Concurso de ganadarias em Paio Pires com meia casa

Foto: João de Sousa / Infocul.pt

Foto: João de Sousa / Infocul.pt

Na Paio Pires Arena decorreu ontem, dia 2 de Agosto,uma corrida de touros à portuguesa, concurso de ganadarias. Para ver este espectáculo o público preencheu perto de meia casa.
Lidaram-se touros de Fernandes de Castro, Sommer de Andrade, José Luís Vasconcellos e Souza de Andrade, Canas Vigouroux, Passanha e Vinhas.

Os touros foram lidados pelos cavaleiros Duarte Pinto, Francisco Palha e Miguel Moura; em praça estiveram ainda os forcados Amadores de Lisboa, cujo cabo é Pedro Maria Gomes e Amadores do Ramo Grande, cujo cabo é Manuel Pires.

Estavam em disputa os prémios de apresentação e bravura bem como para a melhor lide e a melhor pega.

Dirigiu o espectáculo o director Ricardo Dias assessorado pelo veterinário Carlos Santos.
Nas ganadarias postas a concurso era predominante o sangue Parladé com excepção do Passanha (Murube) e de Cana Vigouroux que tem sangue Cabral Ascensão e Simão Malta.
De um modo geral os toiros cumpriram, dando bom jogo. 

Abriu Praça Duarte Pinto a quem calhou o Fernandes de Castro que havia de ganhar o prémio bravura. Feio de cara, bisco do corno esquerdo mas sempre com ganas para arrancar de todo o lado, perseguindo com afinco, a montada. Duarte Pinto deu-lhe uma lide ao seu jeito, com quarteios simples mas que quando ajustados, chegam ao público. 

Volta no final da lide.

O Canas Vigouroux que lhe tocou em sorte na segunda parte teve uma saída alegre sempre de cara levantada. Bonito, ganhou o prémio de apresentação. Era duro de rins e por vezes adiantava-se, fazendo com que as reuniões nem sempre saíssem perfeitas e com algumas a cilhas passadas. Destaque pela positiva, o terceiro e quarto curtos.

Volta no final da lide.

Para Francisco Palha estava guardado o segundo da noite, de Sommer de Andrade que tem uma saída bonita, levemente engravitado é um toiro a quem o prémio de apresentação também assentava bem. Francisco não se sentiu bem com ele, levou alguns encontrões mas também cravou bons ferros, os três últimos curtos por exemplo. Mas os Artistas honestos são assim mesmo: quando acham que não estiveram bem, ninguém os convence do contrário. Não deu Volta no final da lide. Parabéns pelo exemplo. É outro modo de triunfar!

Com o Passanha que lhe calhou na segunda parte também não esteve a seu gosto. Entre encontrões e ferros bem cravados, o saldo foi nitidamente negativo. 

Também neste, não houve volta no final da lide.

Miguel Moura teve pela frente um da ganadaria de Vasconcellos e Souza de Andrade que recebe com duas tiras bem executadas e depois de passar para os curtos, tenta câmbios mas como os faz muito marcados, descompõe por duas vezes a investida do toiro. Com as sortes menos marcadas, a lide sai escorreita e chega forte ao público, ouvindo-se aplausos fortes. Esta actuação ganharia o prémio para a melhor lide.

Volta no final da lide.

No que fechou o espectáculo, um Vinhas de 600 Kg e ganas de se lhe tirar o chapéu, nem sempre foram bem calculadas as viagens, havendo lugar a alguns encontrões e como a arena já estava muito revolvida o cavalo ainda chegou a escorregar, com o toiro por perto. Não foi a lide com que Miguel Moura sonhou.

Volta no final da lide.

Quanto aos forcados, tinham tarefas bem difíceis para resolver.

Pelos de Lisboa pegou Vítor Epifânio à terceira tentativa. O Fernandes de Castro vinha com muita pata e batia forte e só com um grande querer e sentido de entreajuda conseguiu fazer uma pega dura e complicada.

Volta 

O Vasconcellos e Souza de Andrade calha a Duarte Mira que na primeira tentativa fez uma “quase pega”, tendo sido desfeiteado já com o grupo a fechar; na segunda tentativa sofreu um tremendo derrote e na terceira tentativa quando o toiro sentiu todo o grupo em cima, deixou de lutar.

Volta

Bernardo Reboredo saltou para pegar o Passanha. Não se sentiu a gosto, só à terceira conseguiu pegar com excelentes ajudas mas não houve direito a volta à arena.

Os Açorianos do Ramo Grande escolheram José Sousa para começar a sua actuação frente ao Sommer de Andrade. O toiro, especialmente depois da lide a cavalo impôs o medo na arena, desde os bandarilheiros aos forcados ninguém estava confiado. A pega à terceira tentativa, foi um alívio.

Como Francisco Palha não quis dar a volta que lhe tinha sido concedida, apenas o forcado o fez.
César Pires ficou muito combalido da pega ao Canas de Vigouroux e a pega consumou-se com ajudas de ambos os grupos. 

Não consegui perceber se lhe foi concedida volta e ele não quis ir, ou se não lhe foi concedida. 

O Vinhas veio para encerrar a corrida e que encerramento!

Manuel Pires, cabo do grupo açoriano citou de largo e o toiro arrancou franco – alguém ao meu lado dizia que parecia um comboio – meteu bem a cabeça, o forcado fecha-se mas o grupo não consegue suster o impacto e “aquele comboio” vai esbarrar com estrondo na trincheira, ficando esta destruída em parte, por onde passou o forcado da cara e a cabeça do toiro. Resumindo: o toiro ficou com a cabeça dentro da trincheira com o forcado lá bem agarrado e o restante grupo dentro da praça. Foi vital para o desfecho da pega a colaboração dos forcados de ambos os grupos e os acompanhantes dos forcados de Lisboa que prontamente acorreram em socorro deste colega de lides que se encontrava em aflição.

Duas voltas para o forcado e prémio para a melhor pega da noite.

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