“Há aí engenheiros em tauromaquia que têm que dizer qual é a receita porque realmente eu já a começo a perder”, afirma Vilhais sobre a Moita (c/som)

No passado fim-de-semana, o empresário Rafael Vilhais promoveu uma corrida de touros na Praça de Touros Daniel do Nascimento, na Moita. Um espectáculo que não teve adesão do público que se desejava, nem o resultado artístico foi o que era espectável.

O Toureio.pt esteve à conversa com o empresário Rafael Vilhais para saber o que realmente se está a passar com a afición da Moita, tendo o empresário afirmado que “é algo estranho mas isto não é só de agora”, explicando que “em 2013 com o reaparecimento do Vitor Ribeiro, o reaparecimento da ganadaria Palha 18 anos depois, venderam-se 600 ou 700 bilhetes. Sábado ainda consegui vender mais 1200 por aí. Não é assim tão mau, mas várias casas foram assim, já na mudança dos cabos foi assim, não sei o que é que se passa. E com cartéis até melhores que este, devo dizer-lhe. Há uma coisa que é verdade, no ano passado com o Ventura e o Roca Rey, meteu meia casa forte, não chegou o dinheiro, perdi muito dinheiro, e este ano perdi um bocadinho menos.”

Sobre questões monetárias, o conhecido empresário afirma que “isto não é uma questão de se perder menos, tem é que se fazer as coisas bem-feitas, mas se o público não responde ao que se faz bem feito, no ano passado a feira da Moita estava muito bem montada ou então não entendo… Nas outras praças tudo funcionou, tudo esgotou, Salvaterra, Beja, nas Caldas da Rainha faltaram 120 bilhetes para esgotar… na Moita realmente é esquisito. Eu às vezes começo a pensar que as praças das cidades, exceptuando Lisboa, começam a estar mais complicadas…”, afirmando ainda que “eu olho e vejo que há um divórcio das pessoas da Moita. Porque vejo mais pessoas de fora, porque da Moita vejo os accionistas que têm entrada e não pagam como é lógico, mas é realmente uma pena porque é uma praça e um monumento que está ali, mas há aí engenheiros em tauromaquia que têm que dizer qual é a receita porque realmente eu já a começo a perder…não sei. É estranho, é uma praça esquisita, porque damos tudo o que é de bom e no ano passado não podia ter feito melhor, então trago o Ventura que é o número um mundial, trago o Roca Rey que está no seu melhor momento que abre as portas de Madrid e das feiras todas…chegamos ali e temos aquela casa? Sinceramente. Não se venham queixar, eu sei que o cartel foi mais fraco este ano, sei o que foi, não preciso que o digam, um cartel que não era a minha vontade, mas foi pelos touros e pelos forcados da terra de modo a juntá-los, de modo a fazer-se qualquer coisa de diferente e que não se perca dinheiro nenhum. Os empresários não podem perder dinheiro nisto, os toureiros não podem perder, ninguém pode perder porque senão estamos tramados e isto acaba. E eu não estou cá para isso, estou para ajudar e fazer as coisas bem.

Questionado sobre se ponderava deixar a praça da Moita se continuar a registar estas fracas entradas de público, Rafael Vilhais diz que “ponderamos sempre. Se você no seu negócio começa a perder dinheiro quer faça as coisas bem-feitas ou mal feitas, pondera. Temos a vaca em casa, se a vaca não dá leite e lhe estamos a dar de comer, então temos que a mandar para a carne. Vamos ter que fazer algo diferente que não sei como.

Questionado sobre se o problema está nos novos toureiros que também não atraem público às praças, Rafael afirma que “não levam o público, mas depois também se queixam que organizamos as corridas e não damos oportunidade a ninguém. Temos que dar oportunidade aos novos, mas o problema que é às vezes os novos não aproveitam a oportunidade que a gente dá. Ontem saíram 3 ou 4 touros extraordinários de Veiga Teixeira e depois não digam que não damos oportunidades. Tudo fala do cartel que montei mas o Campo Pequeno vai fazer, dia 21, um cartel de oportunidade aos novos. Estes cartéis têm que se fazer seja numa praça de primeira, de segunda… Se forem ver para trás, até do tempo do José Lino se faziam estes cartéis. Eu não quero é ficar como o José Lino, coitado, que entesou à conta da feira da Moita. Ficou na miséria e quando faleceu ninguém foi ao funeral e ninguém o conhecia. É isso que eu penso, é muito fácil falar mas é preciso conhecer os antecedentes.”

 

 

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