“É no Alentejo que há maior número de aficionados, falo no sentido do público que ama a sua Festa, não dos pseudo entendidos”, diz Vasco Durão ao Toureio.pt

Foto: Emilio de Jesus

Vasco Durão cedeu, ao Toureio.pt, uma entrevista de balanço e também de análise à temporada tauromáquica em Portugal, e particularmente a temporada da Verdadeira Festa, a qual dirige.

A Verdadeira Festa teve “uma temporada que veio de menos a (muito) mais” começou por revelar antes de explicar a avaliação efectuada, “comecei em Reguengos, pelo Santo António, numa corrida que, embora resultasse bem artisticamente, não teve o público que eu desejava, devido aos 42° C que se faziam sentir. Seguiu-se Alcácer, pela PIMEL, que também foi uma boa corrida, mas com fraca entrada. O 15 de Agosto, em Reguengos, correu francamente bem, bem como a corrida da Amieira, em Setembro. Finalmente, a corrida de Alcácer, pela Feira Nova de Outubro, sem encher, teve uma belíssima entrada, correspondendo ao esforço da empresa, na montagem do cartel”.

De todas as praças que geriu, refere que a “ mais complicada é, sem dúvida, Alcácer. Porque estava um pouco queimada, e porque ainda só levo dois anos à sua frente. Penso no entanto que, aos poucos, vou conseguir recuperá-la. Este ano já registou alguma melhoria.”

Quando monta um cartel revela que “o toiro é a essência deste espectáculo. Tem que ter sempre a prioridade na montagem de uma corrida” esclarecendo que a aposta em Miuras e Murteira Grave em Alcácer, “Foi um risco que, graças a Deus, deu certo. Juntar as duas ganadarias mais prestigiadas de Espanha e Portugal, foi o concretizar de um sonho antigo. A primeira vez que fui a Zahariche foi em 1998 mas, por uma razão ou por outra, ainda não tinha conseguido fazer negócio”. Quanto ao facto de trazer ou não touros espanhóis a Portugal, disse que “é algo que nos faz hesitar, quando pensamos trazer toiros espanhóis. Tem que se fazer muito bem as contas, para ver se se justifica”.

Questionámos Vasco Durão se era correcto afirmar que privilegia o touro ao invés dos cavaleiros na montagem de um cartel, com o empresário a esclarecer que “como disse acima, o toiro é a essência da Festa, e é por aí que tem que se começar a montar um cartel. Mas de modo algum descuro o resto do cartel”.

Este ano voltou a ser empresário a solo, depois de nas últimas temporadas ter na empresa Rui Gato, muito se falando desta separação. O que é certo, é que ambos continuaram empresários e praticamente com os mesmos colaboradores, falo de Miguel Ortega Cláudio e António Santos.  Sobre esta questão, Vasco Durão esclarece: “Não houve nada de especial. O Rui Gato quis sair para dar mais atenção aos apoderamentos e iniciar um projecto a solo. Quanto aos colaboradores, o António Santos é o meu braço direito, e trabalha exclusivamente comigo. O Miguel Ortega Cláudio é um amigo, que faz o favor de me ajudar pontualmente”.

A base de montagem de um cartel, e regressando um pouco atrás na conversa com o empresário, são “além do meu gosto pessoal, tento ir ao encontro do gosto de cada público. Cada praça tem as suas preferências. Mesmo Reguengos e a Amieira, separadas por escassos 20 km, têm gostos diferentes”, desvenda.

