Quarta-feira, Agosto 10, 2022
Publicidade
InícioEntrevistas“A verdade é que existem ganaderos que nós não podemos confiar”, diz...

“A verdade é que existem ganaderos que nós não podemos confiar”, diz António Ribeiro Telles ao Toureio.pt

António Ribeiro Telles foi um dos mais destacados cavaleiros a temporada tauromáquica 2017, em Portugal, e foi também um dos Triunfadores Toureio.pt, eleito pelos nossos leitores e aficionados. Motivos mais que suficientes para o entrevistarmos, pedido ao qual acedeu, tendo abordado a sua temporada, a sua quadra, o que ainda falta fazer na tauromaquia, a opinião do actual momento da festa brava e ainda sobre o seu lado mais pessoal e o que gosta de fazer além da tauromaquia.

Toureio.pt (T)- Começo esta nossa conversa por lhe pedir que nos faça um balanço da sua temporada 2017…

António Ribeiro Telles (A.R.T) – Julgo ter feito uma temporada com regularidade, onde o ponto mais alto foram as duas noites no Campo Pequeno, esta praça foi, é e será sempre  o grande marco da tauromaquia portuguesa.

T- António, continua a superar-se a cada temporada. Esta foi a melhor?

A.R.T- Não sei se foi a melhor, mas julgo ter sido das melhores da minha carreira.

 

Perdi juventude mas ganhei maturidade

T- Sente que está numa das melhores fases da carreira?

A.R.T- Felizmente sinto-me bem, perdi juventude mas ganhei maturidade, com a idade que tenho faço o que mais gosto na vida, que é tourear! Isso é um privilégio. Peço a Deus que me dê forças para continuar mais um tempo e discernimento para saber parar a tempo!

T- Em termos de quadra quais os grandes destaques desta temporada?

A.R.T- Toureei em três cavalos consagrados; Alcochete, Veneno e Embuçado, um novo o Favorito e dois que debutaram este ano o Hibisco e o Gavião.

T- Qual foi a corrida que lhe encheu as medidas, sabendo-se que a perfeição nunca é alcançada?

A.R.T- Foi sem dúvida a corrida comemorativa dos 125 anos do Campo Pequeno, foi uma noite bonita!

 

Lembrei-me quando comecei ao lado do meu pai.

T- Um dos melhores momentos da sua temporada deve ter sido quando repartiu cartel com o seu filho…

A.R.T- Emocionei-me quando rompi praça com o meu filho a meu lado! O tempo passa a correr e lembrei-me quando comecei ao lado do meu pai.

T- O António continua a ser muito associado ao “classicismo”. Isto motiva-o, é uma responsabilidade ou sente que é redutor relativamente à arte do seu toureio?

A.R.T- Tourear com classe nunca tira arte ao toureio! Tenho gosto que me chamem clássico, o meu Mestre foi o meu pai e ensinou-me assim! Mas o mais importante é o respeito pelo toiro pelo cavalo e pelo público.

T- Quais as ganadarias que mais aprecia, enquanto cavaleiro? As mais duras ou as chamadas mais cómodas? Porquê?

A.R.T- Gosto de um toiro bravo, não assassino! Mas bravo! O toiro tem que transmitir, tem que ter mobilidade para o público vibrar, mas as investidas devem ser rectilíneas para que possa haver bom toureio!

 

Se está a chamar mais cómodos aos “chuchons” (…) esses sim, tiram gente às praças!

T- Considera que os touros de intitulados de “mais cómodos” estão a retirar publico às praças?

A.R.T- Se está a chamar mais cómodos aos “chuchons” que não transmitem nada e que o público adormece nas bancadas, esses sim, tiram gente às praças!

T- Temos de admitir que este ano em Portugal apostou-se mais no toiro-toiro, considera esse facto positivo?

A.R.T- Se esse toiro – toiro for lidável sem se pôr por diante dos cavalos, que transmita emoção, mas que deixe fazer bom toureio, esse toiro é sempre bem-vindo e é positivo para o público.

T- Será também por esse facto, o de se ter apostado mais no toiro-toiro que o António mais se evidenciou? Ou seja, touros a dar emoção e o António a arrimar-se terá resultado numa temporada redonda. Podemos fazer esta analogia?

A.R.T- Quando toureei em Ronda, ouvi o Maestro António Ordoñez dizer o seguinte; “Quando o toiro anda, a festa anda, quando o toiro não anda a festa não anda!”, foi uma das maiores lições da minha vida!

 

A verdade é que existem ganaderos que nós não podemos confiar

T- Como em qualquer profissão há sempre erros a corrigir, qual foi o seu maior erro nesta temporada que não irá cometer em 2018?

