Elvas: Mais de três horas de corrida, num espetáculo onde faltou “sal”

Abertura da temporada taurina no Coliseu de Elvas. Onde Ficou patente mais uma vez a grande forma que se encontra Marcos Bastinhas, o elevado nível de Rui Fernandes e a imaturidade de Jacobo Botero. Lidou-se um curro de toiros de Falé Filipe, de escassa presença e comportamento irregular, com todos eles a apresentarem acentuados comportamentos de mansidão. A forcadagem de Alcochete e de Elvas aproveitou para rodar novos valores e ganhou a aposta. Meia casa de público para presenciar um espetáculo que demorou três longas horas.

Rui Fernandes abriu a noite perante um toiro que foi anunciado com quatrocentos e quarenta quilos, quanto a mim inflacionado; tinha cara, mas faltou-lhe bravura; manseou e enquerençou em tábuas desde o inicio da lide, depois de dois compridos de boa nota, só a sesgo e pisando-lhe os terrenos, Rui Fernandes lhe conseguiu cravar a ferragem da ordem; trabalho redobrado e valorizado pelo público.

O segundo toiro lidado por Rui Fernandes, um baixel que perseguia com vontade a montada, o que imprimiu emoção na preparação das sortes; no entanto faltava toiro no momento da reunião, o que tirava um pouco de brilho as sortes; conseguiu Fernandes com a sua maestria e saber, dar-lhe a volta e terminar em grande plano numa lide que veio sempre a mais.

Marcos Bastinhas também não teve sorte com o seu primeiro astado, sempre a descair para tábuas; mas foi impressionante a forma como o Cavaleiro de Elvas se meteu com ele e o deteve das suas intenções de manso, conseguindo-o deixar sempre colocado nos médios, para ai lhe cravar grandes ferros, com destaque para o curto cravado em terceiro lugar; bregou com alegria e rematou as sortes de forma espetacular, rematando a lide como é habitual, com o tradicional par de bandarilhas.

O segundo de Bastinhas e quinto da noite, tinha aspecto “avacado”; no entanto em comportamento não comprometeu, e permitiu uma lide de inicio com algumas intermitências, mas que terminou em bom plano para o cavaleiro da casa; cravando dois pares de bandarilhas por dentro, em terrenos de grande compromisso a rematar a atuação. Marcos teve nesta corrida, além do apoio do público da sua terra, também uma claque de mais de setenta crianças de um infantário local, que durante toda a corrida o apoiaram de forma bem evidente; parabéns, assim de fazem aficionados.

Jacobo Botero teve no seu primeiro, o melhor toiro da corrida, sem ser bravo foi de facto aquele que melhor nota teve; no entanto Jacobo andou desacertado toda a lide, velocidade a mais, ferro falhado, alguns caídos, e toques na montada; destaque apenas para o penúltimo curto e o violino com que rematou a lide. O seu segundo e último da noite, e apesar de nos ferros compridos a coisa não ter começado de feição; remontou uma atuação que alcançou nota positiva vindo a mais. No entanto, a falta de afinação do jovem Colombiano é bem evidente; o valor está lá, mas o ajuste é urgente para buscar os sonhados triunfos.

As pegas estiveram a cargo dos Forcados Amadores de Alcochete que depois de várias presenças em Elvas na antiga praça, se estreavam no Coliseu; Diogo Timóteo e Gonçalo Catalão, numa grande pega, fecharam-se ambos ao primeiro intento. António Cardoso, que poderia ter ficado á primeira se as ajudas não tivessem falhado, apenas se veio a fechar á terceira.

Pelos Académicos de Elvas, Marco Raimundo, que brindou á memória do seu irmão (também forcado dos Académicos falecido recentemente de acidente), pelo qual também foi guardado um minuto de silêncio nas cortesias, pegou á segunda tentativa; João Restolho e António Machado ambos á primeira, com destaque para a grande e emotiva pega de Machado.

Todos os artistas escutaram música e foram premiados com volta; onde apenas Jacobo Botero não a deu, por vontade própria no seu primeiro. Uma corrida dirigida sem problemas por Marco Gomes.

Nas bancadas, de destacar a presença do Maestro Joaquim Bastinhas que durante toda a corrida, foi brindado por todos os artistas; ficamos contentes por se encontrar quase recuperado do grave acidente que sofreu; mas só ficaremos felizes quando o vir-mos no seu sítio, que é nas arenas. Um facto que acreditamos e desejamos, seja para breve. Saúde Maestro!

 

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