Na passada semana a festa brava esteve em alta, em tudo o que diz respeito á tauromaquia. Este ano pude presenciar ao vivo, cerca de três dias seguidos: o espirito, a emoção, o delírio, a raça, que existe na pacata vila de Alcochete no que diz respeito aos touros, mais concretamente na 76ª edição das Festas do Barrete Verde e das Salinas.

Ao longo de 5 dias seguidos pode-se assistir e participar em tudo o que diz respeito á tauromaquia, desde demonstração de pegas; a exaltação de como ser campino; largadas de touros a sério; Beneficência; e até os azares que também fazem parte.

Mas a Tauromaquia esteve em alta porquê? Não foi por ter existido 4 corridas (uma delas uma novilhada), mas sim pela presença de dois pilares que suportam a tauromaquia: Touros e Público.

Vamos por partes, a presença dos touros levou á presença de público? Sim, também.

Mas passo a explicar-me, as Festas do Barrete Verde e das Salinas são as festas tauromáquicas que mais gente junta, que mais aficionados fazem movimentar. São as largadas mais faladas, e as mais tradicionais, seria muito fácil á organização (Aposento do Barrete Verde), apresentar touros fracos, sem grande qualidade que ao ser as Festas do Barrete Verde e das Salinas o público estava garantido e pronto.

Não foi o que aconteceu, talvez porque quem as organiza sabe que em Alcochete há exigência para com o principal da festa, o touro. Quem as organiza, anda lá dentro e tem a primazia pelo touro de qualidade. E devo realçar o touro que foi largado sozinho no dia 16 de Agosto á tarde, onde debaixo de mais de trinta graus, correu mais de 45 minutos sem parar. Isto só vem provar que continua haver touros a sério, tem é que se apostar nisso; aquele touro fez mais do que para ai 10 que já assisti nesta temporada.

A presença de público nas ruas de diversas idades, manhã cedinho ou madrugada dentro, revela que a festa brava e a sua tradição está bem viva, e que em Alcochete vive-se a festa dos touros com alma e coração á muitas décadas. Os meus agradecimentos e parabéns á malta do Aposento do Barrete Verde, pela dedicação, e preservação da tradição e da festa brava ao longo destas décadas (76 anos de existência).

Em paralelo com as Festas do Barrete Verde e das Salinas, estava também a Feira toiro-toiro, onde este ano se realizou 3 corridas de toiros e uma novilhada, cada uma delas com um carater de interesse.

A primeira corrida a ter o aliciante de ter um concurso de ganadarias digno desse nome, e no qual houve grandes touros, e as pessoas a saírem satisfeitas, quando assim é….

No segundo espetáculo, uma novilhada de beneficência para o Bombeiros locais. Volto a repetir Beneficência para os Bombeiros locais. Os anti-taurinos manifestam-se (e com todo o direito e respeito que tenho por eles) mas o que é certo, é que a tauromaquia é quem mais tem “oferecido” aos Bombeiros, principalmente em Alcochete. A Tauromaquia foi a primeira a disponibilizar-se para angariar fundos para as vítimas de Pedrógão, enquanto o PAN e os anti-taurinos, andavam…. Ninguém sabe onde, e onde continuam porque ofertas e ou ajuda até hoje bola.

Não sei se a praça esteve cheia na novilhada, mas eu quis comprar bilhete para contribuir, e já não havia bilhetes, por isso mais uma vez tanto a tauromaquia, como os aficionados apelidados de “doentios”, voltaram a ser solidários, enquanto outros apenas protestam. É no terreno que se provam as coisas, e não com cartazes.

O Terceiro espetáculo, no dia em que há mais corridas no país (15 de Agosto), uma boa casa novamente, com a presença de seis toiros difíceis, e duros para os anfitriões Aposento do Barrete Verde e os de Évora, no qual pediram muitas contas os toiros Sommer, novamente ninguém saiu insatisfeito segundo o que ouvi e li.

Passamos então para o quarta e última corrida em Alcochete, aquela que tinha o cartel mais sonante, com Pablo Hermoso, e o inevitável Luís Rouxinol. A corrida mais esperada, e aquela que assisti ao vivo. Era aquela mais aguardada, e a praça praticamente esgotada evidenciou isso. Foi uma corrida agradável, que esteve dentro das expectativas.

Luís Rouxinol abriu praça perante um Varela Crujo muito distraído (muita gente a mexer-se nas bancadas) e matreiro e no qual não esteve ao seu nível habitual, consentiu alguns toques uns deles mais aparatoso contra a trincheira, mas ainda assim conseguiu sair por cima, mas teve a humildade de não querer dar a volta no final da lide.

