Na corrida dos ex-Combatentes Fuzileiros foi António Prates quem ganhou a “guerra”

Esta corrida anunciava-se como sendo dos ex-Combatentes Fuzileiros e de homenagem ao Comandante Almeida Viegas, impulsionador das primeiras corridas dos Fuzileiros. 
Estava em disputa o troféu José Coisinhas para a melhor pega. 
José Coisinhas é um Ex-Fuzileiro, Ex-Combatente e Ex-Forcado dos Amadores do Montijo.
Anunciavam-se toiros de Fernandes de Castro com encaste Parladé (Atanásio Fernandes) para os cavaleiros Duarte Pinto, Luís Rouxinol Jr. e o praticante António Prates.
Os Forcados foram os Amadores do Ribatejo, de Pedro Espinheira, Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, de Márcio Chapa e os Amadores do Montijo, de Ricardo Figueiredo.
O espectáculo foi dirigido pelo senhor Ricardo Dias, assessorado pelo delegado técnico veterinário Carlos Santos.
Os espectadores presentes não ocupavam metade da lotação da praça.
Como mais velho de alternativa, abriu praça Duarte Pinto. Tinha pela frente o toiro nº 62 com 565 quilos. O toiro era pronto nas investidas e Duarte Pinto deu-lhe a lide que precisava mas com pouco “som”, as sortes eram por demais repetidas e chegavam pouco ao público.
No seu segundo, um toiro com 575 quilos e com o nº 72 também pronto a entregar-se à luta, mas tal como no primeiro só quando algum quarteio saía mais apertado o público reagia. O toureiro foi sempre correcto, quer a bregar quer a cravar mas falta alguma chama para chegar às bancadas.
Luís Rouxinol Jr. teve pela frente o nº 63 com 595 quilos. Começa com uma tira um bocado traseira, desenha bem as duas seguintes e passa para os curtos onde desenvolve bom toureio cheio de garra, marcando bem as sortes, citando em curto ou de largo as reuniões saem sempre vistosas e no último, carregando a sorte, deixou talvez o melhor ferro da lide.
No seu regresso à arena sai-lhe o nº 53 com 580 quilos.
Recebe o morlaco com três tiras de boa execução e muda para os curtos. Aqui, faz uso de todos os seus recursos e levando o toiro bem bregado, com a cara cheio de cavalo, coloca-o onde quer, bem mexido, cravando dois curtos de boa nota; em seguida deixa um violino e mais dois palmitos a pedido do público, que está com ele.
Que bem, que brega. Grande lide!
António Prates ainda é praticante mas como se costuma dizer, já tem a escola toda. Sabe tourear e sabe chegar às bancadas. O nº 47 com 600 quilos foi o que lhe calhou lidar em primeiro lugar. Recebeu-o com uma tira, seguido de um quarteio recto à cara do toiro e cravando sem mácula, passou para os curtos e aí montou cátedra! Quarteios carregando a sorte, dando vantagens ao toiro e no quarto curto, em curto, provoca a investida do seu opositor, fazendo com que lhe dê espaço para passar no “corredor” entre a trincheira e o toiro, o que fez levantar a praça.
O que encerrou a corrida era o nº 73 com 530 quilos.
Foi recebido com dois ferros à tira, bem desenhados. Nos curtos, começa com um quarteio sem história para desenvolver, de seguida, uma boa brega sempre com o toiro por muito perto, colocando-o e fazendo quarteios justos que chegam forte ao público. Após troca de montada vem para brilhar. Coloca o hastado no centro da arena e faz-lhe um inesperado quiebro que deixa a praça em polvorosa e ainda não refeitos desta, crava a quiebro outra vez, também no centro da arena com a praça em apoteose. 
Temos toureiro!
No final desta lide, para além do cavaleiro e forcado deu também volta o ganadeiro. Justíssimo!
Como havia concurso para a melhor pega resolvemos analisá-las em separado.
Pelos Forcados Amadores do Ribatejo pegou Dário Silva, o primeiro da tarde. Aguentou uma investida lenta mas que quando chegou ao grupo derrotou forte mas não se desuniram e consumou-se à primeira tentativa. 
No quarto da tarde João Oliveira pegou só à quinta tentativa, com ajudas carregadíssimas e com muitos assobios da bancada, por não ser claro que tinha ficado na cabeça do toiro.
Para os Forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, saíram-lhes o segundo e o quinto da tarde.
Para pegar o segundo saltou Pedro Galamba mas o toiro não se arrancava e quando se arrancava tinha gatos na barriga e desbaratava o grupo até que se tomou a decisão de se pegar de cernelha. Neste caso, os cernelheiros foram Luís Carrilho e Emanuel Cabral.
Aproveitaram uma oportunidade em que o toiro estava parado e a descoberto, entraram e conseguiram pará-lo.
Para pegar o quinto saltou Luís Carrilho. Na primeira tentativa leva um forte derrote nas pernas e não se consegue fechar, à segunda está bem a chamar e a recuar, fecha-se bem e embora com dois reforços vindos da trincheira, consegue consumar uma excelente pega.
Pelos Amadores do Montijo tivemos Élio Lopes no que lhes calhou em primeiro lugar e que havia sido o primeiro de António Prates. Só à terceira tentativa e com as ajudas carregadas conseguiu resolver a papeleta.
Coube-lhe, para encerrar a actuação o que encerrava a corrida. João Paulo Damásio foi o homem escolhido para o efeito. Cita como mandam as regras, aguenta sereno com braços de aço e vontade de ferro e mesmo com alguma desorganização do grupo, a pega foi de encher o olho. Um pegão! eleito por unanimidade do júri como a melhor pega da tarde, sendo galardoada com o Troféu José Coisinhas.

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