Festival de homenagem a Fernando Quintela...

Realizou-se em Alcochete no passado dia 30 de Março, um festival de homenagem a mais um jovem que deu a vida pela arte de pegar toiros. Era um cara de eleição, um ajuda  de reconhecida eficácia e um cernelheiro competente, em suma: um grande forcado e aliado a isso, um grande homem. Que descanse em paz e todas as homenagens que lhe façamos serão sempre justas e nunca de mais.

Durante as cortesias foi guardado um minuto de homenagem a Fernando Quintela com a Banda de Alcochete interpretando Avé Maria, para terminar as cortesias os antigos e actuais forcados reuniram-se no centro da arena, prestando mais uma sentida homenagem ao seu ex-colega.

No cartaz estavam anunciados Rui Fernandes, Diego Ventura, Filipe Gonçalves, João Ribeiro Telles, Francisco Palha e Mara Pimenta.

O curro de toiros era de várias ganadarias, a saber: Prudêncio, Guiomar Cortes Moura, David Ribeiro Telles, Passanha e Romão Tenório. À excepção do de David Ribeiro Telles que tem encaste Pinto Barreiros e Parladé, em todos os outros era predominante o encaste Murube Urquijo.

As pegas neste festival estavam a cargo dos actuais e antigos Forcados Amadores de Alcochete, capitaneados por Nuno Santana, pelo que ainda foi possível ver Vasco Pinto a fazer a pega ao primeiro da tarde e Bolota a dar ajudas.

Abriu praça o cavaleiro mais antigo de alternativa, como é dos cânones, Rui Fernandes que deixou bons ferros e boa nota a bregar, terminando com ferros quarteados num palmo de chão. O Passanha foi-se acabando, deixando forças para os forcados. O antigo cabo Vasco Pinto ficou à terceira tentativa depois de investidas que provocavam reuniões descompostas, mas a experiência e a vontade valeram mais e assim, fazendo uso desses atributos consumou-se a primeira pega.

Em segundo lugar saiu Diego Ventura e a sua panóplia de recursos e arte. Esteve bem em todos os tempos de lide com quiebros a receber e a recuar quase até às tábuas, outras vezes atacando e indo a terrenos impossíveis até aos palmitos que já não acrescentam nada por o toiro estar quase parado e até um par de bandarilhas sem cabeçada no cavalo, foi um manancial da arte do rejoneio. Quando saiu ouvia-se o clamor que só os triunfos deixam no ar.

Ruben Duarte saltou para pegar o segundo da tarde e também só o conseguiu à terceira tentativa. Parece que os Murube poupam-se nos cavalos para descarregarem nos forcados. Bem ajudado, bem metido na cara do toiro, ficou com ganas.

A Filipe Gonçalves, gente destas bandas, tocou-lhe o Romão Tenório, feio de tipo. Filipe com excepção dos ferros compridos cravados à tira, toureou por quiebros,  tendo sido o primeiro muito largo, melhorando nos seguintes e terminando com par de bandarilhas a duas mãos que fez o público vibrar.

Para pegar este toiro saltou o cabo dos Amadores de Alcochete, Nuno Santana. Esta pega foi brindada aos artistas presentes nesta homenagem.

À primeira tentativa o grupo desuniu-se mas corrigiu à segunda tendo resultado uma rija pega.

No intervalo foi efectuada uma cerimónia de homenagem a Fernando Quintela ficando este facto registado à entrada do Sector 1 da praça.

Abriu a segunda parte, João Ribeiro Telles com um toiro da sua casa, o único não Murube, feio de tipo, bisco do corno esquerdo mas de bom comportamento na lide, foi sempre a mais ao longo da lide permitindo quarteios justos e vistosos até aos palmitos. Por fim, o cavaleiro cravou uma rosa de belo efeito no centro da arena. Bom o toiro e bem o toureiro.

Para a pega saiu João Belmonte que ficou maltratado na primeira tentativa tendo recolhido à enfermaria. Foi dobrado por Vitor Marques que após um sem número de tentativas conseguiu parar o toiro com o grupo, mas embora o director de corrida tivesse dado a pega por consumada, o mesmo não entendeu o forcado que já com os cabrestos em praça, reuniu o grupo e efectuou a pega que ele achou que estava de acordo com o que devia ser no seu entendimento, a pega consumada. Como ficou dito, o toiro era bisco do corno esquerdo, consequentemente não havia amparo daquele lado e o forcado escorregava para fora da cara do toiro, mas na última tentativa os ajudas compensaram tal dificuldade e a pega concretizou-se. Foram os únicos artistas sem direito a volta à arena.

Francisco Palha veio a seguir e começou com duas tiras a abrir, nos curtos o toiro pouco queria colaborar mas a poder de muito trabalho e muito porfiar lá foi abrindo e os últimos ferros foram de antologia. Prova de que vale a pena lutar. Foi o único artista que não teve música.

Como o toiro era baichelo não havia como o pegar de caras e assim resolveu Nuno Santana que seria de cernelha que se pegaria este morlaco, e assim foi. Coube a Diogo Vivo e João Ferreira resolver tal empreitada que lhes correu de feição, tendo sido uma pega que empolgou o público.

Mara Pimenta veio tourear o último da tarde tendo brindado ao céu e deixado o chapéu na centro da arena e a Nuno Santana, fazendo questão que ele saltasse à arena, como se brinda aos artistas.

O Prudêncio que lhe calhou em sorte teve uma saída alegre e veio com vontade do princípio ao fim da lide. A cavaleira com bons modos esteve bem frente ao astado mas denotou pouca força física: não partiu o primeiro comprido, nos curtos caíram os três primeiros. Quando começou a tourear mais perto do toiro, era o próprio movimento da lide que levava a que o ferro ficasse em seu sítio. Terminou com ferros a “entrar” pelo toiro e a deixar palmitos de muito boa nota.

A João Machacaz coube-lhe fechar com chave de ouro esta tarde de homenagem a um forcado de eleição. Bem a citar e a recuar, aguentando e ficando com o grupo a fechar junto aos curros. Foi a pega da tarde.

Dirigiu a função Fábio Costa, assessorado pelo médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

Alter 24 de agosto19
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