A crónica do regresso, que muitos duvidavam, dos touros ao Campo Pequeno, mas agora com uma nova realidade

Depois de muito se ter falado e de se ter dito que não mais haveria corridas de touros no Campo Pequeno, após a venda do direito de exploração, a principal praça de touros do país voltou a reabrir as suas portas para uma corrida de touros.

Um espectáculo que decorreu em moldes algo diferentes, pois esta foi também a primeira corrida de touros, no Campo Pequeno, em tempo de pandemia, ou seja, muitas regras para serem cumpridas.

Para já referir que dos 50% da lotação autorizada, podemos dizer que não esgotou, talvez o receio que as pessoas ainda têm em ir para espaços com muita gente, tenha feito com que não esgotasse, algo que não é exclusivo da Tauromaquia, tem acontecido com outros espectáculos culturais.

Nesta noite, lidaram-se seis touros de António Raul Brito Paes que saíram bem-apresentados e com os pesos a oscilarem entre os 566kg e os 604kg. Os seis touros tiveram comportamento díspar, mas ainda assim a não defraudarem as expectativas, tendo mesmo o 5º touro sido premiado com volta à arena. Dada a qualidade deste quinto touro, sabemos que o ganadero decidiu fazê-lo regressar ao campo para semental.

A noite abriu com Luís Rouxinol, que esteve correcto na primeira lide, tanto nos compridos como na ferragem curta. Deu as distâncias devidas ao touro que teve pela frente, tendo-se visto bons ferros. A sua segunda lide foi um pouco mais morna e um pouco abaixo daquilo que já nos habituou.

Marcos Bastinhas esteve em bom plano nesta sua passagem pelo Campo Pequeno. Esteve bem na primeira lide, com boa brega e bom desenho das sortes, tendo terminado com um já habitual par de bandarilhas. Na segunda lide o nível subiu, pois Marcos teve pela frente um bom touro de Brito Paes e aproveitou-o da melhor forma. Começou por receber o touro à porta gaiola, para depois se seguirem bons ferros compridos, continuando depois com bons curtos de poder a poder, culminando com um par de bandarilhas.

Fechava o cartel Duarte Pinto, um cavaleiro que poucas vezes está mal e que quando está pede logo desculpa, e no caso das duas actuações em Lisboa, Duarte esteve bem. Foram duas lides correctas do início ao fim, aproveitando os touros que teve pela frente destacando-se mais na sua segunda lide, em que se viram bons ferros, com tudo feito como mandam as regras.

No que diz respeito às pegas, a noite foi de altos e baixos pelos Amadores de Santarém foram à cara Salvador Ribeiro de Almeida (2ª tentativa), Joaquim Grave (2ª tentativa), António Queiroz e Melo (3ª tentativa).

Pelos Amadores de Lisboa foram à cara Duarte Mira (1ª tentativa), Vítor Epifanio (2ª tentativa), João Varanda (5ª tentativa).

O espectáculo foi dirigido por Tiago Tavares, assessorado pelo médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

De salientar que no início da corrida foi tocado o Hino Nacional, prestou-se homenagem às vitimas da Covid-19, aos bombeiros falecidos, bem como aos agentes da festa recentemente falecidos.

De destacar ainda a presença de vários Deputados da Assembleia da República.

Assim, foi a primeira corrida de touros da temporada 2020 no Campo Pequeno, uma corrida diferente e com muitas regras, estas que nem sempre foram respeitadas pelo publico que insiste em movimentar-se nas bancadas, como não se movimenta noutro tipo de espectáculo. Ora vai ao chichizinho, ora vai buscar uma água, ora vai fumar, enfim, um entra e sai da bancada e há mesmo quem pague o bilhete e se arrisque em sair e não conseguir entrar a tempo e não ver a lide de um touro, enfim…

Notei também nesta corrida que o público, continua a não respeitar os seus devidos lugares, bem sei que era algo habitual no espetáculo tauromáquico, mas há que recordar que estamos em tempo de pandemia e senhores aficionados, há que dar o exemplo.

Por fim volto a bater na mesma tecla que bati na corrida de Estremoz, a situação da imprensa, que se pode considerar de duas maneiras, a primeira como a lei da rolha em que os jornalistas taurinos se vêm impedidos de ir á trincheira e realizar entrevistas, será que não querem ser questionados? Depois pode ser vista como uma situação perigosa, pois não é definido um lugar especifico para a imprensa, “olhem fiquem para aí na portas”, ora muito perigoso, pois é onde entram e saem constantemente aficionados e o jornalista ali! E para terminar deixo a pergunta, dado o lugar onde fica o jornalista, quem se responsabiliza se porventura for infectado? É a empresa promotora? É o IGAC? É a DGS? Isto porque não vamos para ali brincar ou assistir, vamos trabalhar, há que haver condições e quando não as há, alguém se tem de responsabilizar! Por isso volto a perguntar e se um jornalista for infectado, quem se responsabiliza pela falta de condições?