Bullfest, uma semana depois….

Normalmente é na política que se fazem balanços de tempos em tempos, mas neste caso irei analisar o que mudou na Tauromaquia portuguesa passado uma semana da realização do BullFest.

Antes de ir à análise propriamente dita, devo dizer que jamais sou contra algo que defenda ou tente defender a Tauromaquia. É uma ressalva que faço, pois parece que de repente surgiram dúvidas, talvez porque exprimi a minha opinião num espaço abrangido pela liberdade de imprensa, mas também um espaço regulado e sempre que infringir alguma lei, emitir algo que não corresponda à verdade ou seja publicado algo de que forma caluniosa atinga pessoas ou entidades serei punido, ao contrário de blogues e redes sociais onde cada um exprime o que lhe vem à cabeça e que serve os seus interesses, sem que seja regulado, esta é a diferença.

Passemos à análise do que mudou passado uma semana da realização do Bullfest.

Fazendo assim um olhar superficial, poderia afirmar que pouco mudou na Tauromaquia Portuguesa, mas fazendo um olhar mais preciso sobre a matéria, posso afirmar que algumas coisas mudaram.

Comecemos pela imprensa, sem dúvida que há muito que não via a imprensa taurina tão unida em torno de algo, mas confesso que fiquei surpreendido com alguns, porque apregoam-se tão donos da verdade e depois dou comigo a pensar, será que estivemos no mesmo evento? Mas o que é certo, é que estivemos e muitos daqueles que escreveram artigos de opinião estiveram a meu lado praticamente o dia todo e a opinião era a mesma que a minha, depois, talvez para parecer bem, a opinião foi completamente contrária. Compreendo que devemos enaltecer sempre o positivo, mas também sou da opinião devemos alertar para o que está menos bem para a festa brava, da qual todos gostamos, possa evoluir. Há que criticar sempre construtivamente e também apresentar alternativas e foi o que fiz logo no dia.

Outra das situações que mudou foi sem dúvida a maior visibilidade da Tauromaquia aos mais novos, ou seja, aqui sim abriu-se mais a Tauromaquia aos mais pequenos. Nos dias subsequentes vimos nas redes sociais muitos aficionados a mostrarem os seus filhos a brincarem às touradas e outras brincadeiras. Vimos ainda alguns a mostrarem que nos dias seguintes alunos de escolas de toureio a terem aulas, mas será que não as tinham antes do Bullfest?

Algo que também mudou no pós BullFest foi a discussão em volta da Tauromaquia Portuguesa, ou seja, o evento veio mostrar que a festa está viva, por vezes precisa é de abanões e penso que neste aspeto o evento veio criar discórdia e isso será sempre bom para haver uma troca de ideias e opiniões, para uma evolução. Porque o mal da Tauromaquia Portuguesa é que nos últimos anos está tudo de acordo, os toureiros estão sempre bem, os empresários trabalham todos bem, o único que por vezes falha é o touro, mas este também não tem voz para contrariar essas críticas…

A nível de projeção da Tauromaquia a nível nacional? Ai pouco mudou, pois foi na área da comunicação que a Prótoiro falhou e tem falhado desde início, ao pensar que a imprensa é um “bicho papão” e que não um aliado. Penso que a intenção não seria da imprensa noticiar algo a correr e em ultima hora, mas sim tentar formar uma força e de forma orquestrada divulgar com forma qualquer tipo de evento ou atividade da Protoiro, mas infelizmente assim não é… E depois que resultado? Alguém viu notícias de destaque sobre o BullFest nos órgãos generalistas? Como por vezes se vêm as notícias anti-taurinas? Pois é, o evento foi desvalorizado, CMTV e pouco mais…

Não querendo criticar mais, para não parecer que estou contra o evento ou algo parecido, vou apresentar algumas sugestões para no futuro se ter em conta.

Pois bem, o objetivo do BullFest foi e é sempre bom, trazer novos públicos à Tauromaquia, pelo que acho que era bastante interessante, e como se faz noutro tipo de espetáculos, promover no mesmo dia e à mesma hora um conjunto de atividades em redor de várias praças do país, porque não num local em cada distrito?

Depois na edição deste ano o BullFest limitou-se à entrada principal do Campo Pequeno, porque não alargar a todo o recinto em volta da praça? Em jeito de Mega Piquenique do Continente, não diria trazer touros bravos para a rua, mas realizar as demonstrações de toureio de salão na rua, trazer o fado para a rua, colocar ranchos folclóricos na rua, ou seja, vários palcos.

Outra das situações a melhor é o garantir de que a maioria dos intervenientes da festa estejam presentes, porque no dia 18, marcámos faltas a muitos…

É certo que a Tauromaquia envolve um conjunto de artesãos, que também poderiam ser dados a conhecer, como é o caso da manufatura das bandarilhas, porque confesso que esperava ter visto no dia 18 os emboladores a fazerem bandarilhas para todos verem, ou até mesmo mostrar como se embola um touro, utilizando por exemplo uma tourinha. Ou então mostrar como se cosem as casacas, entre outros tipos de artesanato ligado à Festa Brava.

Como podem ver, muitas ideias se podem ter para este tipo de evento, mas claro, dá trabalho e tem de ser começar a preparar com muito tempo de antecedência.

E aqui ficou um pequeno balanço do que poderá ter mudado no pós BullFest, que na minha opinião foi pouco, mas ficam também algumas sugestões para o futuro.

Podem agora dizer que assim é fácil, depois do BullFest ter acontecido, é fácil vir criticar, ao que eu respondo, e antes alguém pediu opinião? Pois….

Para terminar, gostaria de dizer aos que criticaram o que escrevi, que as fotos que foram publicadas por todos os meios de comunicação, penso que falaram por sim, a não ser aquelas que foram tiradas uma hora antes do festival taurino, em que os aficionados aguardaram a abertura das portas do Campo Pequeno, que estavam fechadas. Temos de ser verdadeiros e não atirar areia para os olhos das pessoas.

Ah! E só mais uma coisa, no meu ultimo artigo não critiquei o festival taurino, mas o seu evento num todo e não o fiz num pós, mas sim logo na altura.

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