Covid-19: Prótoiro revela que “vários ganaderos já fizeram abate de toiros da camada deste ano”

Com a chegada da pandemia da Covid-19 a Portugal a economia praticamente parou e afectou muitos sectores. A área cultural foi uma das mais atingidas, pois a partir de Março todo o tipo de espectáculo foi cancelado, arrastando milhares de artistas para uma crise económica sem comparação.

O sector tauromáquico não fugiu à excepção, pois trata-se de uma área cultural que atrai milhares de pessoas e que de um momento para o outro parou causando grandes prejuízos e não há para já uma data para um reinício.

Há duas semanas, a Ministra da Cultura anunciou um conjunto de medidas de apoio às artes, sem nunca mencionar o sector tauromáquico. Nesse mesmo momento, o Toureio.pt contactou a Prótoiro, que reúne todas as Associações do sector, a fim de saber o que estaria esta federação a fazer nos bastidores da política de forma a que, a Tauromaquia seja também apoiada nestes tempos de crise.

Perguntas que foram, apenas, agora respondidas por Helder Milheiro:

Toureio.pt (T) – Sendo a Prótoiro o organismo que reúne todas as associações do sector tauromáquico, gostaríamos de saber, quais são as principais dificuldades que estão a ser relatadas pelos membros da Prótoiro, relativamente a cada sector de actividade?

Protoiro (P) – No início desta crise definimos um modus operandi interno em que cada associação ficaria responsável por acompanhar os seus associados no dia-a-dia, identificar problemas e possíveis soluções, e a Protoiro, aglutinando todas as associações, ficou com o papel de criar um plano de medidas e de as fazer chegar ao ministério da cultura e junto dos partidos políticos. Esse acompanhamento está a ser feito e acima de tudo a grande preocupação é com as quebras de receitas e com a indefinição da retoma da actividade, algo que é comum a todos os sectores. 

 

“Estamos ainda a trabalhar com os grupos parlamentares tendo em vista o orçamento rectificativo que aí virá”

 

T – Ao longo dos anos, a Prótoiro sempre disse que trabalhava nos bastidores da política fazendo lobbie a favor da festa, questionamos que tipo de intervenção está a ter agora a Prótoiro junto do Governo e do Parlamento a fim de haver medidas de apoio directos ao sector tauromáquico, que foi um dos mais afectados pela Covid-19?

P – De entre as medidas já anunciadas pelo Governo, via Ministério da Cultura e da Economia, é possível aos artistas e empresários, incluindo ganaderos, recorrer a alguns apoios urgentes. No entanto existem especificidades da tauromaquia que têm de ser ajustadas nos apoios para que todos possam ser enquadrados. Por isso, dos sectores tutelados pelo Ministério da Cultura (Toureiros, Empresários e Forcados) aguardamos reunião com o Ministério para podermos transladar as pedidas de urgência necessárias e as propostas para o retomar da actividade, que queremos concertar com o Ministério e que terão de envolver a IGAC também. Iremos também reunir com a IGAC e DGS. Estamos ainda a trabalhar com os grupos parlamentares tendo em vista o orçamento rectificativo que aí virá, de modo a enquadrar devidamente o sector da tauromaquia nas medidas a aprovar. Fizemos ainda contactos ao nível do parlamento europeu.  

T – Caso já tenha sido contactado o Governo, qual foi a resposta e que reivindicações foram feitas pela Prótoiro?

P – Aguardamos respostas, como referi. 

 

“As associações têm vindo a fazer a recolha dos problemas e possíveis soluções”

 

T – Se ainda não foi feito esse contacto, irá ser feito? Quando? E que reivindicações podem ser feitas para o sector?

P – As associações têm vindo a fazer a recolha dos problemas e possíveis soluções que estamos a sistematizar para podermos apresentar junto do ministério. São propostas para duas fases: primeiro de mitigação dos efeitos da paragem da actividade, como apoios para os artistas, alargamento dos critérios de acesso aos apoios já disponíveis, moratórias e alívios fiscais, medidas de compensação por prejuízos entre outras, e medidas para a retoma da actividade, como a redução do IVA dos bilhetes para 6%, redução de taxas administrativas para os empresários, medidas de apoio à promoção, entre outras. 

T – Esta quarta-feira [15 de Abril], a Ministra da Cultura foi interpelada na Assembleia da República sobre possíveis apoios à Tauromaquia. Como viu a atitude de Graça Fonseca ao ignorar o sector?

P – Nada de novo. 

T – No futuro, de forma a apoiar o sector tauromáquico a Prótoiro pondera suspender as “taxas” cobradas por espectáculo aos intervenientes?

P – O caminho não passa por aí e não existem taxas nenhumas, existe uma contribuição por actuação. Esse não é o caminho porque sem a contribuição do sector para a sua defesa e promoção não existe Protoiro, logo nem defesa nem promoção do sector. 

T – Visto que a Prótoiro junta todas as Associações do sector, já foi feito algum tipo de análise para se apurar o valor do prejuízo causado pela paragem do sector devido à Covid-19?
P –
A situação é muito dinâmica por isso ainda é complexo apurar valores mas a perdas andam na casa dos milhões de euros. 

 

“Vários ganaderos já fizeram abate de toiros da camada deste ano”

 

T – É preocupante o número de touros que pode ficar no campo este ano? Poderá haver já ganadarias a passar dificuldades e a enviar touros para o matadouro?
P –
Vários ganaderos já fizeram abate de toiros da camada deste ano porque não é possível a sua lide, o que se traduz e perdas avultadas. Sem as touradas a criação do touro bravo é inviável. Como a Associação de Criadores de Touros de Lide já referiu se não houvessem corridas este ano os prejuízos estimados para as ganadarias seriam superiores a 7 milhões de euros, só de impacto directo. 

 

“Não podemos continuar em suspenso”

 

T – Caso já tenha havido conversações com o poder político, perguntamos se já há algum tipo de previsões para a retoma da actividade tauromáquica?

P – Neste momento nenhum sector tem certezas de quando nem como será a retoma das suas actividades. Existem algumas previsões de pequenas aberturas para o comercio em Maio, mas os eventos ainda terão de esperar mais tempo, mas é urgente definir um calendário para que o sector cultural possa planificar a sua vida. Não podemos continuar em suspenso.