A demagogia à volta do fim da transmissão das corridas de toiros na televisão

Um dia tive a oportunidade de entrevistar um ex-Secretário de Estado da Cultura que me lamentou a “falta de capacidade dos portugueses para elogiar”. Podem perguntar o que tem isto a ver com a festa brava? Tudo.

Recentemente o Pessoas-Animais-Natureza (PAN), apresentou um projecto de lei para proíbir a transmissão de corridas de toiros na RTP, o canal público de televisão, escudando-se entre outros, no número elevado de reclamações que chegaram ao canal devido às transmissões das corridas de toiros.

Fala o provedor do telespectador em 7111 missivas que reclamavam da transmissão de corridas de toiros, num total de 14935 mensagens recebidas. Mantendo-me fiel aos números, quero recordar que a 51ª Grande Corrida TV em Julho de 2015 teve 446 mil telespectadores e que em 2014 foram mais de 3 milhões de pessoas que assistiram a todas as corridas de toiros transmitidas na televisão.

Escusado será dizer que basta uma infima percentagem enviar um email para o provedor da RTP para logo os números de reclamações serem bastante inferiores aos dos elogios, isto num país onde 86,1% das pessoas são contra a proíbição das corridas de toiros (Eurosondagem). Lá voltamos nós à “fala de capacidade para elogiar”.

Diz ainda o provedor do telespectador da RTP que “os jovens fogem da RTP como o diabo da cruz”, acrescentando depois o PAN que “consideramos por isso que não tem havido a desejada adequação dos conteúdos o que leva os espectadores a deixarem de se rever nesta oferta televisiva”. Por certo que às 22h, horário a que são transmitidas as corridas de toiros, o público que vê televisão não será propriamente um público jovem, quanto muito será adolescente e adulto, pelo que também não passa pelo fim da transmissão dos espectáculos taurinos uma renovação do canal público.

Acrescento ainda nesta matéria que certamente mais jovens assistem às corridas de toiros, do que propriamente aos programas Agora Nós (161 mil espectadores no dia da Corrida TV em 2015) e Há Tarde (180 mil espectadores no dia da Corrida TV em 2015), sendo assim as transmissões televisivas taurinas catalisadores de novas audiências, indo assim contra a própria afirmação do provedor do canal público.

Para concluir a temática das corridas de toiros na RTP, diz ainda o provedor do canal que a “transmissão de touradas não é serviço público”. Neste ponto é assim importante recordar o Contrato de Concessão de serviço público entre o canal e o Estado, que refere:  “a possibilidade de expressão e debate de diversas correntes de opinião designadamente de natureza politica, religiosa e cultura”, acrescentando ainda que deve a RTP “promover a inserção, nas suas emissões, de programas que apoiem e divulguem as actividades destinadas a defender e consolidar as tradições e os costumes que consusbtanciam a sua identidade, bem como a promoção da língua e dos valores culturais portugueses”.

A transmissão de corridas de toiros na RTP é assim um direito mais do que adquirido, previsto na Lei da Televisão e no Contrato de Concessão entre o governo e o canal público e que acima de tudo é alvo da aprovação dos telespectadores nacionais que acorrem em massa às transmissões televisivas destas corridas, aumentando assim os números da audiência média da televisão público, rejuvenescendo as suas audiências.

É assim dever da RTP manter a transmissão das corridas de toiros em níveis idênticos aos dos útlimos anos, tendo em conta a boa correspondência das audiências, bem como as obrigações que lhes são impostas pela lei e pelo Contrato de Concessão aprovado e assinado recentemente, portanto espelhando as vontades actuais da população portuguesa e não uma vontade imposta por um partido que representa 1,39% dos portugueses. 

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