onde supostamente teria que tourear 3 touros que foi para isso que o público pagou (e não foi pouco quanto isso).

Continuando no Campo Pequeno; talvez um pouco o reflexo do que se passa na tauromaquia portuguesa; desmarcaram-se datas e substituíram-se por outras, toureiros que afinal já não vão, e outros que afinal vão.

 Ainda na Catedral, no ano em que comemora 125 anos (havia quem dizia que ia ser a temporada memorável e que melhores cartéis era impossível), eis que só uma lotação esgotada até á data.

Tivemos também uma alternativa, Luís Rouxinol Jr.; tal como dizia os vídeos promocionais “chegou a minha vez”, e é verdade chegou a vez dele. Com todo o mérito, e qualidade este é daqueles que se vê que irá andar por cá muito tempo, não por ser filho do número um da atualidade (em minha opinião), mas porque é esforçado, tem vindo a crescer, a aprender, mas principalmente tem uma coisa que cada vez falta a muitos artistas, que é humildade. Na arte sem humildade não se tem qualquer Êxito, e Rouxinol Jr. garantidamente não será mais um como muitos outros que por cá há, parabéns rapaz, e há que continuar a trabalhar e aprender com todos com os melhores e com os menos bons também.

Mas nesta corrida da alternativa de Rouxinol Jr., aconteceu algo inédito, houve um grande curro de toiros (tendo um deles regressado á herdade), toiros a sério. Sim algo inédito, esta temporada, que tem sido vergonhosa de touros. Depois vou ver qual a ganadaria que esteve nessa corrida? Pois essa mesma (Murteira Grave), aquela que dá sempre garantias de qualidade, tal como em Reguengos em Junho voltou a cumprir. Nem todos a gostam de tourear por isso mesmo, são touros a sério e é preciso suar, mais uma vez se verifica que tenho razão há ganadarias que nunca falham mesmo havendo quem não me a queira dar, a razão vem cá ter.

Ainda durante a minha ausência na escrita, a praça de Estremoz (a minha terra) ficou sem empresário novamente. O tão falado senhor Zuñiga parece que “deu corda aos sapatos” e desistiu que já nem a corrida de Setembro (a data mais forte) dará. Surpresa? Só quem não acompanhou como este concurso decorreu, e quem não sabe o que se passa e tem passado… Mas sobre Estremoz no final da época falarei mais ao pormenor, e revelarei algumas coisas.

Passando á explicação do título, numa semana tivemos a Tauromaquia na ribalta, mostrou-se que ainda há gente que consegue promove-la, apostando forte sim, mas colhendo os seus frutos. Mas ao que se refere ele? Refiro-me às duas lotações esgotadas que duas corridas de toiros tiveram no espaço de uma semana.

Na Póvoa de Varzim a tradicional corrida televisionada Norte, a provar que no Norte há muita afición, mas provou também que as touradas ao darem na televisão não afasta as pessoas das praças, os aficionados preferem ao vivo que na Tv. O Cartel não era nada de estrondoso, nem os touros prometiam muito, mas o público aderiu, talvez porque lá para o Norte haja poucas. Mas que tem isto para ser motivo de um artigo? Pois infelizmente não acontece em 90% das corridas (como deveria) e daí tem de ser louvado. De evidenciar ainda a lotação esgotada na Póvoa com a corrida a dar na televisão. A Corrida TV Norte (a 1ª da temporada televisionada) teve mais 600 mil espectadores, os números ficam para quem os quiser analisar, se calhar só a Supertaça terá mais audiência que a corrida televisionada nos próximos tempos. Mas há uns iluminados que dizem que em Portugal que não se gosta de Touradas.

E a outra lotação esgotada no espaço de uma semana, essa bem mais esperada da minha parte, foi o regresso da corrida Real em Salvaterra de Magos. Mais esperada porque para além de ser de Gala á Antiga Portuguesa, a ganadaria apresentada é daquelas que leva aficionados á praça porque são touros a sério que garantem espetáculo, aquela dificuldade, emoção, etc.. e para isso estiveram 3 enormes cavaleiros. Uma praça que estava um pouco em baixo, o Sr. Vilhais está a ressuscitá-la e muito bem. Se perguntarem a quem foi a Salvaterra no dia 28 de Julho, saíram satisfeitos, agrados com o espetáculo e os mais aficionados e entendidos apenas disseram: “finalmente touros a sério”.

Eu acrescento mais, fazem falta mais “srs.Vilhais”, em que apostam no touro de verdade, primeiramente nos cartéis que montam, e quando assim é, as pessoas correspondem e “simplesmente” esgotam praças.

E mais uma prova que não é preciso trazer toureiros de fora do país para tentar ver se as praças enchem; ou acrescentar algo de diferente a ver se calha e se enche a “casa”. Como ficou provado em Salvaterra basta haver aposta em touros de verdade, e toureiros portugueses com provas dadas que o resto corre normalmente. Certo é que o Sr. a quem me refiro, já esgotou uma praça, e dia 4 em Beja esgotará novamente quase de certeza, e sabem porquê? Porque o mesmo cartel a época passada proporcionou uma das melhores corridas dos últimos 5 anos, e eu estive lá e foi estrondosa, e como se diz no futebol “equipa que ganha não se mexe”. Com apostas sérias, e em Touros de verdade os aficionados não ficarão em casa.

Não, não me esqueci da corrida de S. pedro em Évora (a data mais forte da mesma praça), esta não é exceção porque pelo terceiro ano consecutiva (desde que Sr. Nené a detém), a corrida de S. Pedro apresentou sempre lotação esgotada, e falamos de uma praça que não tem preços nada baratos. Estou á vontade para falar, porque este senhor o ano passado em Alcochete proporcionou-me a melhor corrida que vi nos últimos 6/7 anos (17 de junho de 2016), e já tive oportunidade de o dizer em privado via rede social. Por isso, não foi motivo de muita conversa aqui no artigo, porque aqui já temos a normalidade instalada, e o Sr. Nené vem-nos habituando a isso felizmente. E vai uma aposta que dia 16 de Agosto vai esgotar Alcochete? Pois quem aposta a sério colhe os seus frutos.

Vamos então á nossa “FAENA MUSICAL” desta semana, e o pasodoble escolhido é:

Gallito – Santiago Lope Gonzalez

Este é um pasodoble muito antigo, e que é muito ouvido, mas pouco tocado nas nossas praças. Parece contradição mas não, é muito ouvido porque é o pasodoble mais escolhido nos anúncios das corridas dai ser muito ouvido.

É um pasodoble de execução difícil e que ao contrário de muito outros não tem solo de trompete, começa comos trompetes forte como se de um anuncio se tratasse, e depois baixa logo a intensidade- É pasodoble agradável e divertido de ouvir.

Ainda uma curiosidade dai dizer que está envolto num engano: Ao contrário do que se pensa, este pasodoble não é dedicado a José Gómez "Gallito", nem seu pai-Esta peça musical foi escrita em homenagem ao segundo filho de Fernando "El Gallo", o mesmo nome de seu pai, que não alcançou a fama de seus irmãos Rafael e José.

O nascimento deste trabalho surgiu em 1904, quando a Associação de Imprensa de Valência organizou sua fuga com um cartaz feito por Fernando Gómez "Gallito" Vito, Angelillo e Dauder.

A empresa encomendou ao Maestro Santiago para fazer dois pasodobles diferentes para as quatro espadas.

Fica assim uma curiosidade, espero que ouçam a minha sugestão desta semana.

Um grande Beijo para as aficionadas, e um grande abraço aficionado para eles.

Até á próxima semana, ouçam os pasodobles, e boas corridas!!

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