Amieira: Baluarte de Tauromaquia!!

Beira grande lago, uma aldeia em que se respira toiro por todo o sitio, nas ruas, nos cafés, nas conversas, levado ao expoente máximo sempre que há corrida na sua castiça praça, com envolvente arranjada e funcional. Cartão-de-visita, exibe-se na rotunda de acesso à aldeia imponente e orgulhosa estátua ao toiro e ao forcado. Assim, sem vergonha, sem medos, com garbo e orgulho os Amieirenses se reafirmam PORTUGUESES!

Mais uma vez foram exigentes na corrida das festas anuais, realizada no passado Sábado. Pela 1ª vez no formato de corrida concurso de ganadarias, registou 2/3 de entrada para ver um espetáculo que não sendo de momentos folclóricos, foi de muito interesse toureiro e sobretudo lidador.

 Nota de destaque, porque aqui temos vindo a alertar para os formatos de concessão de prémios em espetáculos taurinos, aos poucos e pontualmente, começamos a ver empresas a praticar medidas para as quais vimos aludindo no sentido da justiça possível, num espetáculo de avaliação tão subjetiva, sempre que se anunciam troféus em disputa. Verdadeira Festa, Lda instituiu os prémios para melhor cavaleiro em praça (só faz sentido assim, dois toiros no mínimo para cada, ao invés da tão propalada melhor lide), Melhor Grupo em praça (só faz sentido assim e desde que cada Grupo pegue pelo menos três toiros, ao invés da tão propalada melhor pega) e os já praticados prémios de apresentação e bravura para as ganadarias a concurso. Srs. Empresários, comissões de festas, negociantes do boi e outros que mais, ponham os olhos neste exemplo da Verdadeira Festa, Lda. Evoluam, deem credibilidade e importância a um ingrediente que pretendem que venha a ser um atrativo, ao invés de algo que não conta para nada ( umas fotos, algumas discórdias, e tudo continua igual).

Bonitos, bem apresentados e de variado jogo os enviados a concurso. Todos com idade adulta, tiveram picante e trouxeram emoção vários, em bora não tenha sido um concurso em que os sinais de bravura abundassem, bem pelo contrário. Ganharam o exemplar de António Silva (apresentação), era o maior e o de Murteira Grave a bravura, foi o melhor do encerro. Fica a pena de termos visto lidar pouco, no sentido de se dar primazia ao toiro, deixar vê-lo em diferentes terrenos e situações e com menos capotes, logo desde a saída. Afinal estávamos em Concurso de Ganadarias.

O júri deste prémio foi constituído pelos Srs.: Nuno Cabral, Miguel Ortega Cláudio e Rui Gato.

 Dizer que se sentiu desde o inicio que, os atuantes sabiam que nas bancadas havia gente que não se deixa enganar, pela postura, concentração e seriedade evidenciadas, sobretudo perante as muitas dificuldades que se lhe depararam. Sempre que um peão se "estendia" nas suas funções com o capote e o toiro, assobio de aviso, curto e incisivo.

António Telles não teve grandes opções de triunfo na tarde. Nunca se entendeu com o manso a adiantar-se de Silva Herculano que lhe tocou de saída e em 2º, um invisual de Santiago que mesmo à voz era imprevisível quanto a investida, momento e orientação. Esteve profissional, sério e lutador perante os acontecimentos.

Da mesma forma profissional, sério e lutador andou Luís Rouxinol, acrescentou a rodagem de lidador num lote que não era pera-doce. Manso e desinteressado o Silva, codicioso e matreiro Veiga, com algum picante. Tem soluções de quadra para quase tudo. Andou sempre laborioso a lidar, a contrariar a tendência para tábuas de ambos, sempre em cima, com sentido e tarimba, recorreu aos "ramalhetes" no final das lides, quando já dera a volta a ambos, em plano de triunfo de lidador e sério.

Filipe Gonçalves vinha apertado entre os dois "maestros" e respondeu dentro do seu estilo mais sóbrio, mais maduro e menos exuberante, que vem agradando mais ao publico, o de sol e o de sombra. Teve o melhor lote e isso valeu-lhe poder explanar essa maturidade e placeamaento. No primeiro de Sommer D'Andrade, manso encastado com algum som, em nossa opinião equivocou-se ao pretender vence-lo em terrenos de curros. Aí não teve ajuda e perdeu algum brilho maior a lide que parecia bem encaminhada, até a troca de montadas. No seu segundo, o belíssimo Grave, esteve enorme ao pará-lo sozinho, na saída com muitos pés, motor e fiereza do oponente. Logo aí deu o mote para uma actuação bem conduzida, tirou o proveito todo que podia e desenhou os melhore curtos da tarde, de frente e a rodar o piton. Compôs no final com os adornos e números mais populares, em dose quanto baste. Foi a lide mais conseguida e impactante. Belo triunfo. Filipe Gonçalves foi premiado com o troféu de melhor cavaleiro em praça.

O júri deste prémio foi constituído pelos Srs.: António Santos, Tiago Amarelo e Rui Piteira.

Nas pegas uma tarde de boas execuções e sem complicar, por parte dos forcados de ambas as formações. Maior destaque para a valentia e arte dos caras que tiveram situações diversas em que a habilidade e toreria foram cruciais.

Por Montemor, Francisco Barreto à 3ª ( tentativas duras num toiro que se defendia ostensivamente, com um piton), Antonio Monteiro à 1ª (com muita habilidade frieza a reunir, num toiro que o quis "enganar" por duas vezes na reunião) e Manuel Ramalho bem à 1ª.

Por S. Manços, três pegas à 1ª, por João Fortunato (enorme a aguentar e a templar com frieza e coração, saída rápida e extemporânea do Silva), José Capela e Rui Frexa (ambos em problema e bem). Venceu o prémio para o melhor Grupo em Praça.

O júri deste prémio foi constituído pelos Srs.: Manuel Murteira, Luis Segão e Miguel Sotero.

Dirigiu o Sr. Agostinho Borges assessorado pelo Dr. matias Guilherme.

Apenas uma nota para as incongruências a limar que começam a surgir com a implementação do novo regulamento: O director de corrida deu lenço para volta do ganadero, no final da lide do seu toiro, respeitando o regulamento. Como era concurso este recusou, e muito bem, mesmo sob a pressão do publico. Foi o vencedor. E se não fosse? E fará sentido os lenços em corridas concurso, sejam de ganadarias, toureiros e/ou forcados? para reflexão. Também aqui triunfou o Dr. Joaquim Grave.

 

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