Segunda-feira, Agosto 15, 2022
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A (des) ILUSÃO em Estremoz

Como o título indica esta semana o artigo não podia deixar de ser sobre a corrida de Estremoz, não só por ser a minha terra, mas pelo mediatismo, procura e expectativa que este Mano-a-Mano (Ventura Vs Moura jr.) gerou ao longo de dois meses por entre os aficionados. E assim mato a curiosidade a quem me encheu de mensagens a querer a minha opinião a seguir á corrida.

Mas porquê um titulo novamente contraditório? Porque foi exatamente os dois sentimentos que tive, um antes da corrida, e outro depois de sair da Praça.

Vamos então a factos, uns conhecidos, outros nem tanto, para me explicar melhor.

Ilusão antes da corrida porquê? Meus caros, iriamos ter no Alentejo o que para mim e para muitos, é o número um do toureio a cavalo a nível mundial (Diego Ventura), iriamos ter o “Sueño”, “Nazari”, “Dollar” a dar espetáculo e, em pleno Alentejo e logo na minha terra. Este mesmo que iria estar em “confronto” com aquele que para mim é o melhor da sua geração (Moura Jr.). Isto já era mais que motivo para haver ilusão, ou não estivesse a Praça com assistência que teve.

Mas a ilusão era ainda maior porque quem ganhou a praça, só fez chegar proposta no último dia “supostamente”, e era a sua primeira corrida em praça fora de Espanha. E logo na primeira ao se aventurar numa praça com lotação pequena (deixo aqui a dica, e que tal colocar cadeiras em todas as filas, já se ganham cerca de 1000 lugares a mais), que tem vindo a ser queimada por quem a gere, onde os estremocenses estão separados com ela; apresentar um cartel irrepetível, volto a dizer irrepetível em Estremoz, gerou grande ilusão que levou o pessoal a deslocar-se e a pagar o que pagou.

Da Ilusão á desilusão porquê? Porque primeiro que tudo senti-me enganado, paguei bilhete para ver touros e vi lá “borreguinhos” de pelagem preta e com cornos. Sei que muita gente vai discordar, mas é coincidência a mais serem os 6 iguais, não marrarem e apenas corriam atrás dos cavalos, o que me leva a querer que quem organizou já o sabia. E não falo por mim, houve muito boa gente que dentro da praça disse coisas como “deviam pedir o dinheiro dos touros”; “Já vi carneiros marrarem mais que os outros”; ou o mais preocupante “não me voltam a enganar, se soubesse que era isto não vinha”.

Desiludido porque a meu ver Diego Ventura não respeitou o público. Eu já vi o Ventura mais de uma dezena de vezes, e sou grande fã dele, e nessas dez vezes não o vi levar nem consentir tantos toques nas montadas como nos dois primeiros toiros. Ora com touros a parecerem aqueles animais que se costuma comer por tradição na Páscoa, ele consente toques, e depois no último um pouquinho menos manso deu um cheirinho do que é “El Fucarão”, porquê? Para deixar as pessoas com vontade de pagar bilhete para o voltarem a ver? Pois caro Ventura, não querendo exagerar mas cerca de 80% dos ¾ de casa foram para o ver, e o Senhor a meu desfraldou-as porque pareceu andar a treinar, não levando a corrida a sério. Valeu Moura Jr. que salvou mesmo aquela tarde fria do passado sábado em Estremoz.

Mas ainda mais desiludido para com quem esteve por “detrás” da organização desta corrida. Se era desejo antigo (pelo que sei já vem de há 2 anos) do presidente da câmara ter Diego Ventura em Estremoz, e a meu ver bem, não merecíamos uns touros a sério? É que mesmo se o Diego quisesse estar a sério não tinha touros. Um desejo destes concretizado este ano (que coincidência), a única proposta que o tinha foi a que foi escolhida, e depois temos daquilo em praça? Nunca nenhuma corrida foi tão publicitada, e houve “aposta” forte como esta e no fim apresentam “touros” daqueles? Pois isso também desiludiu muitas das pessoas que pagaram bilhete.

Outro assunto muito falado depois da corrida foi o facto de a Praça não ter enchido, havia algumas clareiras nos camarotes e na bancada da sombra, nem com este Cartel a conseguiram esgotar, então como se consegue? Foi o assunto muito falado também. Pois quanto a isso eu fiquei surpreendido pela positiva quando vi a casa que estava, eu esperava menos gente, bilhetes a 45€ ou 70€ não é para todos, e é muitíssimo dinheiro, mas mesmo assim teve muita gente. Eu prefiro ver pelo lado positivo se todas as corridas tiverem a quantidade público que aquela teve, já era sucesso no meu ponto de vista.