Questionámos ainda o empresário sobre a pouca durabilidade das suas empresas, com Vasco Durão a contrariar esta ideia objectivando que “até hoje, só tive duas sociedades, a Aficionar (entre 1998 e 2004) e a Verdadeira Festa, em que tive um sócio, o Rui Gato, entre 2011 e 2016. Foram apenas duas sociedades, e não duraram tão pouco assim…”

A Verdadeira Festa, num trocadilho com o nome da sua empresa, é para o empresário “a Festa com seriedade e máximo respeito pelo público”. Já sobre o que mudaria na actual festa brava em Portugal, diz que “é uma Festa em que há lugar para todos os que demonstrem qualidade e valor, cada qual em seu sítio. Sou da opinião que, nas praças principais devem estar os artistas mais importantes (Toureiros e Forcados), e que estes não devem ir às praças menos importantes, nomeadamente às desmontáveis”. Acrescentou ainda ser necessário “desburocratizar, baixar os custos inerentes ao licenciamento das corridas… E sobretudo, repor o IVA dos bilhetes nos 6%”

Sobre esta temporada tauromáquica em Portugal analisa que “sem estar na posse de dados concretos, creio que se começa a registar uma recuperação da nossa Festa. Menos espectáculos (mesmo assim ainda demasiados), mas com mais público e maior qualidade”.

Como alentejano, revela que “é no Alentejo que há maior número de aficionados, falo no sentido do público que ama a sua Festa, não dos pseudo entendidos… É um público com menos poder económico que noutras regiões, mas que faz sempre um esforço para ir à tourada, pelo menos nas festas da sua terra”.

Vasco Durão disse ainda que na tauromaquia “há e sempre haverá divergências, mas que têm o seu sítio para serem resolvidas, não na praça pública”, acrescentando que “enquanto houver afición, o futuro está assegurado. O que é preciso é preservar essa afición. Muitas vezes parece que somos nós, agentes deste espectáculo, que queremos acabar com ele”. Sobre o que urge mudar é taxativo “quanto às possíveis mudanças, desburocratizar e baixar os custos inerentes ao licenciamento das corridas. Cada vez que há uma alteração, parece que é no sentido de dificultar a montagem dos espectáculos”.

Sobre a união dos diversos sectores da festa diz que “não[há] tanta como seria desejável, mas melhor que há alguns anos. Creio que a Prótoiro, enquanto federação das várias associações, veio “obrigar” a que houvesse alguma aproximação entre os vários sectores da Festa”. Sobre a Prótoiro diz que “tem feito um excelente trabalho, embora este trabalho seja, na sua maior parte, invisível aos olhos do público”, enquanto sobre a APET, “de cuja direção faço parte, não funciona tão bem como desejável, sobretudo devido ao alheamento dos seus sócios que, na sua maioria não comparecem nas assembleias”.

“Se fosse necessário, deveria servir de mediador, felizmente prevaleceu o bom senso e o espectáculo de Santarém foi adiado. Para bem de todos, dos espectáculos que se realizaram nesse fim de semana, e do próprio espectáculo de Santarém que, realizando-se noutra data, irá angariar muito mais fundos, para as vítimas dos incêndios de Pedrógão”, revelou quando questionado, pelo Toureio.pt, se a APET deveria ter uma palavra a dizer e servir de regulador ou então de mediador na questão da sobreposição de datas de corridas importantes.

Sendo aficionado do toureio a pé revela que não entra na onde dos que dizem que está de regresso á ribalta em Portugal, “julgo que não é tanto assim. Há alguma recuperação do interesse de outros tempos, mas só nalgumas praças e mesmo nessas, só em cartéis muito rematados”.

“O apoderamento do Paço Velásquez aconteceu. O que se passou foi que, após três temporadas a liderar o escalafón de matadores em Portugal, decidimos que este ano apenas tourearia em praias fixas. E após a corrida da Ascensão, na Chamusca, o Paco, à falta de mais oportunidades, decidiu cortar a temporada” esclareceu sobre o apoderamento do matador de touros.

Para 2018, revelou ao Toureio.pt que “a Verdadeira Festa vai manter as praças que já gere, Reguengos, Alcácer do Sal e Amieira. Não é minha intenção concorrer, este ano, a qualquer praça. Se for convidado para gerir alguma, estudarei essa possibilidade”. Acrescentou ainda que “não penso, de momento, apoderar qualquer toureiro”.

Rematou a entrevista com uma mensagem para os leitores do Toureio.pt, “que acreditem no futuro da Festa e que venham aos Toiros! Obrigado por esta oportunidade Hugo. Um abraço para ti e para todos os leitores do toureio.pt!”.

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