A Caridade e a Tauromaquia

Caridade. Hoje é o Dia da Caridade. Um dia que quero aproveitar para, textualmente, fazer uma reflexão sobre os últimos tempos na tauromaquia lusitana.

Caridade significa “disposição para ajudar o próximo; tendência natural para auxiliar alguém que está numa situação desfavorável; benevolência, piedade”.

A tauromaquia vive da Caridade. Caridade de alguns municípios, de algumas misericórdias e dos aficionados. Aficionados que muitas vezes pagam um alto valor para ‘comer gato por lebre’.

Que a tauromaquia precisa de renovar-se e reinventar-se em termos de promoção já todos sabemos. Já todos opinaram e sugeriram, contudo poucos tiveram iniciativa de fazer. E se muitos há para a falar, poucos há a fazer.

Estamos em Junho e a temporada começou, oficialmente, a 1 de Fevereiro.

Pela positiva destacam-se as três boas casas em Santarém, a boa casa na primeira corrida de Ricardo Levesinho à frente do tauródromo da Moita, a boa casa em Salvaterra de Magos e a encerrona de Joao Telles Jr. em Coruche, numa organização da De Caras Tauromaquia.

Contudo, em Santarém há a destacar o forte apoio o município à associação gestora do tauródromo, Praça Maior, e a questão que se levanta é: Sem esse apoio, haveria tão boas casas?

É necessário ter algum cuidado com as promoções, porque a tauromaquia tem de ser sustentável, e deve olhar a longo prazo. Não adianta encher praças agora se no futuro elas forem demolidas. Não chega reagir ao invés de prevenir e agir.

Há um nome na classe empresária que quero destacar: Rafael Vilhais. Nunca falei com o empresário em questão e não integra o meu círculo de amigos. Mas é actualmente o empresário que mais me agrada na tauromaquia. Os cartéis são apelativos, o público não é enganado e a qualidade existe nas suas corridas. Não concordo tanto com a sua forma de promover as corridas, mas lá que tem resultado, tem. E não adianta falarem da Moita, porque não foi o único a não ter sucesso ali. E a nova gestão da praça ainda agora começou. Não devemos cair nos impulsos extremistas. Vilhais aposta do seu bolso e corra bem ou mal é sobre ele que caem os resultados. A meu ver, muito bons. Venham mais Rafael Vilhais para a tauromaquia.

A Associação Praça Maior peca por diferenciar o tratamento a jornalistas, tal como outras entidades. Uns ficam na barreira, outros quase a tocar o céu. A imprensa deve ser equitativamente tratada. Até porque se a qualidade da imprensa já é fraca, imaginem se colocam os jornalistas mal posicionados…

E neste ponto destaca-se, pela positiva, a empresa De Caras Tauromaquia. Coloca todos os jornalistas na mesma fila, no mesmo sector e com as mesmas condições. Perguntem-lhes se é difícil, e provavelmente a resposta será: Não. É fácil!

Ricardo Levesinho é nome forte em Vila Franca e começou bem na Moita. No final da temporada faremos o balanço.

Pela negativa há a destacar as assistências no Campo Pequeno. Já tivemos Pablo Hermoso de Mendoza, já tivemos Cayetano e nenhum esgotou. A corrida inaugural foi meia casa. É urgente repensar a fórmula promocional, sob o risco de esta temporada ser um verdadeiro fiasco.

A Chamusca foi outro caso de fracasso de público. Encheu no festival, mas fracassou nas duas corridas da Ascensão.

E entre o muito bom e o mau é necessário criar dinâmicas que tragam novos públicos à tauromaquia. Na verdade, os aficionados são maioritariamente famílias com brasão mas falidas, e é necessário pensar na vertente negócio. O amor de quem produz junto dos que podem tornar esta Arte e Tradição sustentável.

Mentir em números é mentir à tauromaquia e a mentira nunca logrou vencer. Vamos juntarmos-nos, engolir egos, rasgar crelas primárias entre pseudo-imprensa e criar iniciativas e dinâmicas em que todos ganhemos, mas em que acima de tudo a tauromaquia evolua.

No que a cavaleiros diz respeito, volto a frisar que é um artigo de opinião, quero destacar Francisco Palha. Andou anos a encontrar o seu estilo e a sua sensibilidade. Encontrou-a e encontrou também a sua casta e exigência toureira. Em Santarém não correu bem, mas é um cavaleiro que dá tudo, não faz das suas lides uma repetição de sortes, e o público começa a estar sempre expectante quando vê o seu nome num cartel. Também nunca falei com ele, portanto escusam de criar uma ideia de promoção.

Moura Jr. e António Prates são outros dos destaques embora ainda não podendo ser aclamados de triunfadores. Estamos em Junho, caros blogers e jornalistas!

Deixo ainda algumas questões sem respostas: Para quando uma rede de parceiros no Cartão Aficionado? Não há marcas a querer estar na tauromaquia? Não há sinergias possíveis? E o Turismo que tanto dinheiro tem trazido para Portugal mas que a tauromaquia continuar a renegar? São duas questões base para a Sustentabilidade desta Arte.

Pedro Santana Lopes criou algum alarido na tauromaquia com uma carta interna no seu novo partido. Uns atacaram-no, outros escreveram cartas abertas e deitaram foguetes pela resposta, outros ignoraram. Pedro Santana Lopes actualmente não tem nem estatuto nem importância para tanto alarido. O que nos deve focar é a percentagem de votantes que o PAN teve. Não para os atacar, mas para criarmos condições para sermos mais fortes que os movimentos minoritários que querem acabar com valores inalienáveis da tradição e história deste país.

Prometo voltar a estas temáticas em breve…De preferência com mudanças de hábitos e mais público nas bancadas.

Para ver

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