E tudo o defeso pode levar…

Hugo calado

Como certamente já denotaram, nas últimas semanas reduzimos muito a nossa atividade noticiosa, sentimo-nos… nem sei descrever.

Podem estar a pensar, mas o que temos nós [aficionados] a ver com o estado de espírito do Diretor do Toureio.pt, Hugo Calado? A que eu respondo que é uma necessidade que tenho em explicar o porquê deste abrandamento.

Confesso que ao iniciar a temporada, estava confiante que seria uma grande temporada taurina, até porque tudo se estava a organizar a tempo e horas, havia já datas em agenda de espetáculos de agosto, por exemplo. Eis que em fevereiro/março se começa a ouvir falar de um vírus que poderia vir a tornar-se numa grande pandemia… e assim foi.

Com tudo fechado, num confinamento total, pouco ou nada se ouviu falar de Tauromaquia ou dos seus agentes tauromáquicos, nenhum se preocupou como estava a imprensa taurina que vive dum sector que na altura parou.

Começou-se a falar de desconfinamento e eis que começam a aparecer os agentes da festa, primeiro com ideias de corridas à porta fechada e também de transmissão de touradas via internet, algo que levou a tomadas de posição de empresários que se mostraram contra e que depois viraram a casaca e até acabaram por transmitir corridas via net.

Depois houve umas primeiras manifestações, mais da parte dos forcados junto da Ministra da Cultura, sabe-se la porquê sem qualquer aviso à imprensa da especialidade. Por sorte ou azar dos manifestantes, a minha profissão de Jornalista da área generalista deu-me a oportunidade de acompanhar duas, mas confesso que só soube momentos antes, fui apanhado completamente de surpresa, algo que achei de uma desconsideração total, não a mim, mas à imprensa da especialidade.

Depois lá veio a primeira corrida, a 11 de Julho, em Estremoz e aí começou uma saga… Pois, concorde-se ou não, uma das medidas aprovadas era a redução do número de pessoas na trincheira, até aqui certo! O que não concordei e continuo sem concordar foi o fato de a Imprensa da Especialidade ser uma vez mais esquecida, ou seja, pura e simplesmente não havia lugar para os inúmeros fotógrafos, ora como não havia lugar decidiu-se que os fotógrafos ficassem… às portas dos sectores…

Durante a mini-temporada taurina fui argumentando, fui reclamando que aquele sitio, as portas, não era digno para a profissão que represento e muito menos era seguro em termos sanitários, pois é um local onde estão sempre pessoas a entrar e a sair e o fotografo… ali! Como disse, reclamei, argumentei e até ouvi uma reposta de um conhecido empresário, que a seu tempo direi o nome, que me disse “se tens medo do Covid faz uma pausa e fica em casa”.

Aquela afirmação confesso que, não esperava, mas compreendi… pois estava apenas a exigir dignidade para uma profissão que, pode não parecer, é a mais importante, apesar de não ser valorizada pela maioria e depois porque ao exigir pelo menos um lugar estava a impedir que tal empresário vendesse um bilhete e não ganhasse alguns euros…

Estas foram algumas das situações que, a mim, Hugo Calado, me deixaram desiludido e até mesmo frustado, porque olhando bem, fui o único a reclamar direitos, tanto junto de empresários, como até junto da IGAC.

Mas esta temporada não foi boa, eu diria mesmo que foi aquela em que se baixou o nível e a categoria da nossa Festa, mas claro houve exceções e falo daquelas corridas em que estive, por exemplo, Coruche(!), Nazaré e…pouco mais… Coruche então foi um exemplo a seguir em termos de medidas de prevenção Covid e atenção que falamos duma associação e não de empresários…

Durante a temporada vi por muitas vezes escrito que espetáculo x cumpriu todas as medidas de combate à Covid e muitas vezes observei eu que não era bem assim e escrevia-se tal coisa a pensar em envelopes…, mas atenção não fui só eu que observei tal coisa, em Monforte, em conversa com o Sr Inspetor da IGAC, o próprio me disse que salvo raras exceções as medidas não foram cumpridas na integra e afirmou-me mesmo que ficava surpreso com o que às vezes via escrito…

Há pouco falava do nível e da categoria que baixou, penso que aqui nem preciso de dizer mais nada…. basta analisar os cartéis apresentados na maioria e muitas dessas corridas só tiveram público porque os aficionados estavam com “fome” deste tipo de espetáculo.

Mas voltando à imprensa da especialidade, porque foi isso que me levou a escrever este artigo, devo dizer que a pandemia veio agravar e colocar a nu a grande desconsideração que os agentes da festa têm para com a imprensa, em que nem sequer sabem separar o trigo do joio, as redes sociais de um órgão de comunicação, a publicidade de uma noticia ou uma fake news de uma noticia séria e verdadeira, sinto que há uma falta de literacia do que é realmente a imprensa!

Posto isto e muito mais que eu teria para dizer e quem sabe não direi em breve, digo-vos que vou aproveitar este defeso para pensar e repensar a minha continuação e a continuação deste portal, mas até terminar essa reflexão o Toureio.pt continuará por cá.

Ah! E só mesmo para terminar, nesta temporada se houve heróis na Tauromaquia Portuguesa, esses heróis foram os aficionados, tudo o resto… são envelopes….