Alcáçovas: O futuro, com certezas!!

A Associação Tauromáquica Alcaçovense foi bem sucedida na iniciativa de trazer de regresso a festa brava a uma localidade com ligação fortíssima à história da Tauromaquia. “Meteu” mais de meia praça, num espetáculo agradável que divertiu, sem ser extenso, a preços convidativos, aproveitando um naipe de jovens, já com evolução, que não compromete a qualidade do mesmo. Bem pelo contrário! O empenho, a vontade de evoluir e triunfar e o oficio que já tem fazem com se vejam com interesse e até com entusiasmo. Resultou bem a fórmula, que nos parece, pelos motivos antes expostos, ser uma solução para outros sítios que estão num “limbo” entre dar uma corrida fraca ou não dar espetáculo, com receio do seu insucesso financeiro…muito especialmente quando a organização é do tipo “local”. Três “coelhos com uma cajadada”: Não se perdem datas, ganha-se no espetáculo (em tempo, preço e interesse) E FOMENTA-SE O FUTURO (dentro e fora da arena). Fica o exemplo!!

Os Coimbras saíram com apresentação correta para o espetáculo, deixaram-se lidar sem problemas de maior e foram um “bom parceiro” para os artistas. Nas pegas tiveram aquela pontinha de fiereza característica da ganadaria mas sem dificultar em demasia. “Sairam” bem.

Francisco Núncio abriu praça e deu o mote, com uma atuação de domínio completo de tudo o que passava, entendeu o novilho na perfeição, fácil na brega, com critério e conhecimento na escolha dos terrenos, deixou a ferragem num registo de corte clássico, mas com ligação na lide e ao público. Mesmo que não “jogasse em casa” triunfava. Gostámos muito…Parece-nos que pode começar a entrar num patamar de espetáculos acima!

Correia Lopes é o “mais verde” dos quatro atuantes na noite. Empenhado, procurou lidar e com sentido, mas faltou-lhe algo mais de ligação na lide. Esteve bem dentro do seu nível de evolução, não deslustrou a exibição e mereceu o carinho da assistência…O caminho faz-se caminhando!

Joaquim Brito Pais é o mais “placeado” e rotinado dos quatro. À vontade e com soluções pedia mais oponente. Andou na lide que tinha para fazer e com o ruço escuro com ferro PHM, bordou o final de lide com as melhores execuções da atuação. Faltou mais oponente para chegar ao publico. Bom contributo para a noite.

António Núncio deu a volta a um novilho que nos pareceu com defeito de visão. Não se acanhou, tem raça e puxou dela para dar a volta ao oponente. Compôs lide asseada, ligada, com brega fácil e colocação com critério. Chegou-se ás bancadas com facilidade e guardou saborosa atuação. Mais um que está no bom caminho.

Nas pegas, as “canteras” de Lisboa e Évora resolveram muito bem a papeleta. Não era complicada, mas os forcados também não são rodados em toda a formação e por isso se valoriza o “trabalho dos rapazes”. Por Lisboa, Bernardo Reboredo e António Galamba ambos à 1ª e por Évora João Salgado à 2.ª e José Maria Passanha à 1ª numa pega muito bonita.

No final, o júri atribuiu os prémios para melhor lide e pega a António Núncio e José M. Passanha, com um simbólico e bonito candidato a Património Imaterial da Unesco, o Chocalho das Alcáçovas. Que já só tem, em atividade, quatro “mestres chocalheiros”.

Dirigiu com acerto a dupla Sr. João Cantinho e Dr. Feliciano Reis.

Viva a festa com gente nova…deixem-nos passar!!

Para ver

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*