Os Rouxinóis cantaram uma melodia diferente

Nesta noite homenageava-se João Moura pelos seus quarenta anos de alternativa e, por tal facto, foi descerrada uma placa na entrada da praça Daniel do Nascimento no intervalo do espectáculo.

Foi director da corrida Tiago Tavares.

Correram-se toiros de Passanha com encaste Murube – Urquijo e com o comportamento correspondente: muito gás na saída dos curros que se gastava em pouco tempo e depois mangadas curtas que davam para por ferros de bom tom guardando as investidas mais longas para os forcados onde só empurravam sem derrotar.

Nos currais da praça e aprovados pelo veterinário Jorge Moreira da Silva, havia seis toiros com pesos entre os quinhentos e quinze e os quinhentos e oitenta e cinco quilos e um novilho, para António Telles Filho ainda amador, com trezentos e oitenta quilos. Todos de apresentação irrepreensível.

A casa esteve quase cheia. Digamos que três quartos bem preenchidos de um público cheio de vontade de aplaudir.

Para pegar este curro de toiros estavam os homens da jaqueta de ramagens do Aposento da Moita que estiveram numa noite sem grandes problemas embora Marcos Braga, que fez a melhor pega da noite quando pegava o toiro lidado por António Telles, tenha recolhido à enfermaria com uma lesão num pé não escutando os aplausos, fortes, que o público lhe queria tributar. Esperamos que os tenha ouvido lá onde estava e se recupere depressa.

João Moura tinha à sua espera um toiro com quinhentos e quarenta quilos que recebeu com dois ferros à tira a abrir tendo colocado mais seis ferros curtos, sendo os últimos dois palmitos e o último talvez o melhor da lide. Não foi a sua noite. Temos-lhe visto muito melhor.

António Telles pai, também recebeu o seu, com quinhentos e trinta quilos, os dois primeiros ferros foram cravados à tira e o toiro quase acabou. Era preciso entrar pelo toiro dentro com um comportamento murubenho, tal e qual. Dava dois ou três passos, o suficiente para cravar um ferro e pouco mais. Os dois últimos curtos, carregando a sorte, foram os melhores da lide. Também já vimos melhor a este artista.

A Luís Rouxinol pai calhou-lhe o mais pesado da corrida: quinhentos e oitenta e cinco quilos.

Dois bons ferros a abrir, duas sortes à tira bem desenhadas, o toiro andava um pouco mais que os outros e nos curtos andou bem, cravando com acerto, rematando e dobrando o piton de saída. Como o toiro era mais móvel as sortes também puderam ser melhor preparadas e os terrenos melhor escolhidos. No penúltimo ferro ainda teve um empurrão em terrenos de compromisso mas fechou com a marca da casa e um par de bandarilhas em todo o alto.

O de Francisco Palha acusou na balança da praça quinhentos e sessenta e cinco quilos e é recebido com dois ferros a abrir, mas não abrem nada. O toiro só se arranca nos últimos momentos dos ferros e como quase se encosta às tábuas, as sortes saem empolgantes mas também perigosas. Toureio é isso mesmo: perigo e lides com sentido.

Batidas ao piton contrário, provocam dois passos de investida e espaço para passar entre o toiro e as tábuas. Não foi uma lide de encher o olho mas foi a possível com muito profissionalismo.

Quinhentos e quarenta e cinco quilos pesava o que estava reservado a Miguel Moura e se ele soubesse o que lhe estava reservado acho que preferia outras opções para esta noite.

Ao receber o seu oponente à porta gaiola, crava o ferro na barriga do hastado e não mais se encontrou. A ferragem curta ficou dispersa, o toiro era dos que só dava três passos e assim sendo esperamos ver o Miguel com mais sorte e mais inspirado noutro dia.

Para Luís Rouxinol Jr., o toiro que o esperava nos currais pesava quinhentos e quinze quilos, inicialmente adiantava-se e também terminou nos compridos. Nos curtos, descobriu como se faz e aproveitando a fraca mangada do toiro foi cravando com alegria a ferragem da ordem. Alguns ferros mesmo muito bons, em curtos espaços e terminou com o tradicional final da família: um par de bandarilhas que provavelmente foi o melhor que se viu quer de colocação quer de preparação, durante toda a lide.

Ainda não tinha visto visto tourear o António Telles filho e fiquei agradado. Surpreendido não porque aquilo de ser toureiro deve estar nos genes da família.

Tinha à sua espera um novilho com trezentos e oitenta quilos que andava um pouco mais que os seus “primos” e que lhe proporcionou uma lide muito agradável de seguir. Os nervos ainda o traem o que provocou que o primeiro comprido tivesse sido falhado mas a partir daí tomou as rédeas da lide e seguiu por aí adiante com sentido de lide e com ferros bem preparados e bem rematados. Foi bom de ver mais um Telles toureiro. Que tenha sorte.

Para as pegas tínhamos o Grupo de Forcados do Aposento da Moita cujo cabo é José Maria Bettencourt.

A melhor pega da noite foi, sem dúvida a do segundo toiro da noite, o de António Telles e executada por Marcos Braga que se lesionou e não ouviu a estrondosa ovação que bem merecida foi.

O cabo fez as honras da casa e pegou o primeiro da noite. A compostura e os modos eram de tal ordem que se fez um silêncio (como se diz agora) ensurdecedor. O toiro saiu sem derrotar e entrou pelo grupo dentro sem causar problemas.

João Ventura, no terceiro, Bernardo Cardoso no quinto e Martim Afonso de Carvalho no sexto não sentiram dificuldades dado que os morlacos seguiam o seu caminho, rectos e direito ao grupo.

Leonardo Mathias, no quarto sentiu a falta do grupo depois de se ter fechado bem na primeira tentativa, contudo, na segunda tudo foi rectificado e ficou sem problemas de maior.

No sétimo, baixelo de cornamenta, o forcado da cara João Gomes só ficou à terceira porque embora a primeira ajuda entrasse a tempo faltava o amparo das hastes para que ficassem. O grupo corrigiu as ajudas e a pega consumou-se.

Espectáculo com bom ritmo e agradável.

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