No que toca á minha opinião sobre a corrida propriamente dita e não tudo o que a rodeou, tivemos um triunfador, chama-se João Moura Jr., encarou a corrida muito a sério, esteve muito concentrado e não se deixou intimidar com o “monstro” que tinha ao seu lado. Excelentes montadas, e provou a Ventura que nada se ganha antes de se trabalhar para tal, mesmo jogando em casa e estar em terreno onde é muito acarinhado, esteve a sério para com o público. Claro que são touros de uma ganadaria que conhece muito bem, e no qual lida muitas vezes em Portugal, mas esteve a sério.

Respondeu á apoteose que Ventura provocou no quinto touro, com uma estrondosa “porta gaiola” no último da tarde. Vai ser uma grande temporada de Moura Jr., e Rouxinol que se cuide porque tem concorrência para mais “um papa troféus” e para triunfador da temporada.

Quanto ao cabeça de Cartaz, Diego Ventura, na minha opinião defraudou o público, apesar de no último touro ter colocado a praça de pé, com o “Sueño”, tendo o momento alto com um par de bandarilhas retirando o cabestão ao “DÓLLAR”, e cravou o par apenas conduzindo o cavalo com as pernas… sim foi Diego Ventura, mas quem pagou, o bilhete incluía 6 touros, 3 para cada e o Ventura não levou a sério os dois primeiros.

O que pode desculpar mais os toques de Ventura, poderá ter a ver com o piso da arena estremocense, desde a reinauguração que denoto e já ouvi alguns intervenientes queixarem-se que a arena é demasiado pesada, e puxa muito mais pelas patas tanto dos toiros como dos cavalos, devia ser revista esta situação quatro anos já deu mais que tempo para ver. Mas não é desculpa porque estava pesada para os dois.

A forcadagem com o prémio do homenageado em disputa, estiveram bem, os touros não apresentaram dificuldades nenhumas. De Realçar que o troféu foi para Montemor.

Quanto aos touros, não vale a pena dizer mais nada, é mais do mesmo nas nossas praças, apesar de haver quem o queira esconder, e dizer que os toiros lidados em algumas praças não escolhidos, nem são o que toda a gente vê, em Estremoz foi mais do mesmo, volto a repetir este cartelaço merecia touros e não amostras. E ninguém saiu da praça contente com os touros da ganadaria Romão Tenório.

Mas não podemos escamotear a verdade, nem os factos, se assim não encheu, é com  um cartel de seis cavaleiros (dois deles os da terra segundo a fada do Pinóquio me fez chegar), para Setembro as tradicionais festas da cidade que vai encher ou repetir-se a casa? Eu não sou adivinho, mas não me parece nem de longe.

Se realmente este empresário veio com vontade, espero que mantenha a primeira ideia que tinha trazer outro rejonador para Setembro, para uma noturna, e que haja o mesmo apoio, e empenho de todos os organizadores que houve para esta corrida da Fiape. E que câmara repense mesmo em colocar cadeiras em todas as filas, e retirar aquelas que estão mesmo em frente às portas dificultam e muito a circulação, assim ganha-se cerca de 1000 lugares a mais, já dá para apresentar outros preços. Cá estaremos para ver o que se passa em Setembro, talvez em Julho (caso se cumpra o suposto caderno de encargos).

Antes de terminar, um pormenor que quero aqui deixar e que deviam ser corrigido, a banda de música que esteve uma boa atuação, atuando gratuitamente ou não, está a trabalhar e faz parte da corrida, e tem todo o direito em ter nos seus membros aficionados. Mas, não podemos ter meia banda a levantar-se quando são as pegas, fica mal, e quem está a assistir denota isso e leva a criticas e conversas desnecessárias, a postura, os olhos “também comem”, apenas um pormenor que foi notado e comentado por muita gente, e que deve ser corrigido, mas que todos os males daquela corrida fossem pormenores de postura da banda….

Para terminar passamos á rúbrica “FAENA MUSICAL”:

Torero Cale – José Santaren

Este pasodoble taurino está no top 5 dos meus favoritos, está muito bem delineado e desencadeado, e é pena ser pouco ouvido nas nossas praças, tem um certo grau de dificuldade. Começa logo forte e como que antever a saída do touro e perigo por ele transmitido. De seguida temos o pequeno solo de trompete em amplitude média, que  leva a querer que seja a acalmia e o estudo ao touro. Seguidamente vem um forte, e uma parte mais agressiva e arrepiante que pode ser interpretado como todos os perigos e dificuldades de uma lide. Posto isto vem uma parte mais calma, novamente a trompete com um solo lindíssimo que transmite o controlo e acalmia sobre uma lide, e até emotivo. Por fim uma parte alegre do culminar, e de todo o sucesso.

É um Pasodoble espanhol, e sendo o seu autor também espanhol.

É bom lembrar que isto é a interpretação que faço do que ouço e tento explicar um pouco a quem tenha curiosidade em ir ouvir o que o autor possa tentar transmitir quando o escreve.

 Um grande Beijo para as aficionadas, e um grande abraço aficionado para eles.

Até para a semana e boas corridas!!!

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