A Pandemia e o 25 de Abril: É tudo uma questão de liberdade

Hoje vou tratar de uma coisa que me é particularmente querida e a que se liga de uma só penada a pandemia e o 25 de Abril: o direito e a liberdade de informação bem como os meios que são necessários para exercermos tais liberdades.

Quando somos “destacados” para fazer a cobertura de uma corrida de toiros, o que todos esperam é que sejamos isentos e não defraudemos a verdade do que em praça se passou.

Agora, devido à pandemia não podemos praticar a nossa arte, mas podemos pensar no que podemos fazer para que, no depois da dita, as nossas liberdades se possam exprimir livremente.

Eu sei que estes temas são sempre fracturantes mas cada um tira as suas ilações, porque se os cidadãos são lives, também é para as poderem exprimir e contestar, tendo a sociedade e a nossa Festa só a ganhar com a diversidade de opiniões e não com verdades cerradas.

Estamos num período deveras complicado nas nossas vidas, na sociedade em geral e, consequentemente, na nossa Festa.

Aqui há tempo dizia-me um parceiro de lides da escrita com quem eu, muitas vezes, não estava de acordo, que se fosse ele que mandasse, se nós não levássemos espectadores com bilhetes comprados não devíamos ter livre acesso. Não digo o nome do senhor porque ele já não está entre nós para se poder defender, mas isto é um reconhecimento enviesado do papel da comunicação social na festa dos toiros.

É muito provável que haja mais gente a pensar assim, mas o papel da comunicação social é contar a verdade e ponto final!

É certo que existem sítios na net que, com pouca ou nenhuma audiência vão proliferando e os seus “repórteres” vão vendo os espectáculos de borla, mas atenção; mais vale começar assim e a selecção fazer-se naturalmente do que proibir-lhe a entrada e fazermos “vitimas inocentes”.

Eu sei que nesta altura, o que vou escrever não deve ser o que mais preocupa as empresas promotoras dos espectáculos tauromáquicos, mas cá vai: é mais uma achega para se pensar quando pudermos ter acesso às praças e algumas coisas são tão simples de resolver que até parece que é mesmo só por não querer fazer.

Escrevo-vos do Barreiro, uma cidade aficionada, que já teve a sua praça de toiros e que, como era em ferro, foi desmontada e os ferros derretidos para contribuir para o esforço de guerra da primeira guerra mundial; é praticamente o centro de uma das zonas mais aficionadas do país composta por Alcochete, Montijo, Moita, Setúbal (agora fechada) e Paio Pires pelo que tenho sobejos espectáculos durante o ano e, como tal, diversos termos de comparação conforme os organizadores.

Por exemplo: ainda não percebi porquê só Paio Pires e o Montijo, utilizam a aparelhagem sonora para identificar os artistas em praça, também já tenho constatado essa utilização na Moita mas nem sempre. Os cabeças de cartaz, de um modo geral, nós conhecemos, mas os forcados apenas conhecemos alguns e era uma ajuda que nos davam e um modo de reconhecimento pelo seu desempenho, apresentar quem se prepara para tão dura tarefa como a pega a um toiro.

Todas as outras praças têm aparelhagem sonora com microfone sem fios que dava para fazer esta tarefa de um lado qualquer. No caso de Alcochete essa aparelhagem está ao lado dos lugares reservados à imprensa, por cima dos curros, era só alguém lá fazer chegar a informação e qualquer um de nós faria isso com prazer.

A não ser em Alcochete, que já sabemos para onde vamos, nas restantes praças são-nos atribuídos lugares, por vezes, onde o diabo perdeu as botas.

 (Alguns! Há outros com direito a barreiras.)

Quem está a ver o espectáculo e tem que tomar notas deve ter um lugar, pelo menos, num sítio que possa ver a arena toda, a porta dos curros e o painel informativo com o toiro que vai ser corrido.

Ser-lhe atribuído um lugar na última fila das galerias, atrás de uma coluna e junto da banda sem que se possa ver o tal cartaz identificador do toiro e o sítio onde muitas vezes terminam as pegas (quase sempre citadas a favor da crença natural do toiro), não é de certeza facilitar o papel da imprensa.

Outro dos problemas com que muitas vezes nos debatemos é, para informar com clareza, saber a ordem de lide (em Alcochete só se for alguém da NBA poderá ler a referida ordem) e os nomes do director de corrida e o do veterinário.

Acho que não custava muito, o envelope onde se encontra a entrada do cronista, ter uma fotocópia da ordem de lide, o nome do director de corrida e do veterinário, especialmente agora que entraram muitos novos directores. Espero que a achega seja útil e que o vírus nos deixe ver alguns espectáculos este ano, o que era bom para todos.