A.R.T- O maior erro que cometi esta temporada foi o de não ter ir ao campo ver todas as corridas, a verdade é que existem ganaderos que nós não podemos confiar, que levam para a praça tudo; toiros cochos, cegos, com pitons muito defeituosos, mal apresentados, encurralados etc, e isso é péssimo tanto para nós toureiros como para o público!

T- Falando agora de 2018, como irá ser a temporada de António Ribeiro Telles em 2018?

A.R.T- Estou cheio de ilusão, não paro de montar a ver se aparece esse cavalo craque para poder fazer o meu toureio.

T- A equipa irá manter-se igual, nomeadamente apoderamento e bandarilheiros?

A.R.T- Tudo igual, sinto-me bem assim!

T- E no que diz respeito à quadra, como será constituída em 2018?

A.R.T- Os mesmos deste ano e espero que rompa mais algum novo.

T- Antes de passarmos a falar da Tauromaquia em Portugal, perguntava-lhe o que ainda lhe falta fazer na tauromaquia?

A.R.T- Só lhe digo que me falta fazer muita coisa…ainda quero evoluir porque acho que a lide sonhada, ainda não fui capaz de a alcançar!

T- Quem é António Ribeiro Telles fora das arenas? O que lhe dá prazer fazer?

A.R.T- Fora das arenas sou o mesmo António Ribeiro Telles! O que me dá mais prazer quando não estou a tourear, é estar com a minha família e desfrutar do campo, adoro a natureza, também valorizo o tempo que estou com os meus amigos!

T- Quantas horas treina por dia?

A.R.T- Durante a temporada estou o dia inteiro pendente dos cavalos, no defeso alívio um pouco!

 

Não temos é muitos taurinos à altura para saber elevar a festa

T- Falando agora no geral, como analisa o actual momento da tauromaquia em Portugal?

A.R.T- Vivemos momentos de crise, a festa vive do povo, este tem menos dinheiro para ir aos toiros, mas que a Tauromaquia está enraizada no gosto dos portugueses isso é um facto! Temos bons toureiros e boas ganadarias, o que não temos é muitos taurinos à altura para saber elevar a festa e fazer com que ela evolua.

T- Qual a sua apreciação às constantes “guerras” entre os diversos sectores da tauromaquia em Portugal?

A.R.T- Não pode nem deve haver jogos de interesse, isso é o que cada vez há mais! Quem sofre com tudo isso é o público, as tais guerras só devem existir em defesa da festa!

 

Nem toda a gente aguenta estar sentado três horas e tal!

T- A Festa tem futuro? Ou precisa de ser regenerada?

A.R.T- Acho que a festa tem futuro, sem dúvida! Mas temos que pensar sempre numa evolução, uma das coisas que tem de mudar com urgência é o tempo das corridas de toiros, nem toda a gente aguenta estar sentado três horas e tal!

T- Como analisa os ataques anti taurinos? São mais perigosos os que vêem de fora ou os que são feitos dentro da festa?

A.R.T- Sem dúvida alguma, os que estão dentro da festa!

T- Como vê o trabalho da Protoiro?

A.R.T- O grande papel da Protóiro é defender-nos dos ataques anti taurinos e aí tem feito um trabalho louvável!

T- Da nova geração e cavaleiros, quais os que destaca que podem mais cedo chegar a figuras, como o António o é?

A.R.T- Ser figura do toureio é aguentar-se no circuito um tempo considerável! Vamos ver se eles conseguem, eu faço força para que sim!

T- Considera que de todos os novos toureiros, ainda não há nenhum que tenha chegado à verdadeiramente a figura de toureio?

A.R.T- Esta pergunta tem a ver com a anterior, só espero que despertem interesse para se manterem uns anos!

T-Como analisa a imprensa generalista?

A.R.T- Acho que é dramática! Gosta muito mais de enaltecer o mau e o que causa sensação, do que noticias boas e agradáveis!

 

Também há a critica suja onde só quando se paga é que se está bem!

T-Como avalia a imprensa taurina?

A.R.T- Sou a favor de uma Imprensa justa e honesta, quando estou mal tenho que assumir, e aí a critica pode dizer mal, tem o direito e o dever de ensinar, explicar o que foi mal feito e porquê, essa critica é construtiva e bem-vinda, agora também há a critica suja onde só quando se paga é que se está bem! Essa critica nunca concordei com ela!

T- Para terminar a nossa conversa qual a mensagem que deixa aos leitores do Toureio.pt?

A.R.T- Agradeço muito terem-me considerado o triunfador da temporada e prometo que vou fazer tudo por tudo para não os defraudar!

Publicidade
Publicidade

Últimas