Terça-feira, Dezembro 6, 2022
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António Badajoz, lenda da tauromaquia portuguesa, morreu aos 99 anos

António Badajoz, considerado um dos melhores bandarilheiros portugueses de todos os tempos, morreu esta semana aos 99 anos em Coruche (Santarém), indicaram num comunicado conjunto a Federação Portuguesa de Tauromaquia e associação ProToiro, que o consideram uma “lenda”.

Segundo o comunicado, que não adianta as razões do óbito, “António Badajoz”, nome artístico de António Pereira Cipriano, nasceu em Coruche a 22 de setembro de 1922, tendo aprendido a arte com Francisco Susana, na mesma vila, chegando a profissional na Praça de Touros do Campo Pequeno, a 09 de setembro de 1949, data da alternativa concedida por Manuel Segarra.

“A ProToiro, e as associações que a compõem, vêm por este meio manifestar a sua profunda consternação pela morte do bandarilheiro António Badajoz, uma lenda da tauromaquia que faleceu hoje em Coruche aos 99 anos”, lê-se no comunicado.

Para Nuno Pardal, presidente da Associação Nacional de Toureiros (ANT), “Portugal perdeu hoje um símbolo da tauromaquia, um grande ‘Maestro de Prata'”.

“António Badajoz tinha uma sensibilidade e um conhecimento profundo do toiro como muito poucos. Foi um génio que influenciou gerações. Pessoalmente, perco um amigo, um mestre, a pessoa que mais me marcou no meu trajeto de cavaleiro tauromáquico”, sublinhou Nuno Pardal.

“Foi um sábio do toureio que difundiu o seu enorme conhecimento do toiro e do toureio por diversas gerações de ganadeiros, cavaleiros, matadores e bandarilheiros. A sua obra e exemplo ficarão marcados para sempre na história da cultura tauromáquica portuguesa”, frisou, por seu lado, o presidente da ProToiro, João Santos Andrade.

O bandarilheiro, já como profissional, ensinou esta arte ao seu irmão mais novo, Manuel Cipriano “Badajoz”, que seguiria os seus passos, tomando a alternativa em 1953.

Ainda segundo o comunicado, os irmãos “Badajoz” fariam, a partir daí, boa parte das suas carreiras toureando juntos, sendo uma referência na tauromaquia portuguesa.

A carreira de António Badajoz foi longa e passou pelas grandes praças e feiras na Europa e América, tendo toureado também em África e na Ásia, em corridas que se realizaram em Macau e na Indonésia.

Além de Manuel dos Santos, vestiu-se igualmente ‘de prata’ nas quadrilhas de Francisco Mendes, José Júlio e José Trincheira e de um conjunto importante de cavaleiros tauromáquicos, como João Branco Núncio, Luís Miguel da Veiga, José João Zoio, Emídio Pinto, Manuel Jorge de Oliveira e Paulo Caetano.

Nos anos 1950, os irmãos António e Manuel Badajoz fundaram a Escola de Toureio de Coruche, que viria a originar o aparecimento de vários bandarilheiros e matadores, entre eles José Simões, Ricardo Chibanga, José Falcão, Óscar Rosmano, Parreirita Cigano e Víctor Mendes.

Os últimos alunos desta escola foram José Alexandre e João Carlos Lorena.

António Badajoz despediu-se do público na Praça do Campo Pequeno, a 05 de setembro de 1991, depois de testemunhar grande parte do toureio português e internacional do século XX.

Por: Lusa

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