Cuba: E tudo o calor levou!

Foi longa, a corrida da Feira Anual de Cuba de 2018. Sob calor intenso foi difícil aos bem apresentados exemplares de Passanha investir. Vários mostraram que tinham vontade de o fazer e com nobreza. Isso condicionou muito o espectáculo quanto à emoção, tendo os artistas que pôr praticamente tudo.

Nesse capitulo estiveram melhor com actuações mais homogéneas e correctas de principio a fim Rui Salvador e Ana Batista. Sem redondear, assinaram prestações pautadas pela regularidade de boas opções e soluções em praça, tirando o possível dos oponentes que lhes tocaram e ajudando ao espectáculo, com elevação. Foram os mais aplaudidos e acarinhados pelo publico.

Tito Semedo foi “brindado” com o mais complicado do curro que juntou à falta de faculdades, pelo calor, a querença em tábuas. Esteve regular e a resolver com limpeza a “papeleta”. Terminou com um curto e violino do agrado do publico.

Sónia Matias, David Gomes e Verónica Cabaço (que toureou praticamente às escuras) andaram no mesmo registo quanto a consistência de actuação. Todos tiveram lides de menos a mais, demoraram algum tempo a acoplarem-se às condições dos seus oponentes, por diferentes motivos. Sónia e Verónica no acerto com os tempos face a investidas tardas, mas repentinas e  com nobreza. David lutou com um “aparente” defeito de visão do seu oponente, na vista direita, que lhe dificultou o momento do ferro.  Só nas partes finais das lides chegaram ao publico e compuseram, com “pintureria”, as suas actuações. Estiveram bem e o publico reconheceu-o.

Boa tarde de pegas a toiros que mesmo exaustos tiveram impetuo e nobreza nas investidas, para o forcado.

Filipe Correia e David Sol pelos Amadores da Moita, em duas prestações correctas de todo o Grupo, assinaram uma boa actuação com ambas pegas à primeira tentativa.

Os Amadores de S. Manços também triunfaram com uma pega à segunda e outra à primeira. Por Helder Passos e João Rosmaninho, este numa pega de compendio quanto a técnica, saber citar, mandar na investida, receber e fechar-se num toiro tardo(o do, antes referido, “eventual” defeito de visão do lado direito). Pega boa para mostrar e ensinar os mais novos.

Os Amadores de Cascais viveram uma tarde de duas caras. A mais tristonha ao resolver á 5ª a pega de despedida de João Sepúlveda, por falta de coesão e experiencia nas ajudas. A mais risonha quando Ventura Doroteia se fechou bem à 1º, no ultimo.

Dirigiu Tiago Tavares que revelou acerto e sensibilidade ao permitir que João Sepúlveda desse a volta, por ser a sua despedida, frisando que era só por isso. Não perdeu autoridade e ajudou ao espectáculo. Bom exemplo.

Embolação e ferragem da equipa coordenada pela dupla Carlos Simões e José Alcachão

No inicio da corrida guardou-se um minuto de silencio em memória de Pedro Primo, falecido na corrida do ano passado quando pegava ao serviço dos Amadores de Cuba. De forma singela (demais, dizemos nós), foi inaugurado monumento, com busto oferecido pelo escultor Antonio Charneca, em frente à Arena de Cuba.

Go to top