Terça-feira, Novembro 29, 2022
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Fadista José da Câmara fala sobre Tauromaquia e diz “se desaparecerem as corridas de touros há uma coisa que é certa, os toiros bravos desaparecem”

José da Câmara está a celebrar 50 anos de vida e 30 de carreira. Numa entrevista concedida ao Infocul.pt, o fadista falou sobre o que está a ser preparado em termos de efeméride, sobre a sua vida pessoal e abordou também a temática da tauromaquia.

Revela que hoje em dia “não sou muito” aficionado, contudo esclarece que “eu fui muito aficionado. Parti a clavícula direita ao serviço do grupo de Montemor, ainda bem que parti logo ao princípio com uma vaquinha, perdi logo aquela vontade a ser realmente forcado a sério mas depois acompanhei sempre o grupo de Montemor, de lá saíram grandes amigos. É um ambiente muito são, muita amizade, muita entrega, muito companheirismo. Agora é um sistema fracturante da sociedade. Eu sou das pessoas que respeita perfeitamente quem não goste. Eu hoje em dia é só uma questão de não ir muito ver. O tema principal, que é o tema que me pergunta, se estou de acordo ou se não estou, estou. Eu conheço muitos ganaderos, já passei dias e dias a ver os touros e posso confirmar que o touro é certamente o animal mais bem tratado ao longo da sua vida. O toiro bravo tem um dia em que acontece a corrida de touros, é para isso que ele é criado. Hoje em dia já vejo a coisa…acho exagerado tantos ferros. Poderia ser bastante menos mas aquele dia acontece e é isso que move a sociedade…enfim…e fractura a sociedade mas da forma como eles são criados, se desaparecerem as corridas de touros há uma coisa que é certa, os toiros bravos desaparecem. Não há forma de alguém aguentar uma ganadaria sem que os possa vender depois de quatro ou cinco anos”.

 Quando questionado por Rui Lavrador sobre os empregos que se extinguiriam com o fim da tauromaquia, respondeu que “todos os empregos que estão a volta das corridas de touros…esqueça! Desaparecem. São milhares de postos de trabalho. Milhares. Portanto, eu não acho nada mas, lá está, eu respeito imenso quem não goste e quem não esteja de acordo. Respeito, naturalmente. Eu penso que não há mal nenhum pedir também respeito por quem goste e as pessoas que pensam que quem gosta, gosta de ver sofrer touros, não é verdade. Ninguém é masoquista. Eu não gosto nada. O que é melhor? É viver num galinheiro uns em cima dos outros durante…e depois electrocutados e depois…ou viver num canil, coitado, uma data de cães que eu vejo aqui a passar à frente da minha casa que estão num canil a vida inteira fechados ou um pintainho que está numa gaiola a vida inteira. Isso não é…”

O fadista acrescentou ainda que o touro bravo vive “ao ritmo da natureza. É tratado como um rei e depois há aquele dia mas é a única forma de manter esta raça. Agora, também sei que os ganaderos são os melhores amigos dos touros. Toda esta controvérsia também é um bocadinho também por protagonismo televisivo, por querer alguns tachos no parlamento. Eu acho que é. Porque…obviamente que poder-se-ia aprimorar ali umas coisas relativamente…eu acho que às vezes é um bocado exagerado ali nos ferros, uns ferros a mais e tal. Acho que se deveria…agora se um touro bravo não é um bocadinho espicaçado também não reage. Portanto isto…mas eu não sou perito na matéria e neste momento também não estou muito por dentro. Não estou a ir às corridas ultimamente, também não me quero alargar muito mais neste tema”.

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