Estremoz: ‘Resistiremos’ foi a palavra que marcou um espectáculo diferente, mas com a mesma aficion

Depois da temporada taurina ter sido interrompida devido a todas as contingências provocadas pela Covid-19, a Tauromaquia Portuguesa voltou a receber uma corrida de touros, que marcou a retoma de uma actividade que nos últimos tempos foi de uma forma ou de outra discriminada a nível político.

A Praça de Touros de Estremoz juntou, este sábado, mais um marco histórico ao seu longo e duro percurso ao serviço da festa, pois, foi a praça que recebeu a primeira corrida a nível mundial do pós-confinamento.

Foi uma corrida onde esteve um ambiente estranho, tanto no exterior, como no interior, parecia que íamos entrar para algo novo e de facto até era, pois ninguém sabia como ia decorrer e o que poderia dali resultar.

A noite iniciou-se com a organização a mostrar, num ecrã gigante, fotografias de várias personalidades e políticos que ao longo dos anos têm vindo a apoiar a festa brava, num claro sinal de união e de demonstração de que a tauromaquia é cultura e também não se pode censurar.

Após a visualização das imagens, tocou-se  “A Portuguesa”, seguindo-se depois um minuto de silêncio em memória do matador de touros Mário Coelho, que recentemente faleceu devido à Covid-19.

As normas ditaram muitas alterações no espetáculo propriamente dito e logo desde inicio isso foi notório, pois as cortesias ocorreram com cada artista a ir à vez à arena e depois, durante o espetáculo só os actuantes estiveram na arena e na trincheira.

É certo que nesta corrida o mais importante foi dizer que a Tauromaquia está, e bem, viva, mas também temos de analisar e falar das actuações dos toureiros, estes que também estão a fazer um esforço enorme para que toda a actividade siga em frente.

Começo por falar nos touros, que saíram à arena dentro do seu tipo e na generalidade a cumprirem, apenas alguns a complicarem um pouco o labor dos ginetes.

Abriu a noite Rui Salvador, que realizou uma lide em crescendo tendo-se destacado nos últimos ferros que cravou, após ter mudado de cavalo e aí viram-se bons pormenores em sortes mais cingidas.

Seguiu-se António Brito Paes, que teve pela frente um touro com menos mobilidade e que assim dificultou o labor do cavaleiro. O cavaleiro esteve em plano regular sem grandes destaques, sendo que no final nem foi aos médios agradecer.

João Moura Caetano teve pela frente um touro que permitiu mais e Caetano aproveitou-o da melhor forma. Realizou uma lide de qualidade onde se viram bons ferros e boa brega. Uma boa actuação do cavaleiro Alentejano.

Manuel Telles Bastos começou por receber muito bem o seu touro em sorte gaiola, para depois desenhar uma lide bem ao seu estilo, sempre correcto, a fazer as coisas bem feitas e a lide a resultar em bom plano.

A noite continuou com Ana Rita, que foi quem mexeu mais com o público, dada a sua capacidade de facilmente se ligar aos tendidos. A lide foi em crescendo, aproveitando o touro que tinha pela frente, terminando com dois ferros de violino que fizeram soar as maiores ovações da noite.

Por fim Parreirito Cigano que realizou uma lide com altos e baixos, em que apenas recordamos alguns pormenores e pouco mais…, mas ainda assim fica a nota da garra do toureiro que mostrou na arena de Estremoz.

No que diz respeito às pegas a noite não foi fácil, mas principalmente porque os Forcados complicaram e quando assim é as pegas demoram a concretizar.

Pelos Amadores de Arronches pegaram Tiago Policarpo, à primeira tentativa, Luís Marques, que concretizou à sua primeira tentativa depois de dobrar Rafael Pimenta e por fim Rodrigo Abreu, à terceira tentativa.

Pelos Académicos de Elvas foram caras Paulo Maurício, à quinta tentativa, João Bandeiras, ao à segunda e Luís Machado, também á quinta tentativa.

De salientar que estava em disputa do troféu para a melhor pega, que foi entregue ao forcado Rodrigo Abreu, dos Amadores de Arronches.

O espetáculo foi dirigido por Marco Gomes, assessorado pelo Dr. João Candeias, numa noite abrilhantada pela Zulu Band, de Alandroal, e sendo cornetim Nuno Massano.

Propositadamente deixei para o fim as medidas da Direcção-Geral das Actividades Culturais para a Tauromaquia, no âmbito da Pandemia da Covid-19. Neste aspecto há que se dar os parabéns a Luís Miguel Pombeiro que teve coragem de ir para a frente apesar das muitas limitações impostas e na sua generalidade foram cumpridas e penso que a Tauromaquia voltou a ser exemplo.

Na parte do público, penso que também na generalidade foram cumpridas as regras, no entanto não posso deixar de lamentar o facto de alguns agentes da festa, que alegadamente vivem da festa, não cumpriram escrupulosamente as regras e saíram sem cumprir as ordens, mas destes pequenos pormenores não se faz a história, mas fica o alerta.

Desta corrida destaco ainda a presença, do início ao fim dos Inspectores do IGAC, a presença de um elevado número de elementos das forças de segurança e a presença do Dr. Manuel José Galego, Delegado de Saúde da Unidade de Saúde Pública ACES – Alentejo Central e que foi o médico da corrida. Pena foi que no final se tivesse escusado a prestar declarações ao Toureio.pt, esquecendo-se que é uma obrigação das autoridades de saúde.

Para terminar deixo ainda um lamento direcionado à IGAC e à DGS, que nas medidas divulgadas omitem claramente a existência da Imprensa, o que levou a que as condições de trabalho não fossem as melhores, foram as possível, mas fica o alerta para estas duas entidades governamentais, pois também elas têm o dever e obrigação de facilitar o acesso à informação e não é limitando que nos vão calar. Neste aspecto apenas agradecemos à empresa que tudo fez para que as condições de trabalho fossem as melhores.