Moita: Espetáculo muitoooo longo. Longo de mais!

Nesta corrida deu-se a alternativa a Verónica Cabaço e homenageava-se um grande forcado de Alcochete desaparecido precocemente: Fernando Quintela.No intervalo foi descerrada uma lápide no páteo do sector 1 alusiva ao facto.

Quanto à alternativa de Verónica Cabaço foi concedida por Filipe Gonçalves.

À novel cavaleira profissional foi dada a primazia de lidar o primeiro toiro da noite. Tratava-se de um Prudêncio com quinhentos e dez quilos.

Os dois primeiros compridos foram para esquecer, tendo no primeiro passado alguns calafrios. Acreditamos que possa ter sido pelos nervos do momento. Com outro cavalo e já nos curtos ainda levou mais um toque mas a partir daí as coisas melhoraram, especialmente depois terem sido os bandarilheiros a colocar o hastado. O público gostou do modo como terminou a lide em sortes de violino.

Para Ana Batista estava guardado um António Silva, com o peso de seiscentos e cinquenta quilos. Não se mexia. Não dava um passo e foi mandado recolher pelo director de corrida, Manuel Gama, depois de ouvido o veterinário Jorge Moreira da Silva.

Aqui foi a pior parte da corrida; o toiro não dava um passo e se o dava era na direcção inversa dos curros. Foi preciso perto de uma hora para recolher o animal.

Como o toiro não tinha condições para ser lidado, Ana Batista viria a lidar o sobrero, um Passanha, depois do intervalo. Este toiro não contava para o concurso de ganadarias.

No seguimento do espectáculo saiu à praça Gilberto Filipe, para lidar um Veiga Teixeira com quinhentos e sessenta quilos.

Começou com dois ferros à tira bem cravados e rematados. Nos curtos faz um toureio variado, ora fazendo batidas ao piton contrário, ora entrando por direito e quarteando-se, terminou com um palmito e um violino que o público sublinhou com fortes aplausos.

Seguia-se na ordem o cavaleiro Filipe Gonçalves que havia dado a alternativa à nova amazona.

Tinha à sua espera o toiro de Jorge de Carvalho que iria arrebatar os prémios em disputa: bravura e apresentação.

Filipe recebe o seu oponente com dois ferros à tira, o primeiro não parte mas no segundo tudo corre bem. Bem cravado e rematado.

Nos curtos, com reuniões às vezes não muito ortodoxas mas cumpre a missão e com a vida e a alegria que impõe às suas lides, põe o público ao rubro. Para terminar foi buscar um cavalo que se põe de pé nas patas traseiras, não adianta nada à arte de lidar toiros mas o conclave diverte-se e aplaude forte. Acaba a sua actuação entre estas demonstrações de destreza e dois violinos.

Após o intervalo, como estava previsto, Ana Batista lidou um Passanha que não parecia irmão dos que saíram ontem nesta mesma praça. Arrancava-se de todos os lados, sempre pronto, que foi um gosto de ver.

Começou, como é habitual, com dois ferros à tira e nos curtos foi desafiar o toiro, entrar por direito, quartear-se e cravar ao estribo – dito assim até parece fácil – mas foi assim mesmo que pareceu e terminou com dois palmitos, tendo caído o primeiro.

De Espanha veio Andrés Romero. Recebeu o toiro à porta gaiola, como é usança na sua terra, com uma jaqueta a servir de capote até para o toiro, depois cravou um ferro sem definir os tempos da sorte, em seguida cravou mais dois citando de frente o Canas Vigouroux com quatrocentos e oitenta e cinco quilos. Nos curtos, cravou sempre de frente e ao estribo, sem enganos nem “rodriguinhos”. Terminou com um palmito de bonito efeito. Gostava de o ver mais vezes.

António Prates, cavaleiro ainda praticante, veio substituir o cavaleiro mexicano Emiliano Gameiro que se lesionou num joelho.

O Fernandes de Castro que lhe estava reservado pesava quinhentos e oitenta e cinco quilos e foi recebido sem marcar os tempos da sorte e sem rematar; nos curtos, no primeiro quiebro, o toiro engancha uma pata do cavalo nos cornos e entre quiebros muito marcados e ferros a quarteio, quase todos foram cravados a cilhas. Encerrou com dois palmitos em sorte de violino.

Quer os Forcados Amadores de Évora, cujo cabo é João Pedro Oliveira, quer os amadores de Alcochete cujo cabo é Nuno Santana, não tiveram uma noite nada fácil.

Pelos de Évora, no primeiro toiro, pegou numa pega rija à primeira tentativa, António Torres. José Maria Passanha pegou o lidado em terceiro lugar numa pega limpa e arriscada porque para provocar a investida do toiro entrou-lhe nos seus terrenos mas o grupo, coeso fechou a contento.

Como não há bela sem senão, um dos momentos menos bonitos da noite foi protagonizado por Ricardo Sousa no quinto da ordem. O Canas Vigouroux tinha gatos na barriga; só em caxo e depois de um sem número de tentativas e de desmanchar e voltar a fazer a sorte, lá resolveram a papeleta.

Pelos de Alcochete, de luto pelo desaparecimento de Fernando Quintela, grande forcado, iniciou a função João Guerreiro que como o toiro não derrotou forte, alapou-se-lhe na cara e fez uma pega rija.

Pedro Gil tentou vezes sem conta pegar o Passanha mas a única coisa que conseguiu foi uma lesão num joelho e ter que recolher à enfermaria. Foi dobrado por Vitor Marques que, em caxo com o resto do grupo, consumaram a pega.

Guardado estava o bocado para quem o havia de comer e assim foi. Talvez o melhor momento da longa noite e já depois das duas da manhã, Manuel Pinto faz uma pega daquelas que ele não vai esquecer por muito tempo.

O toiro derrotou alto mas o querer e a força do grupo fizeram o resto. Um pegão.

Como ficou dito, havia em disputa o prémio de bravura e apresentação neste concurso de ganadarias. O júri era constituído por Fernando Marques ”Chalana”, António Barata Gomes e Rafael Vilhais. Votaram por unanimidade que ganharia ambos os troféus o toiro de Jorge de Carvalho, lidado por Filipe Gonçalves.

O espectáculo foi demasiado longo, terminando depois das duas da manhã.

Go to top