Campo Pequeno, Se há toiros, há festa!

A noite no Campo Pequeno começou com uma forte ovação homenageando o prestigiado Ganadeiro Mário Vinhas, que junto com o seu saudoso Irmão Manuel iniciou á mais de sessenta anos esse difícil caminho que é ser ganadeiro de bravo. Aficcionado de excelência e ganadeiro meticuloso proprietário de um encaste único (Santacoloma) na cabana brava Portuguesa, que mostrou mais uma vez ser um ícone de bravura. O que se viu, e sentiu foi a maior das homenagens que um ganadeiro pode ter.

Tomás Pinto confirmava a alternativa nesta noite, de todos, foi o cavaleiro que mais arriscou, a irreverência da sua juventude não permitia outra coisa; é desta maneira de estar em praça e forma de tourear que se fala quando se diz que fazem falta novas figuras á festa, Tomas fez sentir isso. Inspirado, pisou terrenos de compromisso toureando com emoção, foi a confirmação de um toureiro de verdade.

Joaquim Bastinhas teve nesta noite certamente uma das suas lides da temporada, senão a melhor da temporada; conquistando o público logo desde o inicio da lide, imprimiu á sua actuação uma intensidade só conseguida por muito poucos, fez vibrar as bancadas de uma forma que raramente acontece; sem ser redundante uma lide “á Bastinhas” é rubricada pelo par de bandarilhas e o salto da montada para receber de braços abertos o sabor dos muitos aplausos.

António Ribeiro Telles não teve a lide sonhada; um toiro que se viu diminuído depois de “afocinhar” sofrendo daí uma possível lesão que o levou a defender-se, dificultando assim a actuação do Maestro da Torrinha que pouco mais fez que cravar a ferragem da ordem, não deu volta.

A Vítor Ribeiro calhou “a fava” da noite, um toiro que se adiantava barbaridades e que complicou bastante a vida a este cavaleiro; foi agarrado sem consequências logo no primeiro comprido, ficou o susto, mas depois com valentia e arrojo deixou a ferragem da ordem e a volta também ficou por dar.

Gilberto Filipe triunfou mais uma vez na arena Lisboeta, uma lide que levou emoção ás bancadas, e deixou bem claro que os triunfos não acontecem do acaso.

Miguel Moura fechou a porta da temporada Lisboeta com uma actuação monumental, bateu o pé a um toiro sério e bravo que não permitia erros, Miguel lidou-o de forma primorosa cravando ferros de arrepiar, no remate dos dois últimos de palmo transformou a montada numa “muleta” e toureou em redondo duas “séries” para recordar; é mais um dos jovens de quem se fala!

Os forcados de Santarém efectivaram as suas pegas á primeira tentativa por intermédio de António Grave de Jesus,  Lourenço Ribeiro apenas concretizou á quarta e Rubén Giovetti á terceira. Pelos forcados de Montemor a comemorar as bodas de diamante, data que nesta noite ficou marcada com o descerrar de uma placa no pátio de quadrilhas, pegaram os seus três toiros á primeira tentativa, sendo caras: o Cabo António Vacas de Carvalho, João Braga e Filipe Mendes.

Caiu assim o pano da temporada do Campo Pequeno, com um triunfo ganadeiro histórico, (o primeiro toiro da noite voltou ao campo e o ganadeiro deu volta logo no segundo) que fez avivar a muitos aquilo que é um toiro bravo, e que fez corar de vergonha outros tantos que preconizam um tipo de toiro que em nada dignifica a festa mas que infelizmente prevalece nas nossas praças; o principal mal da festa que todos falam está ai!

Cumpriu-se o desejo de sempre: Que a praça encha, que os toiros invistam e que os toureiros triunfem! Já com saudade! 

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