No segundo da sua conta Rouxinol já esteve ao seu nível, colocando ferros de muito bom nível, incluído o par de bandarilhas. Terminando com 1 ferro de “violino” com o novo craque na sua quadra de cavalos, a praça rendida ao Rouxinol como habitual.

Pablo Hermoso de Mendoza o rejonador, a atração da noite que dispensa apresentações, veio para brilhar, e não desiludiu quem foi de propósito vê-lo. Começou com a azar porque aquele que aparentava a ser o melhor toiro da corrida teve que ser recolhido, porque se lesionou ao sair dos curros, e teve que lidar um sobrero que deu conta do recado e pediu contas a Pablo; mas que permitiu uma lide muito boa, e a primeira grande ovação da noite.

Dizem que não há quinto mau, mas o quinto em Alcochete foi o toiro menos muito parado, fechando-se em tábuas, ou muito parado a investir só para bater.

Pediu a Pablo que suasse, este não se deixou intimidar e começou a “dispartar”, com o seu craque, o cavalo “disparate” conseguiu retirar tudo o que aquele touro podia dar, e permitir grande atuação á atração da noite e Alcochete ficou rendido ao Disparate, e a Pablo.

João Telles Jr. novamente a aparecer num dos grandes Cartéis nacionais, e ter que “dar ao dedo” para não ficar para trás, perante os “monstros” da tauromaquia que com ele partilhavam cartel.

 No seu primeiro toiro esteve um pouco apagado, não chegou muito ao público, teve mais um Varela Crujo um pouco desligado, e não entendeu muito bem as investidas do touro.

No último da Noite João esteve muito bem, a cravar bons compridos, a chegar com facilidade ás bancadas e nos curtos a mostrar grande qualidade e provar o porquê de estar nos grandes cartéis desta temporada. Mas acaba por estragar a atuação com o ferro pedido a mais onde para além de ter levado um grande toque na montada falhou o ferro, é assim arrisca-se muito, está-se empolgado e por vezes pode-se estragar as coisas. Tudo bem até aquele ferro, e a mostrar que está a fazer grande temporada.

Os forcados de Vila Franca e Amadores de Alcochete estiveram em geral bem, uma outra pega sem ser á primeira, mas mais por um erro do forcado da cara do que da dificuldade dos toiros.

Os Varela Crujo muito pesados, cumpriram bem, e não facilitaram a vida aos toureiros, quando assim é, há a emoção que se procura e toda a gente sai contente das praças.

No intervalo desta corrida, houve uma pequena cerimónia a provar que a Música e a Tauromaquia estão de mãos dadas, onde a banda de Alcochete fez uma homenagem ao Pablo, oferecendo-lhe uma partitura do pasodoble com o seu nome, composto por um músico da banda local.

A crítica que lanço é para com os responsáveis da Praça, é impensável haver um toureiro já nos ferros curtos e continuar pessoas a entrar a mexerem-se e a distrair os touros, em Alcochete não pode acontecer, pessoas que pagaram 40€ e terem pessoas durante 1 lide inteira a passarem-lhe á frente é de amadores e super desagradável.

Por isto tudo é caso mesmo para dizer que “EM ALCOCHETE A FESTA TEM OUTRO SABOR”.

E como a Música e Tauromaquia estão ligados, não posso terminar sem irmos á Faena Musical desta semana.

Forcados do Barrete Verde – António Catalão Labreca

Esta semana decidi escolher este Pasodoble em agradecimento ao Aposento do Barrete Verde, pela defesa e a manutenção da festa brava. Mas também para dar a conhecer este pasodoble em homenagem ao referido grupo de Forcados.

É mais um pasodoble do Sr. António Labreca, que já leva uma boa conta compostos. É mais um ao seu estilo, começa forte e agressividade com o anunciar de algo, onde se evidenciam os sons fortes dos metais mais concretamente trompetes e trombones. De seguida ficam os trompetes, entrando os clarinetes com melodia também, num momento de intensidade mais baixa e de acalmia. Logo de seguida voltamos a ter um forte novamente a evidenciar perigo e agressividade. Como não podia faltar, depois entra o solo de trompete, num momento de mais emoção, e algum romantismo. E para terminar, toda a pompa e circunstância, dando a entender a merecida volta arena, com a entrada novamente dos instrumentos de metal.

Bem espero ter feito entender este pasodoble do Sr. António Labreca.

Até á próxima semana, ouçam os pasodobles, e boas corridas!!

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