Crónica: Uma boa tarde touros no festival a favor do CD Alcochetense

No passado sábado, dia 7 de Março de 2020 pelas 16 horas, organizou-se um festival tauromáquico na Praça de Toiros de Alcochete, a favor do Clube Desportivo Alcochetense. Como a praça esteve praticamente esgotada, a ajuda deve ter sido preciosa.

No início das cortesias foi guardado um minuto de silêncio por alguns aficionados que morreram, entre eles José Luís Figueiredo, nosso parceiro de escrita e ex-forcado dos Amadores do Montijo.

Que descansem em paz.

Como modo de agradecer a ajuda prestada, no intervalo do espectáculo foram entregues lembranças a todos os que tornaram este espectáculo possível.

O espectáculo correu a bom ritmo com o senão da ausência de Luís Rouxinol, que se lesionou durante a semana, mas que arranjou um substituto à altura, o seu filho Luís Rouxinol Jr.

O cartel era de postim e muitos organizadores o gostariam de ter nas suas corridas.

Os artistas que saíram à arena foram, respectivamente: António Telles, Gilberto Filipe, João Ribeiro Telles, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr., substituindo o seu pai, lesionado durante a semana numa sessão de treinos, António Prates e Mara Pimenta.

Os forcados, que estiveram muito bem, eram os de Alcochete e os do Aposento da Moita que têm como cabos Nuno Santana e Leonardo Mathias.

O espectáculo teve como directora Lara Oliveira, assessorada pelo médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

Os novilhos eram de José Palha, com encaste Parladé (Domec), com origem na ganadaria de João Moura.

De um modo geral os hastados saíram bem a investir em todos os terrenos, sem querenças, mas com sítio, deixavam-se colocar. Escorridos de carnes, com pesos entre os 320 e os 410 Kg e alguma falta de força nas mãos.

De António Telles, que abriu praça, salienta-se a brega e três curtos de bom-tom. Na pega o novilho não dificultou a vida ao forcado da cara, João Dinis dos Amadores de Alcochete, que ficou ao primeiro intento. O novilho que lhes calhou em sorte era o mais leve do festival, pesando 320 Kg e algo avacado, mas cumpriu com afinco.

Volta para cavaleiro e forcado.

Para Gilberto Filipe saiu um novilho com 370 Kg, feio de tipo, corniapertado e bisco. Foi recebido com três compridos sendo o último o melhor da série. Nos curtos, começa com quarteios terminando com violinos, um deles no pescoço do toiro. Bem na ligação ao toiro mas com alguma insegurança tendo o piso da praça contribuído para isso. O público da terra, sempre fiel aos seus, tributou-lhe forte ovação.

Pelos Amadores do Aposento da Moita saltou a trincheira André Silva que face às dificuldades apresentadas pela cornamenta do novilho e ao modo como investia, indo buscar o forcado às canelas, resolveu muito bem a papeleta à segunda tentativa.

Volta para cavaleiro e forcado.

A João Ribeiro Telles coube lidar o segundo mais pesado, com 405 Kg e fraco de mãos, como de resto quase todos os irmãos de camada.

Recebe o novilho com dois compridos, sendo que o segundo é uma tira bem desenhada. Nos curtos começa por cravar de frente saindo bem e ao estribo, muda de cavalo e tenta cambiadas que embora dando a primazia ao novilho, não lhe saem tão bem mas que empolgam público e cavaleiro. O desenho da sorte não sai escorreito mas provoca alarido nas bancadas.

A pega deste novilho coube aos amadores de Alcochete e de entre eles foi escolhido João Maria Pinto. Bem a chamar o oponente que mal o vê arranca, recua o suficiente e fecha-se com uma excelente primeira ajuda. O grupo fez o resto. Boa pega.

Volta para os artistas.

Francisco Palha não esteve nos seus dias. Teve pela frente o mais pesado da corrida com 410 Kg mas o melhor que se lhe viu foi uma porta gaiola bem desenhada e rematada; a ferragem foi sempre cravada com grande velocidade e nunca se “acoplou” ao toiro. Foi o único cavaleiro a quem não foi atribuída volta pela direcção de corrida.

A pega coube aos amadores do Aposento da Moita que escalaram Diogo Gromicho para a função. O novilho arranca alegre, de cabeça no ar, humilha na reunião e provoca uma reunião bonita. O grupo ajudou firme e consumou-se o que foi uma das melhores pegas da tarde.

A actuação seguinte coube a Luís Rouxinol Jr. que substituía o seu pai como ficou dito atrás. Coube ao mais jovem Rouxinol um novilho com 350 kg.

Nos compridos não esteve particularmente bem mas nos curtos, veio ao de cima o que sabe fazer e como comunicar com o público. Os curtos, de um modo geral saíram bem mostrando a veia artística que lhe vai no sangue. Quando saiu da praça ficou no ar o eco do triunfo.

Os Forcados de Alcochete escolheram para esta função Vítor Marques que efectuou outra das grandes pegas da tarde: bem a recuar e a fechar-se, o grupo bem a ajudar, foi um gosto ver esta “equipa” a fechar a pega.

Volta para cavaleiro e forcado.

Para António Prates foi sorteado um novilho com 340 Kg e começa por recebê-lo com dois compridos, o primeiro sem definir a sorte mas o segundo é de bonito efeito, indo calmo e sereno à cara do toiro e colocando o ferro ao estribo. Mudou de cavalo e crava o primeiro curto ao piton contrário, não se sente a gosto e volta a mudar de montada; agora sente-se melhor, indo lento e cravando ao estribo. Sempre que marca a sorte em demasia, o toiro vai no engano e não fica a jeito. Foi bom ver a evolução deste ginete.

Para pegar perfilou-se Manuel Queiroz, do Aposento da Moita que à primeira tentativa se fechou a contento, tendo sido bem ajudado pelos companheiros.

Volta para cavaleiro e forcado.

Para fechar o festival saiu à praça a jovem, ainda praticante, Mara Pimenta para lidar um novilho com 400 Kg. Com muito caminho ainda pela frente mas com boas maneiras e aficionada, tem futuro a novel amazona.

Recebeu o seu oponente com duas tiras e após mudar de cavalo, veio com ganas para os curtos. Começou com demasiada rapidez mas percebeu e começou por fazer as viagens mais descansadas e pausadas tudo ficando mais simples e mais bonito. Voltou a mudar de montada para terminar a lide com um palmito que só à segunda tentativa havia de ficar. Bem se pode dizer que era dispensável. Boa actuação no geral.

Manuel Teixeira Duarte, dos rapazes de Alcochete, efectuou uma pega eficaz sem que o oponente pusesse problemas de maior.

Volta para cavaleira e forcado.

Boa iniciativa e boa resposta dos aficionados que nesta altura já estão sedentos de espectáculos tauromáquicos.