Em Serpa de Guadalupe Toureio de Maestros!

O tradicional Festival Taurino Misto de Sábado de Páscoa, em Serpa, voltou a ser um marco pelo cuidado na sua montagem, pelo nível artístico e pela satisfação evidente do publico. Que no final deu por bem empregue o tempo e o dinheiro (que serviu para ajudar os Bombeiros de Serpa). Não fosse o S. Pedro ameaçar durante o dia e a boa moldura humana "à vista" teria sido ainda maior e com outro reflexo na bilheteira. Parabéns à organização.

Um minuto de  silencio assinalou a singela homenagem da afición a um Serpense da cultura, das tradições e da festa brava, recentemente desaparecido. Recordou-se Nicolau Breyner.

Será injusto destacar algum dos alternantes da parte a cavalo. Todos andaram num registo de treino com muita qualidade, aproveitaram bem as condições do que tiveram por diante (dois Ascenção Vaz, um V. Crujo e um Passanha) e deixaram boas perspectivas para a temporada 2016. Dos mais experientes aos mais novos. O publico envolveu-se com todos e resultou a função. Bom contributo para o espectáculo de J. Moura, A. Telles, A. Brito Paes e Rouxinol Jr.. Tivemos momentos de arte e maestria, comunicação com as bancadas, toureiros empenhados e por cima dos acontecimentos, sempre com muita sobriedade e profissionalismo. Sim senhor!

Nas pegas uma tarde de rodagem para ambos os Grupos. Com facilidade resolveram a tarefa e corrigiram erros, próprios da fase em que se encontram os forcados chamados a pegar. Destaque para raça e querer de Gonçalo Borges do Real de Moura que "brigou" até ao limite em reunião descomposta com o novilho, quando já ninguém acreditava ele quis ficar no toiro e alcançou a pega mais exaltada pelo conclave, à primeira tentativa. O primeiro do Grupo fora pegado á segunda por David Carvalho, depois de não mandar na primeira.
 Por Beja Alexandre Rato teve dificuldade em entender-se com o que tinha para fazer e fechou à terceira. À primeira, no escuro, numa pega difícil com o toiro a não ver o forcado, encerrou tecnicamente bem Thierry Gonçalves.

 Mais uma vez o toureio apeado emocionou a "populaça"! Reiteramos que o publico gosta de toureio a pé em Portugal e reage com entrega quando sente que o labor o justifica. Os exemplares de Falé Filipe justificaram, muito, o convite de J. José Padilla para  volta do ganadero  (devia ter sido o publico a pedir. Urge reeducar taurinamente). Juan P. Galan andou fácil com o capote e variado com a muleta, agradou no geral, mas teria saído com outro sinal se não prologasse em demasia a faena. J.J.Padilla quis cumprir a promessa não cumprida de 2015 e foi a Serpa. Tocou-lhe um codicioso e nobre oponente que serviu de inicio a fim para o "maravilha" se explanar, confiado, com domínio e toreria própria de quem anda noutro patamar do toureio. Treinou e triunfou com sobriedade e seriedade. Bandarilhou a gosto e disfrutou por ambos pitóns em "tandas" ligadas e com profundidade. Tem duas series de naturais belíssimas em que se sentiu a diferença dos de topo para todos os restantes. Não foi a Serpa "cumprir calendário"…foi respeitar a profissão e o público de um festival, numa desmontável, em Portugal. Obrigado!
Tiago Tavares e Dr. J. Infante Ferreira dirigiram com discrição um espectáculo abrilhantado pela Banda da Soc Filarmónica de Serpa, com ferragem e embolação da equipa liderada pela dupla Simões e Alcachão.

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