Terça-feira, Junho 18, 2024
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“El Pirata” Conquista Lisboa

Juan José Padilla, “El Pirata”, “El Ciclon de Jerez” ou tudo aquilo que lhe queiram chamar, “incendiou” Lisboa, e abriu a porta grande! Depois da trajectória que todos conhecemos de Padilla, ver este toureiro por si só romper praça e fazer o passeillo encerra em si um turbilhão de emoções a que nenhum aficionado consegue ficar indiferente, chegando mesmo a arrepiar. Duas lides que em variedade de lances e passes se assemelharam muito entre si, com destaque para a nobreza, mais que a bravura do seu segundo toiro, que como todo o curro pertencia á ganadaria Alentejana de Varela Crujo o que deixou brilhar ainda mais este Ciclon Jerezano. De joelhos se colocou para receber os seus dois toiros, com duas largas afaroladas, para depois em galeo de chicuelinas os levar vencidos até aos médios; o Salamantino Del Àlamo, e como sempre, não perdoou um quite; José bandarilhou o seu primeiro com três pares em que apenas o segundo não resultou por traseiro, sendo o que finalizou a sorte, cravado ao violino. No segundo, quando os seus homens se preparavam para bandarilhar, tendo um par sido cravado ainda por um subalterno; o público exigiu que Padilla entrasse de serviço, e assim o fez com absoluta garra para três pares ajustados e cravados no alto do morrilho, também com o último em sorte de violino e com o público aplaudindo de pé. A primeira faena de muleta foi brindada ao público e a segunda aos Forcados do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, com chamada á arena dos três que pegaram de caras esta noite: Tiago Amaro á segunda, o Cabo Marcelo Lóia e Rui Gomes ambos á primeira tentativa.

Também as faenas de muleta se assemelharam; iniciou ambas de joelhos em terra por derechazos levando o toiro até aos médios, onde com um molinete iniciou mais uma série de derechazos em redondo, seguindo com mais uma e desplante mirando el tendido, sacou tudo o que toiro levava dentro, meteu o público em pé tendo-lhe este exigido dar duas voltas, uma delas com o cachecol de Portugal. A faena de muleta do seu segundo foi iniciada também de joelhos mas desta vez nos médios, segue com uma série de ligados derechazos em redondo e repete; duas tandas por naturais, com o toiro sempre a humilhar, nobre, bravo e voluntarioso este toiro de Varela Crujo. Como vem sendo hábito, o publico com erro, olha sempre mais para o toureiro que para o toiro, o Diretor Tiago Tavares deve ter feito o mesmo e não atribuiu volta ao Ganadeiro, um erro a somar á tardia concessão de música a esta lide de Padilla que desde cedo se viu onde ia chegar, e um toiro que aguentou mais de setenta passes merecia certamente prémio que viria a condizer com as três voltas concedidas a Padilla que lhe valeram a saída em ombros pela porta grande do Campo Pequeno.

Juan del Àlamo teve também uma boa passagem pela praça Lisboeta, que já pisa pela segunda vez esta temporada; com menos toiros que Padilla é verdade, mas com um toureio apurado e verdadeiro; grandes momentos do Toureiro de Salamanca que brindou a sua primeira ao público e a segunda ao céu, á memória do seu Amigo Vitor Barrio que assistiu lá de cima a esta grande noite de toiros em que a festa brava saiu mais uma vez enaltecida, também em sua memória foi guardado um minuto de silêncio e todos os artistas fizeram o passeilo desmonterados. O primeiro toiro de Àlamo foi nobre e permitiu-lhe grande faena de muleta, arrimou-se dando vantagens, destacou por naturais e por dosantinas, terminando com ajustado quite por manoletinas. Disposto ao triunfo de joelhos iniciou a faena de muleta do seu segundo nos médios, uma actuação onde esteve por cima do oponente, mais uma vez tardou a soar a música que apenas chegou quando Juan toureava com a mão esquerda nos médios, e com o toiro a querer rachar; foi premiado com volta em cada um dos seus toiros.

A corrida era mista actuando Pai e Filho Rouxinóis mas depois da lide que abriu praça a duo, a um toiro com vontade mas ao qual o excesso de peso invalidou a prestação, os cavaleiros de Pegões andaram valentes, o Pai mais na brega e remate com a palomino e o Jr citando em curto e cravando no sitio. Alterada a ordem de lide com Luis Rouxinol Jr a tourear o quarto da noite porque seu pai se encontrava a tentar recuperar de forte lombalgia na enfermaria, o que infelizmente não conseguiu, tendo sido Jr a lidar os dois toiros. Duas lides em que a primeira foi mais irregular com alguns altos e baixos e a segunda a atingir um nível bem mais alto e a chegar mais ao público. As duas foram premiadas com volta.

Certamente que não foi a noite sonhada para estes dois grandes Cavaleiros.

A tradição de cantar o hino foi mais sentida ainda neste dia, afinal somos Campeões! Outra que desafio, já em voga em grandes praças, seria do pasodoble do passeillo ser sempre o mesmo em todas as corridas, a ser, o do Campo Pequeno claro!

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