A aficion tem que depender apenas de si própria

A temporada de 2016 está lançada. A praça número um do país, o Campo Pequeno, já deu o mote para mais um ano extraordinário que se avizinha e que deve deixar todos os aficionados expectantes. Pode-se criticar muita coisa na festa brava, mas não se pode acusar o Campo Pequeno de não ter assumido a responsabilidade de colocar a bitola elevada, como tem feito desde a reabertura e em especial nos últimos anos.

Assim, este é mais um período em que se deve apelar aos jovens para mostrarem ao mundo que a tradição tauromáquica não pertence ao passado, mas sim ao futuro. Num período em que a nossa sociedade vive avanços estruturais a uma velocidade demasiado rápida, mais tarde ou mais cedo o ataque às nossas tradições será um dos alvos.

A temporada tauromáquica é assim uma janela de oportunidade para os que vivem da festa brava e para a festa brava, reafirmarem a escola de valores que é a aficion (e que belo exemplo do Festival pela Fundação Lvida). O respeito pela história, o respeito pelas grandes figuras, o respeito pelos mais fortes e a afirmação da inteligência, da classe e da nobreza.

Este início de temporada tem sido a meu ver uma agradável surpresa. Para além do caso Campo Pequeno, que apresentou mais uma excelente época, existem outros bons exemplos que têm vindo a ser dados pelos promotores de espectáculos taurinos, entre os quais a destacar a parceria entre Paulo Pessoa de Carvalho e Ricardo Levesinho e que só engradecem e valorizam a aficion, mas também outros exemplos como o da estratégia de Rafael Vilhais para Salvaterra de Magos.

A tauromaquia só tem a ganhar com a visão dos empresários que para além do lucro (que é importante obviamente) olham para as outras vertentes do negócio, como a valorização do toiro, a montagem de um espectáculo que prime pela diferença num ou noutro detalhe. Este deve ser o caminho e este é o caminho que está a ser percorrido pelos principais promotores portugueses.

Este trabalho de casa feito pelos promotores, com um outro erro aqui e acolá como é habitual em todas as opções que se tomam, coloca agora a responsabilidade do lado dos restantes agentes da festa e também do público, para que consigamos todos responder a este enorme desafio que é o de manter a festa brava viva e mostrar a sua importância na cultura portuguesa, mas também na economia.

E isto leva-me à conclusão a que queria chegar. O mundo taurino tudo deve fazer para ser 100% independente do estado, sabendo que à partida que tal será uma utopia, procurando depender cada vez apenas de si próprio e dos aficionados, para que não esteja ao sabor de vontades políticas que como se tem visto nos últimos meses podem vir a tornar-se cada vez mais contrárias às nossas vontades.

O mote está dado, a temporada de 2016 está aí. Boas corridas e muita aficion é o que desejo para o ano de 2016. 

 

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