Alcácer do Sal: Profissionalismo, empenho, seriedade, respeito pelo público e vontade de “arrear” marcaram corrida da PIMEL

A PIMEL voltou a ter uma Corrida de Toiros como um dos pontos fortes do seu “cartel”. Cerca de meia casa (o mau tempo das horas precedentes, na região sul, afastou muita gente pelo receio de não haver corrida) assistiu a um espetáculo em ambiente morno e que tinha muito para resultar melhor, mas não resultou em pleno…não pode ser e ponto!

Início simbólico e carregado de significado, com o Sr. Presidente da Edilidade Alcacerense a presentear os toureiros e forcados com uma lembrança e com maior enfase a passagem pela beira-sado do GFA Montemor-o-Novo, na comemoração dos seus 75 anos de actividade. Mais impactante e funcional do ponto de vista do espectáculo estas cerimonias logo no inicio

Curro bem apresentado, diverso de tipo, com peso sem estar gordo e homogéneo de comportamento, o de Varela Crujo. No geral sem querenças, voluntarioso, com picante e muita casta. Pediram mais distancia e vantagem para “romper” alguns deles. Chegaram vários com pulmão e vigor ao momento da pega, o que denota a capacidade, não extraída, que ainda foi para o matadouro.

Profissionalismo, empenho, seriedade, respeito pelo público e vontade de “arrear” por parte de todos os intervenientes, merece nota de destaque e de respeito.

De António Telles conta-se com pouco a sua belíssima tarde, andou sério, “facilão” e confiado. Duas boas atuações de toureiro rodado e “a gosto”. Entendimento pleno de ambos oponentes, desenhou a seu belo prazer as sortes e mandou em tudo o que fez, em ambos. A diferença de andamento e fiereza dos oponentes fez a diferença entre lides, a segunda foi mais impactante e envolvente. Resultou no triunfo maior da tarde.  

Francisco Núncio entrou a substituir o “baixista” J. Moura. Todos sabemos que tem conceito taurino eclético, muito personalizado e na linha da escola e da carga genética que transporta…do “puro clássico”. É dentro desse registo que teremos sempre de o enquadrar, quando o vemos. Se na primeira actuação (também a primeira em corridas, esta época) titubeou na condução da mesma, abusou em algumas execuções da velocidade e não redondeou, mesmo sem comprometer. Na segunda “cantou outro galo”, com um toiro com mais que tourear arrimou-se e conseguiu uma boa actuação. Recebeu em curto e parou na garupa o Crujo que carregou e bem de saída, aqueceu o ambiente de forma algo surpreendente! Depois foi uma lide ligada, criteriosa e melhor conseguida no desenho da sortes, no domínio dos andamentos e conhecimento da arte. Ar puro de classicismo proporcionado por Núncio e muito bem aceite pelo conclave. Bem-feita a substituição pela empresa!

Salgueiro da Costa veio, como sempre lhe vimos, para apertar e arrimar-se. Quis sempre andar para cima dos toiros e pôr a “carne no assador”, pisou terrenos de compromisso e de frente, pena foi que em ambos os toiros não “aguentasse” mais as montadas  no momento da reunião, para que a colocação saísse mais justa, emocionante e impactante, como procurava (não percebemos que se passou, porque tem muito coração para o fazer…há dias assim). De resto esteve bem a entender os oponentes, a não renunciar a uma ou outra dificuldade que se lhe deparou. Não comprometeu, foi positivo (sobretudo no seu primeiro), mas…com sabor a pouco, que esteve muito perto de…muito!

Na forcadagem, “pano de fundo”  no assinalar da passagem do 1º aniversário sobre o crime de 2013, em que nesta mesma feira foi assassinado o Cabo J.M. Cortes. Tarde de “competição” para a “cantera” de ambas as formações. De compêndio as ajudas em todas as pegas e os forcados de cara, nos cites, no momento de mandar nas saídas e nas viagens dos cómodos, mas fieros, Varelas. O problema maior esteve nas reuniões. Os toiros não fizeram mal, mas pediam mais um passinho atrás e as “dobradiças” das pernas mais “oleadas” para fazer a cadeira e obriga-los a reunir mais por baixo, com maior comodidade para o Grupo. Quando tal aconteceu as pegas foram menos espetaculares, mas mais eficientes tecnicamente. Este aspeto tocou a ambos Grupos. De qualquer forma, tiveram ambos uma tarde positiva e com várias execuções de muita garra e ganas em ficar, em execuções incómodas e duras!

Por Montemor-o-Novo, João da Camara à 1ª, Francisco Barreto à 3ª (com decisiva ajuda de J. P.) e fechou João R. Tavares à 1ª.

Por Vila Franca, Ricardo Patusco à 1ª, David Canário à 3ª e João M. Vilaverde (filho do Saudoso Vilaverde) à 1ª.

No final os prémios da Herdade da Barrosinha foram entregues, conforme votação do júri, a António Telles a melhor lide e a J.M. Vilverde (GFA VFX) a melhor pega.

Concordamos com as entregas de prémios nas corridas em que os toureiros toureiam, pelo menos, dois toiros e os Grupos de Forcados pegam, pelo menos, três. Assim faz sentido, com menos atuações que estas, no mesmo espetáculo, não…só falta alterar a atribuição (às empresas que ainda não o fazem) para melhor atuação de Cavaleiro/matador/novilheiro e Grupo de Forcados, ao invés da melhor lide e melhor pega. Só por uma questão de justiça e lógica…é que na maioria das vezes os toiros é que fazem os triunfos e…o acaso também! Não digo que tenha sido o caso em Alcácer, nesta tarde, mas vem a talho de foice o assunto que aproveitamos para, mais uma vez, abordar em termos genéricos…

Sr. João Cantinho, assessorado pelo Dr. Feliciano Reis dirigiu espetáculo sem problemas, cuidado e bem montado pela empresa.

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