Sexta-feira, Dezembro 9, 2022
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Évora: A noite foi dos Núncio

Mestre João Branco Núncio foi homenageado em Èvora passados 100 anos de, nesta cidade monumento ter toureado pela primeira vez; a prova, de que quando se é grande, nunca se morre. A dinastia prossegue; o profissionalismo adormecido que ontem renasceu para homenagear a memória do seu Avô esteve bem patente nos ares de toureio clássico que nos fizeram lembrar outras épocas e que Francisco Núncio tão bem soube interpretar: sortes frontais e de caras, o toureio clássico á Portuguesa que o Mestre tão bem interpretou esteve presente na lide do seu neto. Também os seus bisnetos Francisco e António souberam nesta noite honrar o nome que carregam; Francisco sofreu um susto no inicio da lide sendo colhido contra as tábuas felizmente sem consequências, elevou-se e cravou ferros de boa nota, com destaque para o segundo curto numa lide que veio sempre a mais. António um pouco mais “verde” mas mais atrevido recebeu logo o seu oponente á porta gaiola, uma lide com altos e baixos terminada com um ferro de boa nota e com a garantia de que a dinastia está assegurada.

A expectativa desta noite estava centrada na reaparição de outro Maestro, falamos de João Moura, que voltava ás lides depois do acidente sofrido em Março passado enquanto treinava na sua quinta em Monforte; brindou aos seus filhos e lidou com o saber que todos lhe reconhecemos, acusando obviamente a falta de rodagem que este tempo de inactividade lhe provocou, mas pelo que vimos pronto temos Moura no seu melhor pois acreditamos que muito tem para dar ainda á tauromaquia.

António Telles não pode repetir em Èvora a temporada de grandes êxitos que vem levando; não esteve em noite sim e pouco há a dizer sobre a sua lide em que a banda de Alcochete “folgou”. Com verguenza toureira não deu volta de agradecimento. Manuel Lupi no ano da sua reaparição lidou nesta noite o toiro mais pesado da corrida com quinhentos e cinquenta e cinco kilos, um toiro nobre e suave mas que ainda assim provocou uma forte queda a Lupi logo no inicio da lide, felizmente sem consequências, a partir daqui “perdeu os papéis” e nada mas mesmo nada lhe correu de feição, mais uma vez a banda da sua Terra teve folga e Lupi não deu volta; no final o rosto do Manuel estampava bem aquilo que fez na Arena de Èvora, uma noite sem sombra de dúvidas para esquecer.

Pelos Forcados de Èvora pegou o bastante jovem Gonçalo Rovisco á segunda tentativa depois optaram por uma cernelha  fortemente aplaudida e executada por João Madeira e Cláudio Carujo, fechou a noite um grande Forcado de seu nome Ricardo Sousa que á terceira tentativa executou uma rija pega depois de duas tentativas em que foi literalmente cuspido de forma feia. O Real Grupo de Forcados de Moura pegaram os seus três toiros á primeira tentativa; Xavier Cortegano, Cláudio Pereira e Valter Carmo foram os caras de serviço.

Foram lidados dois novilhos e quatro toiros de encaste Murube Urquijo da ganadaria Branco Núncio que em nada dificultaram a vida aos artistas, sendo a nobreza de investidas a mais evidente das suas qualidades. Foram recolhidos a cavalo pelos Campinos de forma eficiente e bastante aplaudida enquanto o fadista Francisco Sobral, acompanhado pelo conjunto de guitarras de João Núncio cantava e bem fados relacionados com a festa brava, sendo um deles dedicado a Mestre João Branco Núncio e que relatou brilhantemente aquilo que foi: Homem do campo, patriota apaixonado, honesto, corajoso, frontal, leal, que amava o próximo, ainda assim injustiçado, mas jamais esquecido. 

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