Alcochete: Ambiente morno em noite fria

Nesta noite de 22 de Junho, integrada nas festas de S. João em Alcochete, pelas 22 horas, estava programada e assim se cumpriu, a Alternativa de António Prates. O novel cavaleiro profissional recebeu o testemunho de seu pai, também cavaleiro de alternativa, como tinha que ser, embora já retirado: José Prates.
Foram testemunhas António Ribeiro Telles e Francisco Palha.

Lidaram-se toiros António Charrua com encaste Soler e Pinto Barreiros, bem arrobados entre os 550 e os 660 Kg não parecendo gordos, tal o tamanho do esqueleto que os suportava.
Os toiros eram andarilhos, não se paravam e “não davam sítio”. O de melhor tipo foi o nº 50 lidado por António Telles no início da segunda parte.
O espectáculo foi dirigido com acerto, pela directora Lara Oliveira, coadjuvada pelo médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

Os forcados presentes eram os Amadores de Coruche capitaneados por João Tomaz e os Amadores de Alcochete de Nuno Santana.

O espectáculo teve início com a cerimónia de alternativa do António Prates que brinda o seu primeiro ferro à sua família. Em seguida, desenvolve a lide com duas sortes à tira nos compridos, e após mudar de cavalo, com bregas cingidas a duas pistas, deixa três curtos de boa nota a quarteio, sendo apanhado na preparação de um deles. Com coração que nunca mais acaba, volta à lide e crava um ferro como mandam as regras bem no centro da arena. Empolgado, muda de montada e prepara a apoteose final com dois quiebros que põem a praça de pé.
Este toiro foi pegado por Tiago Lourenço dos Amadores de Coruche à segunda tentativa, aguentando uma enormidade, fechando-se bem e devidamente ajudado.
Volta para Cavaleiro e Forcado.

O segundo da noite coube a António Telles que brindou ao seu novo companheiro.
Recebe o toiro com uma sorte à tira e outra de frente em reunião ajustada. Sem mudar de cavalo passa para os curtos e crava o primeiro da série, a cilhas passadas. Muda de cavalo e crava mais quatro curtos: nos dois primeiros leva dois encontrões fortes do toiro e no último crava bem no cimo do morrilho como mandam os cânones. 
Pega o segundo da noite o forcado Manuel Pinto, do grupo de Alcochete. O toiro, como todos os irmãos de camada não se colocava, parecia ter crença nos tércios e não chegava às tábuas. Também como todos os outros, arrancava mal via os forcados e Manuel Pinto, portador de nome histórico dos Amadores de Alcochete, não deixou os seus créditos por mãos alheias, dando-lhe a pega que o morlaco precisava. Um pegão!
Volta para os artistas.

A Francisco Palha coube o terceiro da noite. Recebeu-o com duas sortes à tira e passou para os curtos onde, mercê de boa brega, cravou bons ferros passando por alguns arrepios, tal a vontade de triunfar numa praça tão carismática. Os últimos curtos foram de ficar na retina.
Os Amadores de Coruche escalaram para esta pega o irmão do Cabo: António Tomaz.
Na primeira tentativa tudo se conjugou para que a pega não se efectivasse: o toiro não se fixava, quando arrancou, o grupo ainda não estava formado… à segunda, tudo funcionou bem em especial os braços do António Tomaz. As ajudas entraram a tempo, o grupo fechou e a pega concretizou-se.
Volta para forcado e cavaleiro.

Para abrir a segunda parte desta noite morna de ambiente e fria de tempo, António Ribeiro Telles veio com ganas de aquecer alguma coisa, como é seu hábito. O toiro sai dos curros directo ao cavalo e o cavaleiro não se deixa surpreender, cravando um ferro “em todo o alto”. Crava mais um ferro à tira, muda de cavalo e veio a aparente tranquilidade de quem sabe o que fazer a seguir. Sem rodriguinhos, de frente e carregando a sorte em quarteios, com reuniões ao estribo, até parece simples. Foi uma lide com toureria.
Manuel Teixeira Duarte dos Amadores da Alcochete foi o homem escolhido para pegar o quarto da noite. O toiro, tal como os seus irmãos, arrancou mal viu o forcado e este esteve bem a recuar e a falar com o toiro, conseguindo uma boa reunião; os ajudas cumpriram a sua função.
Volta para cavaleiro e forcado.

Francisco Palha tinha encontro marcado com o quinto da noite. Costuma dizer-se que não há quinto mau. Efectivamente não foi mau, mas podia ter sido melhor. Os dois compridos foram colocados a receber, quarteando-se mesmo junto às tábuas. Muda de cavalo mas crava o primeiro curto a cilhas passadas e volta a mudar de montada, vindo em crescendo mas sem grande colaboração do astado, não conseguiu uma sorte redonda.
Pegou este toiro o Cabo de Coruche. O toiro não deu sítio como os outros também não davam e embora tenha ficado à primeira tentativa, não era a pega que José Tomaz imaginara pelo que, embora autorizado pela “inteligente”, o forcado resolveu não dar volta à arena.
Volta para o cavaleiro.

António Prates, agora mais calmo, brindou aos seus empresários, os filhos do saudoso Néné.
Embora sendo uma lide movimentada, com bons apontamentos de brega, a lide não foi mais conseguida que a primeira; após as duas tiras a abrir vieram os curtos, com sortes a quarteio mas que não aqueciam o público, até que tira da cartola, ou melhor, da cavalariça o cavalo “expert” em câmbios.  Os dois últimos ferros foram colocados em quiebros com som no centro da praça, onde as sortes pesam mais. 
António José Cardoso forcado de Alcochete, tal como o seu pai, nem teve tempo de citar 
porque o toiro arrancou lesto. O forcado alegrou-lhe a investida, falando, fechou-se bem e o grupo fez o resto. Bons braços!

Onde quer que esteja, o pai deve estar orgulhoso!

Foi bom ver estas ganas em gente nova. A Festa tem futuro!

Chamusca_3agosto19
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