Montijo: Casa cheia na comemoração dos 30 anos de Alternativa de Pablo Hermoso

A Praça de touros Monumental Amadeu Augusto dos Santos, no Montijo, encheu-se para mais uma corrida da Adega de Pegões, onde estava em disputa o prémio para a melhor pega.

Esta corrida inseriu-se nas festas de S. Pedro, padroeiro da cidade.

Tivemos em praça dois cavaleiros: Luís Rouxinol e João Moura Caetano e um rejoneador, Pablo Hermoso de Mendoza, que comemora trinta anos de Alternativa.

Em praça estiveram os grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, Amadores do Montijo e Amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, sendo cabos respectivamente, Márcio Chapa, Ricardo Figueiredo e Marcelo Loia.

Os toiros foram dos irmãos Moura Caetano com encaste Murube, encontravam-se bem apresentados e pesavam entre 500 e 560 Kg. 

O espectáculo teve como director João Cantinho com o assessor veterinário Jorge Moreira da Silva.

Para ver esta corrida de toiros, a praça estava quase cheia.

Antes do início da corrida teve lugar uma homenagem,simbólica, da comemoração dos trinta anos de Alternativa de Pablo Hermoso de Mendonza.

Abriu praça, como mais antigo em termos de Alternativa, Luís Rouxinol que deu a lide adequada ao seu oponente, tirando partido das investidas, galope certinho e sem apertar, do toiro. Os ferros que chegaram mais ao público, foi um violino no corredor e alguns dos curtos rematados com piruetas, terminando a lide com um palmito de boa nota.

O que saiu em quarto lugar foi recebido com dois ferros à tira, como é da norma e só depois de muito trabalho conseguiu tirar água daquele poço. O segundo curto, a sesgo, foi bem rematado após o que consegue alguns ferros com verdade, terminando com um à meia volta no corredor, muito aplaudido.

Pablo veio para lidar o segundo da noite e trouxe todo o seu repertório. Recebeu o que lhe calhou em sorte com um ferro à tira e outro a quarteio com lentidão e a aguentar. Nos curtos, começou com um quarteio depois de uma boa brega e em seguida vieram as batidas ao piton contrário e o espectáculo que muita gente gosta e pelo qual encheram a praça. O trote murubenho dá para montar o espectáculo que o público aplaude fortemente. Os últimos ferros, quinto e sexto curtos não acrescentaram nada à lide dado que o toiro mal se mexia.

No quinto da noite, Pablo montou espectáculo e após um primeiro comprido à tira, crava outro a receber,rematando com arte. Vê que tem matéria-prima para o que quer mostrar e vai buscar o cavalo “Disparate” e então começam os números que o público gosta, preparados com propósito. O toiro dá para tudo; entra por direito, brega a duas pistas ora pela direita ora pela esquerda, fazendo a garupa do cavalo passar junto à cara do toiro e este nem um centímetro a mais nem a menos, continua na sua senda de galope morno. Cita em curto, cita mais de largo e termina sempre com remates apropriados. Volta a trocar de montada e com o “Arsénio” faz cites picados até provocar a investida do hastado, rematando sempre com piruetas ajustadas, mas sete ferros curtos é ferro a mais. Termina a lide com as bancadas de pé. Tal o alvoroço que provocou, o público tributou-o com duas voltas à arena. Pode não ter sido uma grande lide mas foi um grande espectáculo e as pessoas vão ali para se divertir.

João Moura Caetano não teve sorte com os produtos da sua casa. No terceiro da noite, para cravar o primeiro ferro comprido, à tira, foi preciso muito porfiar e com o segundo foi o mesmo problema. Mudou de cavalo mas o problema não estava no cavalo, o toiro é que não arrancava mesmo. Era preciso muito trabalho para o toiro dar um passinho, só para não cravar com o bicho parado. Não foi bonito. E não foi com o terminar desta lide que terminou o calvário de Moura Caetano. O que fechou a noite ainda foi pior que o que lhe calhou anteriormente; com muito trabalho lá foi conseguindo cravar a ferragem da ordem mas era visível o desapontamento que ia na sua cara. Devem ter sido duas desilusões juntas, - ele que não conseguia dar “um ar da sua graça” e do material que enviou para a praça logo lhe havia de calhar o pior lote. Melhores dias virão!


Nesta corrida estava em disputa o prémio para a melhor pega pelo que as analisaremos em separado das lides a cavalo.

Os cabos presentes decidiram fazer as primeiras pegas que coubessem ao seu grupo, assim sendo, coube aMárcio Chapa cabo dos Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, iniciar as pegas da noite. Não esteve bem a fechar-se e só à quarta tentativa conseguiu reunir todas as condições para que a pega se concretizasse.

Volta para cavaleiro e forcado.

Coube ainda a este grupo pegar o quarto da noite. Luís Carrilho chamou à voz o toiro, este arrancou-se, ganhou embalagem e o forcado sempre alegrando a investida entrou pelo grupo, fechando-se muito bem. Boa pega.

Volta para cavaleiro e forcado.

Aos Forcados Amadores do Montijo cabia-lhe pegar o segundo e quinto da noite. Para o segundo saltou Ricardo Figueiredo, cabo do grupo, só a terceira tentativa conseguindo ficar na cara do toiro, uma vezporque o toiro o desfeiteou, outra porque as ajudas não entraram a tempo, até que o toiro foi pelo seu caminho sem fazer mal, entrou pelo grupo dentro e a pega consumou-se.

Volta para cavaleiro e forcado.

João Cirne veio completar a actuação dos Amadores do Montijo. Bem a citar e aguentar com ganas, uma reunião quase perfeita e o grupo ajudou como devia.

Duas voltas para cavaleiro e forcado.

Marcelo Loia, cabo dos do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, saltou para pegar o terceiro da noite. Citou bem mas a viagem foi tão atribulada que emmuitos espectadores ficou a ideia de que a pega não se concretizou, tendo parecido que em determinado momento o forcado não estava na cara do toiro. Eu não o posso afirmar, com toda a certeza, para não errar.

Embora autorizado pelo Director, o cavaleiro não deu volta à arena e assim, embora com alguns assobios à mistura, só Marcelo Loia deu volta à arena.

Para encerrar a corrida estava guardada a pérola da noite.

O pequeno Diogo Amaro não tem alma até Almeida, tem alma que nunca mais acaba. Graças a essa alma fez uma pega que, se calhar, nunca mais se vai esquecer. A ideia que dava cá de cima é que havia umaenorme desproporção entre 560 Kg do morlaco e a figura franzina do forcado, mas no frente a frente, com voz firme a citar e alegrar a investida recua e quando se fecha de braços e pernas, o grupo ajuda como um grupo de amigos. 

Valeu a pena ir ao Montijo para ver esta pega.

Esta foi a pega que ganhou o prémio em disputa.Prémio da Adega de Pegões.

Só o forcado foi autorizado a dar volta à arena.

É pena que numa terra onde se dá tanto valor e que é merecido, aos forcados e à sua arte, haja sempre por parte de alguns espectadores, o não saber apreciar em SILÊNCIO esta nobre e perigosa arte.

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