Opinião

A liberdade está proibida

Alguém disse: “preocupamo-nos mais com os animais que com as pessoas”.

Já podemos pôr aparelhos dentários nos nossos cães e gatos, que bom, mas e os milhares de pessoas que aguardam anos a fio, ou nunca terão acesso aos mesmos!

Onde pára a solidariedade do ser humano para com os seus semelhantes, com o “animalito” tudo bem, merece tudo.

Imagens da Ucrânia mostram a justa preocupação dos seus habitantes com os animais de estimação (é o dever de qualquer humano face aos animais), mas se calhar na fuga dos locais de batalha, até os mesmos ocuparam lugares de pessoas que ficaram em terra. Não compreendo … há aqui uma subversão de valores.

Uma coisa é gostar de animais, eu até gosto, mas cada coisa no seu sítio.

Há diferenças que não podemos esbater, por mais que através dos media e redes sociais os animalistas nos tentem adoutrinar.

Está agora na moda falar de “Famílias inter-espécie”, em que todos têm o seu lugar na família em perfeita igualdade de direitos, mas será bom atentarmos no que diz um estudo demográfico em Espanha : “Hay en España más perros, que menores de 15 años – la subversion total del ser humano, que privilegia los animales de compañia a los niños”.

Preocupante não é?

Será que não devemos pensar neste problema, ou ignoramos e qualquer dia o ser humano nestas paragens será apenas uma miragem?

E já que estamos falando do País vizinho, que dizer do ridículo (ou talvez não, porque a finalidade é essa mesma, pressionar e condicionar) ultimato enviado por um dito colectivo animalista exigindo ao presidente do clube de futebol Real Madrid, que nas celebrações dos títulos ganhos, os seus jogadores não utilizem símbolos taurinos!

Mas como a tauromaquia vive de celebrações, depois de grandes tardes na Maestranza durante a Feria De Abril em Sevilha, veio San Isidro em Las Ventas com tudo o que uma grande feira comporta: Houve emoção e colhidas a mais; pouco respeito de algum público que de aficionado tem pouco; também muita apatia na hora de pedir as orelhas que os diestros mereciam; muita parcimónia dos respeitáveis presidentes de corrida na hora de conceder os ditos troféus; e muita decepção com o chamado toro de Madrid, que salvo raras excepções não proporcionaram grandes faenas, só apresentação não chega, faltou trapio e bravura.

Com sinal positivo, as praças cheias, e a presença de tanta gente jovem nestas duas catedrais do toureio peninsular.

Por cá, infelizmente mais do mesmo, corridas no mesmo dia por vezes em localidades próximas e à mesma hora, em clara concorrência entre elas. A maior parte das vezes com praças quase vazias, com claro prejuízo e dando um péssimo aspecto e trunfos ao inimigo que tudo contabiliza para nos prejudicar.

Esta não é seguramente uma boa forma de promover a nossa tauromaquia que bem precisa, nos tempos que correm!

Aguardamos que finalmente a nossa Praça do Campo Pequeno abra as suas portas, ainda que com poucas corridas. Abandonámo-la e o resultado está aí, ressalvando o meritório papel do empresário, que nela tem apostado, e lhe vai prolongando a existência enquanto praça mais importante e emblemática do País!

Há acontecimentos que, ainda que separados pelo Grande Charco ( leia-se Ocêano Atlântico), não nos devem deixar indiferentes.

As portas da Plaza México estão fechadas, a liberdade está proibida imagine-se ditada por um Juiz que deveria proteger essa mesma liberdade, caricato não é?

Ainda mais atendendo ao pedido de uma organização denominada Justicia Justa, seria de rir, se não fosse trágico, isto num País governado por um político populista de nome Andrés Manuel López Obrador que é contra tudo o que tenha origem espanhola, seja cultura ou tradição como é o caso da tauromaquia.

Num México em que impera o narcotráfico e em que a segurança é uma mera ilusão, com assassinatos diários que fazem as manchetes na comunicação social, com muitos jornalistas que já perderam a vida por defender a liberdade de informação, onde o desenvolvimento parou e a vida não vale nada. A título de exemplo, só no estado da capital vivem oito milhões de pessoas em pobreza extrema.

E os toiros “ é que violam o direito a um ambiente saudável, e por consequência são uma violação dos direitos humanos”, segundo a decisão do dito Juiz que deixa sem trabalho milhares de pessoas que vivem do mundo do toiro. Haja decoro e chamem o toiro pelo seu nome, o animal é apenas o pretexto para proibir a tauromaquia onde ela exista!

Vemos alguns protestos de toureiros e aficionados, denunciando o caso, mas pouca força no próprio México, afinal a história repete-se e a inacção mata!

A liberdade de gostar de toiros, de saborear verdadeiras tardes de afirmação taurina nas praças ou nas ruas não nos é permitida, a possibilidade de garantir o sustento de todos aqueles que vivem do toiro é negada por uma questão de ditadura de gosto e de um fundamentalismo que não se compadece com padrões morais. Pouco a pouco nos vão minando e manietando, resumindo: a liberdade está proibida!

António Tereno

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