Covid-19: Paulo Pessoa de Carvalho: “Numa perspectiva bastante positiva, talvez tenhamos corridas na segunda quinzena ou finais de Junho”

Numa altura em que a pandemia Covid-19 obrigou a ser decretado o Estado de Emergência e a parar praticamente toda a actividade ligada à cultura, o sector tauromáquico não fugiu à crise.

Neste sentido, o Toureio.pt falou com Paulo Pessoa de Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET) a fim de saber como estão os empresários tauromáquicos a encarar esta situação e o que se pode perspectivar de agora em diante

Paulo Pessoa de Carvalho revelou-nos que “neste momento ainda estamos a cair na realidade que de dia para dia nos transporta para cenários de maior contenção e isolamento a todos os níveis. Como se entende, não é muito fácil com o isolamento que temos tido, haver grandes reuniões e tomadas de decisões que possam traçar um plano estratégico de defesa e alternativa às empresas taurinas, tanto que, mais a mais, estamos dia a dia a perceber o crescimento e a escalada da doença com todas as suas consequências naquilo que afecta a vida de todos os portugueses”.

Ou seja, “até haver uma estabilização da chamada linha de evolução da doença, até atingirmos o seu pico e se poderem começar a fazer prognósticos mais ou menos fiáveis de datas, para que a vida a pouco e pouco possa ir retomando a normalidade, será prematuro de alguma forma fazer grandes planos”.

Mas Paulo Pessoa de Carvalho revelou que “no entanto, posso avançar que a APET que neste momento tem na sua direcção além de mim o Rui Gato, criou um grupo de trabalho constituído pelo José Luís Gomes e pelo Ricardo Levesinho, que tem como objectivo além de olhar para o futuro da APET, desde já e no imediato, traçar um plano estratégico tão breve quanto possível que minimize os danos desta tragédia. Estamos neste momento a estudar o plano promovido pelo governo criado para todas as áreas de actividade económica e em particular o que foi criado para a área da cultura, da qual a tauromaquia faz parte integrante: “não paramos ESTAMOS ON” dirigido a quem tem uma estrutura, sejam empresas; associações; cooperativas; fundações da área da cultura; ou ainda trabalhadores independentes que tenham a seu cargo trabalhadores por conta de outrem, para depois de analisado o documento, possamos fazer chegar a todos aos nossos associados um memorando do mesmo para que cada um per si possa aproveitar se tiver enquadramento com o mesmo, minimizando de alguma forma os danos causados por esta abrupta paragem da vida económica do país. Neste momento e com a informação que temos é o pouco que podemos fazer …

Quanto à retoma da actividade, o presidente da APET constatou que “neste momento efectivamente não existem previsões em que nos possamos fiar para retomar a realização de espectáculos tauromáquicos, tudo tem a ver com a famosa curva que a pandemia terá em Portugal, que nos projectará mais ou menos para a frente no calendário. Diria que Maio está morto, numa perspectiva bastante positiva, talvez tenhamos corridas na segunda quinzena ou finais de Junho. O que se passará com cada empresa não sei, mas uma coisa será certa, o desaceleramento por parte das empresas tauromáquicas inclusive em novos projectos que necessitam de alguma programação o que neste momento não é de todo possível, a não realização de corridas importantes, gerará obrigatoriamente perdas que irão afectar a actividade, se com isto algumas empresas se extinguirão, não lhe sei responder, creio que talvez não, mas tudo terá a ver com a dimensão dos danos que venham a acontecer. A questão dos empresários ou grande parte deles terem outra actividade, talvez seja um pouco e no caso, uma ajuda para que a “pancada” não seja tão forte …”, após termos questionado de poderiam existir empresas a extinguir-se ou se o facto de muitos dos empresários tauromáquicos terem outra actividade, poderia ajudar esta área.

Quanto ao site criado pelo Ministério da Cultura, para os agentes culturais, Paulo Pessoa de Carvalho revelou que “estamos a analisar e tão breve quanto possível passaremos a informação aos nossos associados, mas de fora só ficaremos se não reunirmos os requisitos que são necessários, mas assim de repente e pela primeira análise efectuada, penso que uma ou outra empresa poderão vir a beneficiar das medidas”.

Questionámos ainda se com a supressão de tantos espectáculos, poderia haver a sobreposição de corridas aquando da retoma do normal funcionamento da actividade tauromáquica, tendo Paulo Pessoa de Carvalho revelado que “não sabemos se esse risco haverá ou não, mas tudo faremos para que isso não aconteça. Algumas por serem datas tradicionais como o dia 25 de Abril em Alter do Chão, seguramente que caiem do calendário taurino neste ano em definitivo, agora as outras que estão a ser adiadas, esperemos que respeitem as datas que são tradicionais e as que já estavam anunciadas, mas também neste novo grupo de trabalho da APET, essa é uma questão que está a ser trabalhada e que deverá entretanto ter novidades para ajudar a evitar exactamente esses problemas”.

Explicou ainda de que “não faço a mínima ideia [do estado em que se retomará a actividade], nem sei quem a possa fazer, mas espero que quando se retome a promoção dos espectáculos tauromáquicos, que isso aconteça com todo o seu vigor e que esta paragem inesperada e obrigatória que estamos a ter, dê aos aficionados maior avidez deste tipo de espectáculos e os faça regressar em força. Esperemos que os danos causados nas diversas actividades económicas permitam que exista ainda alguma disponibilidade financeira aos consumidores …

E quando regressarem as corridas: faltará público por medo de contágio que pairará na mente de cada um ou as praças encher-se-ão devido ao entusiasmo e ‘fome’ da arte tauromáquica? “Essa será outra questão que desconhecemos mas é um facto que poderá ser bem provável. No entanto isso dependerá muito da evolução que esta pandemia tiver no nosso país e dos danos que vier a causar, pois isso terá um impacto directo na retoma de tudo, tanto na da confiança como na económica. Quero no entanto acreditar que esse não será um problema …”, disse Paulo Pessoa de Carvalho

Não estão ainda estimados os prejuízos, mas existem e não serão pequenos. Sabemos que no campo ganadeiro as consequências já estão a acontecer, pois alguns toiros estavam no limiar da idade para serem lidados e já não o poderão ser, sabemos que o efectivo ganadeiro para este ano estava equilibrado e com esta paragem irão sobrar toiros, sem contar com o mercado espanhol que deixará de absorver outros tantos o que será um enorme prejuízo financeiro para os seus criadores, sabemos que os toureiros não estão a tourear e com isso a ter enormes percas, que os bandarilheiros deixam também de tourear, que as empresas também terão avultadas percas e em particular aquelas que já tinham promoções na rua, entre outras situações e todos os serviços que trabalham directamente ou indirectamente para e com a tauromaquia. Esta será uma estimativa que apenas mais para a frente poderá ser feita com alguma exactidão, mas uma coisa podemos dizer já, os prejuízos serão avultados!”, rematou.

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